Artigos publicados no Jornal de Piracicaba

 

Disponibilizamos nesta página uma seleção de artigos publicados no Jornal de Piracicaba entre 2000 e 2008. Dois entre esses artigos (nºs 1 e 4) foram citados na Justificação do nosso Projeto de Lei. Além disso, esses artigos fornecem uma clara demonstração do fato de que a oposição ao regime ultra-repressivo que atualmente caracteriza a fiscalização do trânsito no Brasil não é, em absoluto, idéia recente, mas decorre diretamente do bom senso e estende-se desde o início da implantação da famigerada “indústria de multas” até a atualidade.

 

1. Fiscalização incompetente no trânsito (Nélson Bertolini) - 31/12/2000

2. Menos multas, mais educação (Barjas Negri) - 14/9/2004

3. Menos multas, mais educação (José Rubens Almeida Leme Filho) - 7/10/2005

4. Fim da indústria de multas (Antonio Carlos Silva) - 18/9/2004

5. Quem planta colhe (José Rubens Almeida Leme Filho) - 4/10/2004

6. Tolerância Zero na BO (Prof. Dr. Caetano Ripoli) - 23/3/2006

7. A indústria da multa (José Rubens Almeida Leme Filho) - 24/3/2006

8. Abuso (Prof. Dr. Caetano Ripoli) - 18/4/2006

9. Semuttran (Ademir Carlos Beccari) - 3/9/2006

10. Mensagem às 56.291 vítimas (José Rubens Almeida Leme Filho) - 26/2/2008

 

 

1. Fiscalização incompetente no trânsito (Nélson Bertolini)

Com a autorização do autor, transcrevemos aqui um brilhante artigo que foi publicado na página 6 do Jornal de Piracicaba, em 31/12/2000.

 

Indústria de multas - Fiscalização incompetente do trânsito

 

Desde a implantação da sinalização eletrônica de controle, ou fiscalização do trânsito, pela Semuttran - Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes - de Piracicaba, observou-se intensa demannda de queixas contra o que foi taxado de “indústria das multas”, já que neste processo, uma empresa, ou alguém aufere um percentual do valor das infrações detectadas, conforme já divulgado.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Câmara Municipal parece ainda não ter levado a nenhuma solução definitiva, já que a quantidade excessiva de ocorrências (mais de 24.000 em 15 dias, e até hoje (31/12/2000), perto de 50.000) e de multas (mais de 2.400 nos mesmos 15 dias) revelam, no mínimo, o endoidecimento de uma das partes: ou da população motorizada de Piracicaba, ou do sistema de aferição do trânsito.

Ora, uma população não endoidece de uma hora para outra, salvo condições excepcionais - receio de violência, assaltos, calamidade de guerra, etc. Que pequena parcela da população motorizada seja regularmente rebelde, até se admite como normal, mas uma taxa de 24.000 ocorrências, numa população total de pouco mais de 300.000 habitantes, em 15 dias, é algo a reclamar análise profunda.

Portanto, presumindo que a mesma população educadamente disciplinada de antes da instalação do novo sistema não iria endoidar repentinamente, é de se concluir que doido deve estar o sistema de controle. E os fatos o comprovam.

Este jornalista recebeu o Auto de Infração R004300026, de seu veículoBQF 5055 106875 (Ômega) emitido em 7/11/2000, segundo o qual teria transitado dia 23 de outubro passado às 11h16 a 710,0 km/h pela Avenida Kennedy, próximo à Rua Luiz Nozela, cujo limite de velocidade permitido é de 60 km/h.

Retornando ao local para averiguações não encontramos nenhum equipamento fixo de aferição de velocidade, o que nos induz a imaginar que deve ter sido um equipamento móvel instalado no local. Sem qualquer alerta prévio, como deveria, conforme determina o Código Nacional de Trânsito.

Mas o mais grave é que, se havia o tal equipamento no local, ele deve estar totalmente desajustado, ou voltado ao espaço aéreo, pois só aviões supersônicos podem trafegar a 710 km/h. Como não somos brevetados, nem possuímos aeronave, logo, essa multa não nos pertence e quem deve estar doido é o aparelho medidor, a que chamam de radar, ou seus programadores. Valor da multa: R$ 127,69.

Como acreditar num sistema doido, desse?!

Logo em seguida, nova correspondência nos chega, A. I. R004300434, multando o veículo CCH 5853/06875, (Peugeot 306), emitido dia 7/11/00, acusado de estar trafegando pela Avenida 31 de Março, próximo à Rua 1º de Maio a 710,0 km/h, dia 25 de outubro, às 15h52. O limite permitido é de 60 km/h.

Esse veículo, de pessoa de nossa família, estava nessa data em oficina da concessionária para reparos e a proprietária, que trabalha em outro município, nem estava na cidade.

A quem cabe a punição, no pagamento da multa de R$ 127,69 e os pontos contados a Carteira Nacional de Habilitação?

Já estávamos acreditando na maluquice do sistema que nos impingiu a dois veículos da família 710 km/h, quando nos chegou ao conhecimento o auto de infração aplicado a pessoa amiga, que nos deixou “na poeira” de seu percurso.

Ele viajou pela mesma avenida 31 de Março, próximo à Rua 1º de Maio, a 810,0 km/h. foi o auto de infração R004300419, emitido dia 7/11/2000, registrando a velocidade supersônica a uma Saveiro VW, dia 25 de outubro, às 15h03, multa estipulada em R$ 574,61.

Ainda bem que o sistema é louco!

Com certeza, vão alegar os interessados no faturamento, que os lançamentos do computador foram errados. Em contrapartida, podemos acreditar que errados estão os equipamentos (mesmo aferidos pelo INMETRO) e os operadores despreparados.

Querem ver outro exemplo? Pois aqui vai.

Outra multa que nos chegou de surpresa dessa famigerada Semuttran foi o A. I. 5004302574, com o mesmo Ômega BQF 5055, emitido dia 18/11/00, imputando-nos a infração de termos parado “sobre a faixa de pedestre na mudança de semáforo” no cruzamento da avenida Independência com a avenida Armando de Salles Oliveira, próximo ao Teatro Municipal. Logo a gente que, não só respeita a faixa de travessia de pedestres, como implica com os que não as respeitam. Mas, como há um equipamento fixo de fiscalização (radar) no local, queixar-se para quem? São mais 83,13 para os cofres da municipalidade, e R$ 29,30 para a empresa dona dos equipamentos, que, esperamos, seja a única beneficiária particular.

De repente, o assunto rola com um engenheiro de indústria automobilística, Mário Hélvio Miotto, amigo de longa data, do projeto Galaxie, da Ford, dos anos 60 e ele também estava indignado com a mesma infração, pelo A. I. 500430236, lavrado contra sua mulher, dia 1/11/00.

Engenheiro competentíssimo, de números e dados exatos, que inclusive já ajudou a Semuttran a corrigir vários problemas de trânsito, dando sugestões e ficando no anonimato, não concordando com a penalidade de parar sobre a faixa de pedestres naquele cruzamento, visto ser a motorista, D. Marta, respeitadora dos sinais de trânsito, propôs-se a estudar o assunto. Vejam a comprovação matemática do erro no cálculo dos tempos de abertura e fechamento dos sinais no semáforo da Independência com a avenida Armando de Salles Oliveira - estudo que Miotto já encaminhou aos técnicos da JARI.

Depois de mais de 10 cronometragens inclusive com milésimos de segundos, o engenheiro Mário Miotto fez estudos com veículos às velocidades de 60 km/h e 40 km/h, mais o tamanho médio de 5 m para o veículo.

Apoiando-se nos dados do Curso de Direção Defensiva do SENAI, o engenheiro definiu:

DP = distância de parada é aquela que o veículo percorre desde que o perigo é visto, até que se consiga parar o veículo.

DR = distância de reação é aquela que o veículo percorre, desde que o perigo é visto até que o motorista tome a atitude (frear, desviar, etc).

DF = distância de frenagem é aquela que o veículo percorre, depois de acionado o mecanismo de freio, até parar.

Portanto DP = DR + DF.

TR = tempo de reação é aquele que é gasto desde que o perigo é visto, até que o motorista tome qualquer providência.

TF = tempo de frenagem é o tempo gasto depois de acionado o mecanismo de freio, até parar o veículo.

TP = tempo de parada é o tempo gasto desde que o motorista percebe o perigo, até parar o veículo.

Portanto TP = TR + TF.

A distância que separa as faixas de pedestres entre o semáforo, mais a extensão do veículo (média de 5 metros), perfaz 41,50 metros.

O tempo médio de duração do sinal amarelo é de 3”837 (três segundos e oitocentos e trinta e sete milésimos) dos quais 2”489 (dois segundos e quatrocentos e oitenta e nove milésimos) são gastos para percorrer a extensão entre as faixas, na velocidade moderada de 40 km/h, permitida no local.

Só que, matematicamente, este tempo é insuficiente para que um veículo percorra a extensão, sem chegar à faixa de pedestres seguinte, ainda no amarelo (e com o farol já no vermelho, tome multa).

1- O Engo. Miotto esteve medindo a duração dos sinais do semáforo por mais de uma hora, anotando as variações entre a abertura e o fechamento do sinal amarelo, nas três direções daquele cruzamento. Neste período, sempre algum veículo cometeu alguma infração, pela inadequação do tempo do semáforo.

2- A extensão abrangida pelo percurso entre as duas faixas de pedestres sob controle eletrônico, acrescida do comprimento do veículo, monta a 41,50 m (extensão entre as faixas, mais o comprimento do veículo médio).

3- O tempo médio de duração do sinal amarelo é de 3”837, dos quais 2”489 são necessários para percorrer a extensão referida, à velocidade moderada (40 km/h), conforme Anexo 1, tabela com duração dos percursos a várias velocidades.

4- Os estudos de Direção Defensiva - anexo 2 - ensinam que, constatada a necessidade de parar, no caso, o sinal amarelo, passam-se, em média, 12,50 m (a 60 km/h), até que o motorista acione os freios (DR = distância de reação), e, nessa velocidade, o veículo percorre 16,10 m para parar (DF = distância de frenagem).

5- O tempo envolvido nesses 2 estágios (DR + DF), a essa velocidade, são de 0”750 (setecentos e cinqüenta milésimos de segundo, calculado) e 2”200 (dois segundos e duzentos milésimos) pela tabela de Direção Defensiva (Anexo 2), totalizando 2”950 (dois segundos e novecentos e cinqüenta milésimos) e 28,60 m (12,50 m + 16,10 m), respectivamente.

6- Portanto, o último ponto que permite, em condições teóricas ideais, a parada sem invadir a faixa de pedestre (transversal) situa-se a 28,60 m de distância dela, conforme Anexo 3.

7- Qualquer retardo da ordem de milésimos de segundos do motorista na percepção do sinal amarelo, no início da frenagem, ocorrerá a invasão da faixa de pedestres pelo veículo (Art. 183 do CTB - Código de Trânsito Brasileiro).

8- Se decidir prosseguir, não terá mais do que 1 ou 2 segundos para concluir o cruzamento, insuficiente para passar, ainda no sinal amarelo, a outra faixa de pedestres, à distância de 41,50 m adiante da primeira.

9- Admitindo que tenha percebido o sinal amarelo no ponto a 28,60 m e, mesmo assim, prosseguindo a 60 km/h, ele gastará 1”709 nesse espaço, mais 2”489 para completar a travessia, necessitará de 4”198 - soma de 1”709 + 2”489 - quando o sinal amarelo se mantém por apenas 3”837. Logo, atravessa a segunda faixa de pedestres no sinal vermelho e toma multa.

10- Se no item 9 anterior, a velocidade do veículo for de 40 km/h (velocidade razoável, para o local), os mesmos serão de 14,73 m (8,33 m de DR + 6,40 m de DF), consumindo os tempos de 1”326 (DR) + 3”785 (DF), para percorrer os 41,50 m entre as faixas, o que somaria 5”111, contra os apenas 3”837 que o sinal permanece no amarelo.

(Comentário do requerente) Logo, é uma armadilha, de qualquer forma, porque: ou o veículo pára sobre a faixa de pedestres, ou pára no meio do cruzamento, ou passa a faixa de pedestres seguinte no sinal vermelho e é multado, em qualquer caso, vamos ver?

11- Para não ser alcançado pelo sinal vermelho, o veículo não pode estar a mais de 22,51 m de antecedência da faixa transversal de pedestres. Se tentar frear bruscamente, corre o risco de colisão traseira e infringe o Art. 42 do CTB e, fatalmente, parará sobre a faixa de pedestres ou no cruzamento de vias, infringindo os artigos 182 e 183 do CTB.

(Observação: os números tomados para tabelas de Direção Defensiva são anotados com motoristas treinados e habilitados para testes, que, com certeza, superam a velocidade mental dos motoristas comuns, que consomem mais tempo em suas operações ao volante).

12- Essas constatações mostram que o tempo mínimo matemático, limite, do sinal amarelo, em cada situação, deve ser tal que permita ao motorista a escolha de parar normalmente (Art. 42), sem invadir a faixa de pedestres ou o cruzamento de vias (Art. 183 e 182), ou prosseguir com segurança, sem ser alcançado pelo sinal vermelho (Art. 208). Nos estudos formulados, à velocidade de 60 km/h, o tempo mínimo necessário deve ser de 4”198, e a 40 km/h, tempo de 5”111, mais uma margem de segurança, pois a habilidade de motoristas comuns não é, em média, comparável à de motoristas de testes.

Isto posto, consideramos inadequada a programação do sinal amarelo naquele ponto, face às dimensões do cruzamento - aumentadas pelo grande afastamento das esquinas, sem a adequada compensação na programação de tempo do semáforo - requerendo, portanto, o cancelamento de todas as multas aplicadas naquele ponto, erroneamente ajustado, conforme este estudo.

Analisando o caos em que se encontra a secretaria de Trânsito e Transportes, lançando multas a 710, 810 km/h, multando veículos em cruzamentos matematicamente inadequados, conclamamos, a bem da Justiça, que sejam sumariamente canceladas todas as multas afoitamente aplicadas à população de Piracicaba, esperando que os sucessores desta administração, na próxima gestão, sejam mais competentes e menos interessados na arrecadação de recursos financeiros, desta já sugada população, que sustenta toda a estrutura, com seus impostos. É, antes de mais nada, rasa questão de Justiça.

Haveríamos ainda de comentar um outro tanto de irregularidades, praticadas pelas próprias autoridades, da Semuttran (caminhonetes transportando funcionários e material de trabalho, proibido por lei); estacionamentos em vias de movimento, em fila dupla de veículos de policiamento “em nome da lei” mas em interesses pessoais, diante de bares e restaurantes; reserva de estacionamento de veículos oficiais de autoridades, ocupando o passeio de pedestres, etc, etc, etc.

Estes exemplos de defesas das multas - de velocidade absurda e do cruzamento mal sinalizado, devem ser anexados na defesa junto à JARI, que julga os recursos contra as multas.

Quem tiver comentários ou observações a fazer, a propósito desta situação absurda que se abateu sobre Piracicaba, pode se manifestar pelo fax (019) 34265743, ou por e-mail [email protected]. Vamos continuar combatendo estes detratores do povo, até que se modere esta voracidade por dinheiro dos motoristas, estabelecendo um sistema mais consentâneo de fiscalização do trânsito.

 

Nélson Bertolini - Jornalista

 

2. Menos multas, mais educação (Barjas Negri)

 

Reproduzimos a seguir o artigo publicado na página A-3 do Jornal de Piracicaba em 14/9/2004. Pensando só na nossa causa, é mais do que suficiente ler o primeiro parágrafo do artigo do Barjas, em todo caso, transcrevemos o artigo inteiro pensando na hipótese de algum visitante do nosso site ter curiosidade de ler a respeito de outros assuntos também relacionados de algum modo com trânsito.

 

 

Plano de governo: trânsito e transportes

Menos multas, mais educação

Barjas Negri

 

O tratamento que tem sido dado ao trânsito em Piracicaba privilegia mais os cofres públicos, por meio das multas, do que as ações de melhoria do sistema viário e da educação. Vou inverter essa lógica. As multas são o último recurso para punir os infratores inescrupulosos, que não respeitam os valores da cidadania, mas não podem ser uma arapuca para os cidadãos ou uma indústria com finalidades lucrativas ou de extorsão. A obrigação do Poder Público é concentrar seus esforços na educação para o trânsito, no sentido da valorização da vida e da vida em sociedade. Entretanto, a educação deve vir acompanhada de uma melhoria no sistema viário, pois somente se pode exigir respeito dos motoristas no trânsito se ele também for respeitado em termos de ruas bem cuidadas e adequadamente sinalizadas.

A melhoria no sistema viário de Piracicaba, para ser efetiva e não simplesmente cosmética, terá que enfrentar várias questões simultaneamente. A primeira, é o traçado urbano da cidade, que apresenta uma contradição básica: as ruas que convergem e que, portanto, também saem do centro da cidade, são estreitas; ao passo que algumas das vias de bairros com nenhuma possibilidade de grande tráfego, são largas. O traçado ideal seria quase que o contrário. Esse é o motivo principal dos congestionamentos na área central da cidade.

Para enfrentar essa questão, o mais adequado em termos de sistema viário seria criar corredores de acesso e saídas rápidas do centro, o que esbarra em problemas financeiros, pois envolveria o alargamento de algumas vias com a desapropriação de áreas edificadas. Portanto, não há como fugir da discussão de um plano de mobilidade associado à questão já colocada de revitalização do centro. Nesse debate, é preciso encarar de frente os problemas simultâneos, e muitas vezes concorrentes, de transporte público, espaços de circulação de veículos individuais e de pessoas e de estacionamentos para veículos particulares. Vou dar seqüência a esse debate com o sentido de tomar decisões e implementar planos e projetos que alterem o atual estado caótico do trânsito na área central.

Além dos congestionamentos na área central, estão se tornando crescentemente problemáticas algumas vias de saída das pessoas de seus locais de trabalho para atingir os seus locais de residência. Para enfrentar esse problema são necessários alguns investimentos de maior porte e algumas correções pontuais que ainda não exigem um grande volume de recursos. Para os investimentos de maior porte, não há recursos suficientes na Prefeitura. Uma das queixas que tenho mais ouvido é sobre as passagens sobre o rio Piracicaba. Nesse sentido, pretendo atuar junto aos governos do estado e federal para obter recursos para construção de uma nova ponte sobre o nosso rio.

Ainda perante esses governos, e com o apoio e mobilização da sociedade local, vou fazer gestões para o início da construção do anel viário, antiga reivindicação da cidade, expressa nos documentos do Piracicaba 2010. Com a construção desse anel, além de facilitar a interligação de rodovias para o transporte de cargas, favorecendo o desenvolvimento econômico de Piracicaba, será possível eliminar uma parte do trânsito pesado da cidade, evitando a degradação de nossas vias públicas, melhorando o trânsito local e reduzindo a poluição atmosférica e sonora.

Quanto aos investimentos pontuais, existem recursos financeiros na prefeitura e várias alternativas técnicas. Algumas ruas e avenidas de acesso (e saída) dos bairros terão que ser alargadas. Alguns pontos críticos terão que receber alças de acesso e, outros, as conhecidas rotatórias, ainda uma solução para problemas menores. Todas essas medidas garantirão uma maior fluidez ao tráfego, principalmente nos horários de pico. Essas ações terão que ser complementadas por iniciativas que preservem a movimentação segura das pessoas que fazem os trajetos a pé e, eventualmente, de bicicleta. Onde for possível, trechos para bicicletas (ciclovias) poderão ser segregados. Para os pedestres, o fundamental são calçadas em condições adequadas de utilização. Vou criar um plano de calçadas que atinja toda a cidade, melhorando as existentes e construindo novas onde não exista.

Tanto para o motorista como para o pedestre, vou adotar um conjunto de outras iniciativas. Em primeiro lugar, vou fazer uma revisão e atualização de toda a sinalização viária da cidade, desde as faixas, passando pelas lombadas, semáforos e placas. Sobre as placas, além das de sinalização viária, vou rever e suprir as faltas de placas de denominação de ruas e avenidas, elemento que também perturba a fluidez do tráfego, além de constituir um desrespeito ao cidadão da cidade e visitantes que procuram por determinados endereços. Também vou incrementar as ações para facilitar a mobilidade de portadores de necessidades especiais e vou dar uma solução definitiva para o viaduto da avenida Doutor Paulo de Moraes sobre a avenida 31 de Março.

Para as vias públicas, vou reduzir o número de buracos, por meio de uma operação de substituição gradativa da operação tapa-buracos pelo recapeamento das vias de maior tráfego de veículos, o que irá colaborar não somente com a segurança dos pedestres e motoristas, como também com a redução dos custos de manutenção dos veículos, aliviando o bolso dos cidadãos. Vou retomar o plano de asfalto para dotar dessa melhoria os bairros que ainda não dispõem, além de retomar o plano de iluminação pública, que melhore a existente e a implante onde não existe, além de dar continuidade ao plano de combate às áreas críticas de inundação.

Quanto ao transporte coletivo, tenho alguns compromissos com a população. Vou construir um terminal de ônibus na região do São Jorge/Novo Horizonte/Jardim Planalto e outro na região da Vila Industrial/Mario Dedini/Bosques do Lenheiro. Vou rever os atuais itinerários dos ônibus, dando maior racionalidade ao sistema e reduzindo os seus custos. Também vou rever os pontos e abrigos de ônibus, dando uma sinalização homogênea e proporcionando maior conforto para os passageiros usuários desses serviços. Vou implantar, ainda, um serviço associado ao incremento do turismo local, que transporte os passageiros para conhecer a cidade e seus principais pontos turísticos.

Não posso terminar sem manifestar uma reflexão que julgo fundamental. Um dos principais critérios para a instalação de novas empresas em uma cidade, além das rodovias de acesso aos principais centros consumidores ou fontes de matéria-prima, é a qualidade de vida que ela oferece aos seus cidadãos. Isso envolve não somente bons serviços de educação, saúde e qualificação dos trabalhadores, mas uma cidade também agradável para se viver, com planejamento urbano, condições dignas de habitação, saneamento básico, segurança, lazer, cultura, cuidados com o meio ambiente e assim por diante. Nesse sentido, uma cidade bem cuidada em todos os seus aspectos –– o que inclui o sistema viário, o trânsito e o transporte público –– é um incentivo para que as empresas existentes no município aqui permaneçam e outras venham, além de, em conjunto com as belezas naturais de Piracicaba, favorecer o turismo. Tudo isso representa a manutenção e ampliação dos empregos locais e a melhoria do nível de renda das pessoas, o que propicia um círculo virtuoso de crescimento econômico com qualidade de vida. Esse o meu principal compromisso.

 

Barjas Negri (PSDB), então candidato a prefeito de Piracicaba pela coligação Piracicaba Merece Mais

 

 

3. Menos multas, mais educação (José Rubens Almeida Leme Filho)

Quem leu o artigo anterior e homônimo percebeu que Barjas prometeu que, em sua gestão, haveria menos multas do que na anterior. Ou será que a expressão "menos multas" pode de algum modo significar mais multas? O problema é que Barjas, pouco mais de um ano depois de ter escrito o artigo, ou se esqueceu completamente do que escrevera, ou pelo menos está tentando, ou quer de algum modo convencer os eleitores que “menos multas” podem ser conseguidas com mais radares. Se o fundador do MPJT estivesse no lugar dele, mandaria colocar todos os radares de Piracicaba na praça José Bonifácio (para informação de quem não é piracicabano, esta é a maior praça da nossa cidade), chamaria os repórteres de televisão, rádio e jornais e, diante deles, teria imenso prazer em dirigir um trator com rolo compressor esmagando esses malditos instrumentos de opressão e roubo. Ou então cederia esta honra a alguém que já tenha sido multado. Se ele tivesse o bom senso de fazer isso, sua reeleição estaria garantida, isso se ele ainda quisesse, em 2008, prolongar por mais 4 anos o mandato de prefeito, pois se ele tivesse cumprido o que prometeu, provavelmente em 2008 já teria sido eleito para algum cargo bem superior ao de prefeito, quiçá governador de SP, com a tamanha popularidade que teria adquirido simplesmente honrando suas próprias palavras... Mas se ele prefere seguir o caminho de seus antecessores Humberto e Machado, fazer o quê... A única coisa que nos restou fazer foi enviar uma cartinha ao Jornal de Piracicaba, com o mesmo título que ele usou para seu artigo de setembro de 2004, a qual republicamos a seguir. Observação: um resumo desta carta foi publicado pelo Jornal em 7/10/2005, porém aqui apresentamo-la na íntegra. A quem leu a carta no jornal, recomendamos que a leia também aqui, pois aqui as idéias estão expressas de modo bem mais completo. Nas próximas eleições municipais, estamos certos de que todo o povo brasileiro (incluindo aqui o povo piracicabano) decidirá seu voto bem consciente de que quem vos multa não é vosso amigo, e quem tem cérebro não vota em inimigo. Segue a cartinha como foi originalmente enviada ao Jornal:

  

Menos multas, mais educação

 

Será que Barjas Negri ainda se lembra que, em 14/9/2004, publicou no Jornal de Piracicaba (JP) um artigo com exatamente o mesmo título da presente missiva? As recentes matérias do JP deixam bem claro que ele, pouco mais de um ano depois, caso ainda não tenha se esquecido completamente, pelo menos está tentando: “Radar reduz limite para 50 km/h na Rui Barbosa. Equipamento será instalado até novembro na avenida...” (JP, página A-6, 5/10/2005). “Multa cresce 174% com novo radar. Notificações de trânsito disparam após instalação de radar de controle de velocidade baixa (40 km/h!!!) na Avenida Pádua Dias, em frente à Esalq” (JP, capa, 6/10/2005, exclamações por minha conta). Concluindo, gostaria de lembrar ao sr. Barjas que esse infernal regime ultra-repressivo que hoje fiscaliza o trânsito piracicabano foi implantado por Humberto de Campos e, não obstante inúmeras contestações populares na época (fim de 2000, início de 2001, incluindo aqui brilhante artigo onde, com a colaboração, pasme o leitor, de Mário Miotto, Nélson Bertolini provou matematicamente que, em muitas situações, nem mesmo a habilidade de pilotos de prova é suficiente para passar ileso por um semáforo fiscalizado), José Machado teimou em manter essa iníqua fonte de dinheiro. Por isso, com muita razão, foram ambos derrubados, cada um a seu tempo, logo no primeiro turno quando tentaram (com esperança fundamentada não sei em quê) reelegerem-se. Que Barjas pense bem e decida se quer seguir o mesmo caminho ou se prefere lembrar daquilo que escreveu há pouco mais de um ano. De minha parte, só tenho a agradecer a Deus por ter-me iluminado a anular o voto na última eleição municipal, poupando-me de toda e qualquer cumplicidade com essas milhões de violações do Sétimo Mandamento da Lei de Deus (Não furtarás).

 

José Rubens Almeida Leme Filho

 

 

4. Fim da indústria de multas (Antonio Carlos Silva)

Reproduzimos a seguir o brilhante artigo publicado na página A-3 do Jornal de Piracicaba em 18/9/2004. Antonio dividiu o artigo em duas partes: a parte 1 trata do transporte coletivo, assunto sem dúvida muito importante; porém no que tange especificamente à nossa causa, se o leitor por acaso estiver com pressa e não tiver tempo de ler ambas as partes, a mais importante é a parte 2.

 

 

Plano de governo: trânsito e transportes

Fim da indústria de multas

Antonio Carlos Silva

 

1. Garantir o direito de ir e vir.

O transporte coletivo é um dos maiores suplícios a que milhares de trabalhadores são submetidos todos os dias em nossa cidade, como em todo o país. Um trabalhador que tenha de pegar duas conduções para chegar ao local de trabalho –– como acontece na maioria dos casos –– entre a espera pelo ônibus até a chegada ao local de trabalho e com o retorno para a casa no final do expediente, consome em média cerca de duas horas por dia. Nos finais de semana a situação é ainda pior, pois como o lazer e os compromissos sociais, religiosos etc. dos trabalhadores não têm importância para os patrões responsáveis pelo transporte, o tempo de espera é muito maior. Essa situação resulta, ao final de um ano, em quase 30 dias (isso mesmo, um mês) destinados à locomoção.

O sofrimento com o transporte não se limita ao tempo. O sistema de transporte coletivo implantado na cidade, dominado por uma meia dúzia de "barões", leva o usuário não para onde ele quer ir, mas para onde as empresas acham mais conveniente e lucrativo que ele viaje até chegar ao seu destino final (às vezes tendo que passar por dois ou três terminais).

A lógica desse sistema não é prestar um serviço de acordo com o interesse da população, mas de acordo com fome insaciável de lucros das empresas. E o custo deste transporte inadequado, sujo, demorado é um dos maiores de todas as cidades do Brasil. Por exemplo: uma família que precise realizar seis viagens por dia (duas idas e voltas) gastará por mês cerca de R$ 306, ou seja, R$ 56 a mais do que o valor do salário mínimo de fome em vigor. Todos os dias milhares de pessoas caminham muitos quilômetros a pé para distantes locais de trabalho, moradia, estudo etc. devido à falta de condições de pagarem as passagens.

Os empresários, se dizem favoráveis à livre concorrência, no entanto, há décadas que o transporte é controlado por um seleto grupinho de empresários que atuam como um dos maiores patrocinadores das campanhas de políticos da cidade para assegurar que seus interesses não sejam afetados, seja quem for que ganhe a eleição. Concorrência de perueiros ou qualquer outra forma de transporte alternativo, então, nem pensar. Até os mototaxistas sofreram e continuam sofrendo enorme pressão contra os seus serviços. Os "barões" querem os lucros garantidos apenas para si e qualquer concorrência gera a fuga de passageiros diante da má qualidade dos serviços por eles prestados.

O direito fundamental de ir e vir do cidadão não pode ser assegurado sem a existência de um sistema de transporte eficiente e voltado para atender, principalmente, a demanda dos que não tem outra forma de se transportar que não sejam os transportes coletivos.

O PCO chama a população a organizar a luta contra os "barões" do transporte para isso apresenta como pontos centrais do seu programa: 1) redução dos preços das passagens; 2) passe livre para desempregados e estudantes; 3) liberdade de trabalho para perueiros, mototaxistas e todos os que queiram oferecer condições alternativas e seguras de transporte da população, oferecendo-lhes incentivo e subsídios para constituição de cooperativas e compra de veículos novos para que ofereçam melhores condições à população; 4) fiscalização rigorosa e pesadas multas para empresas que não cumpram horários, trafeguem com lotações acima das adequadas ao conforto da população ou com veículos sujos e outras situações irregulares; 5) a municipalização do transporte coletivo sob o controle dos trabalhadores do transporte e das organizações operárias e populares.

 

2 Abaixo a ditadura no trânsito.

Os governos patronais que não cumprem seu dever de garantir condições adequadas de trânsito nas vias públicas (buracos, má sinalização, educação preventiva, organização do sistema, investimentos em obras de infra-estrutura etc.) resolveram nos últimos anos assaltar o cidadão impondo-lhe pesadas multas através de mecanismos traiçoeiros como os radares. Esta política cumpre um duplo papel nefasto: por um lado procura colocar o cidadão que dirige na defensiva, culpando-lhe pelos males do trânsito e, por outro, garantir um lucrativo negócio para empresas especializadas, quase sempre muito generosas em suas doações para os políticos que lhes asseguram a instalação crescente de radares, máquinas fotográficas etc. Note-se que estes, em geral, não estão instalados em áreas próximas a escolas, zonas residenciais etc. onde o excesso de velocidade poderia colocar em risco a vida das pessoas, mas em locais próximos a rodovias, descidas etc. nos quais a distração do motorista pode lhe custar um enorme prejuízo e um lucro fácil para esta verdadeira máfia das multas.

O PCO defende o fim de toda a legislação repressiva do trânsito. No seu lugar estabelecer uma política educativa, desde os bancos escolares e com mecanismos de controle de velocidade que garantam a segurança da população e de acordo com a vontade da comunidade e a melhoria do sistema de trânsito: lombadas, valetas, sinais luminosos e todo tipo de sinalização, apoiadas em uma ampla campanha educativa que estimule o respeito ao cidadão motorista e pedestre a partir da própria eliminação do caráter repressor do Estado contra a maioria da população.

O trânsito deve ser organizado tendo como eixos 1) a agilização do transporte coletivo –– meio da maioria da população com a construção de vias expressas, corredores exclusivos para ônibus e ciclistas, etc. e 2) a segurança da maioria da população, principalmente, através de meios educativos e de prevenção.

 

Antonio Carlos Silva é candidato a prefeito pelo PCO.

 

5. Quem planta colhe (José Rubens Almeida Leme Filho)

Carta publicada em 4/10/2004 no Jornal de Piracicaba. É bom esclarecer que ela não foi escrita com o objetivo de divertir-se com a derrota do nosso maior adversário, mas sim de pressionar os dois candidatos que, por ocasião dessa publicação, disputavam o segundo turno aqui em Piracicaba para que se comprometam a abolir o aviltante regime ultra-repressivo. Os exemplos de Humberto e Machado, eliminados cada um a seu tempo, ambos no primeiro turno das eleições nas quais cada um deles tentou a reeleição, servem como exemplo para que os políticos vejam o que acontece com os governantes prepotentes que passam por cima do bom senso e da vontade manifesta do povo, esquecendo que os homens do governo são empregados do povo porquanto somos nós que pagamos seus generosíssimos salários, e portanto não têm nenhum direito de tratar seus próprios patrões como escravos, como se tivéssemos alguma obrigação de aceitar passivamente qualquer barbaridade que nossos empregados governantes por conveniência financeira nos queiram impor "goela abaixo"! Atualmente, Barjas está plantando uma cultura cujo ciclo é de 4 anos, portanto, já que ele quer assim, colherá em 2008 o mesmo fruto que colheram Humberto em 2000 e Machado em 2004. Eis o que acontece com políticos prepotentes, já que o eleitorado piracicabano provou, em 3/10/2004, que não é besta:

 

 

Quem planta colhe

 

3 de outubro foi um dia de colheita. O prefeito que plantou radares não podia colher outra coisa além da eliminação já no primeiro turno. Já que optou por seguir os passos de seu antecessor, teve que segui-lo também neste aspecto. Nos últimos meses de 2000 e nos primeiros de 2001, uma enxurrada de cartas e artigos foi publicada no JP condenando o sistema tributário ultra-repressivo que atualmente rege nosso trânsito, demonstrando “por A + B” que ele é injusto. Não obstante, o atual prefeito, que tinha sido eleito por quem desejava mudanças, desprezou o bom senso e a vontade manifesta do povo, assumindo assim a posição de traiçoeiro inimigo dos piracicabanos e dos que visitam Piracicaba, de modo que sua reeleição colocaria em dúvida a inteligência de nosso povo. Por isso, Barjas e Roberto estão no segundo turno. Porém, se Roberto não parar de desviar do assunto, e se Barjas não explicar com bastante clareza o que ele quer dizer com “educação no trânsito”, em 31/10 haverá aqui em Piracicaba um número inédito de votos nulos, em protesto. Quem promete respeitar o desejo manifesto do povo, colhe vitória. Quem cumpre o que promete, colhe reeleição.

 

José Rubens Almeida Leme Filho

 

 PS: O número inédito de votos nulos que avisamos nesta carta que aconteceriam, aconteceram mesmo: nós, piracicabanos que anulamos o voto, preservando-nos portanto de toda e qualquer cumplicidade com a ultra-pecaminosa receita das multas, fomos mais de 11.000.

 

6. Tolerância Zero na BO (Av. Carlos Botelho) (Prof. Dr. Caetano Ripoli)

Carta publicada em 23/3/2006 no Jornal de Piracicaba, tão bem escrita que, com o objetivo de mostrar quão maliciosas são a prefeitura e sua “sócia” em arrumar desculpas para aumentar mais e mais sua rapinagem, dispensa comentários.

 

Tolerância Zero na BO

 

Com a rapidez de um paquiderme, finalmente anunciam-se medidas para o sério problema da Carlos Botelho (moro pertinho dela). A retórica do momento é colocar a GM, a PM e fiscais municipais em ações conjuntas e patrulhamentos preventivos. Bárbaro! O PSDB local precisa abrir “trocentas” discussões para se chegar ao óbvio. Se ficasse nisso e se não tivesse duração efêmera, modestamente, creio que a questão estaria bastante equacionada. O que espanta é ler que vão colocar também mais um radar, leia-se, meio mais fácil para aumentar a arrecadação da prefeitura e melhorar ainda mais os lucros da empresa exploradora deste “serviço” (SIC). Uai! Se não for papo de político, feito nuvem no céu, as “ações conjuntas” seriam suficientes. Mas não, achou-se mais uma brecha para empurrar “maquininha de faturar sem esforço”. A desculpa: eliminar os rachas nas madrugadas. Sim é um problema, mas não o maior deles! Pelo contrário, até a meia-noite, 1h, a questão é o grande engarrafamento que ocorre, com carros parando no meio da avenida, as algazarras, bebedeiras, drogas rolando soltas, agressões etc etc. Aposto que após um tempinho, as tais “ações conjuntas” ficarão para as calendas restando apenas a maquininha de faturar para a prefeitura e sua sócia-proprietária das ditas cujas. E daí nós, moradores da região, mais uma vez teremos sido usados e abusados. Pois é, para quem, durante a campanha, prometeu (e ganhou muitos votos pela promessa) não ampliar um mecanismo que servisse de “educação no trânsito”, o prefeito está caindo na vala comum. Lamentável, pois, para mim, ele era um “servidor público” diferenciado!

 

Prof. Dr. Caetano Ripoli

 

7. A indústria da multa (José Rubens Almeida Leme Filho)

Carta publicada em 24/3/2006 no Jornal de Piracicaba.

 

A indústria da multa

 

Há 6 anos, Mário Miotto fez alguns cálculos através dos quais ajudou o ilustre jornalista Nélson Bertolini a provar matemática e insofismavelmente que, em certos casos, nem mesmo a habilidade de pilotos de prova é suficiente para passar por um sinal fiscalizado sem ser multado. O sapientíssimo artigo foi publicado no JP em 31/12/2000 e, com autorização do autor, encontra-se no site do Movimento pela Paz e Justiça no Trânsito (www.mpjt.cjb.net). Seria um grave erro dizer que aumentando a duração da fase amarela, o problema estaria resolvido, primeiro porque os cálculos foram realizados levando-se em conta a mínima velocidade de 40 km/h, e o trânsito é sempre muito mais lento do que isso em várias horas do dia, determinando que os veículos levem bem mais tempo do que o calculado para atravessar; segundo porque os cálculos foram feitos considerando-se veículos de 5 metros, provando-se que quem dirige automóvel, se tem o hábito de passar por semáforos fiscalizados, mais cedo ou mais tarde deixará sua “generosa contribuição”. Imagine-se, isto posto, a magnitude dessa tenebrosa ameaça para os motoristas de caminhões e ônibus. Portanto, mantendo-se os radares semafóricos, a inexistência de multas injustas somente seria garantida se a fase amarela durasse alguns minutos, o que seria evidentemente inviável. Por esta e por várias outras razões (expostas detalhadamente no site acima indicado), a fiscalização em semáforos é inadmissível em todos os aspectos, sem nenhuma exceção. Quanto aos “rachas”, são crimes e não infrações, de acordo com o CTB (Art. 308), portanto deveriam ser coibidos com policiamento e não com radares. Ora, se o prefeito empenha-se em “cumprir” com mais e mais radares sua promessa de “menos multas” (JP, 14/9/2004) com a qual foi eleito, fica mais do que explícito que os “rachas” estão sendo aproveitados como pretexto para solapar ainda mais o dinheiro e a dignidade dos pobres inocentes que, acreditando na referida promessa, votaram em Barjas, erro gravíssimo que certamente não repetirão em 2008, pois cada multa aplicada é uma semente de indignação plantada no coração da vítima, semente esta que germina, cresce e produz um eleitor contrário ao regime ultra-repressivo. Humberto e Machado que o digam...

 

José Rubens Almeida Leme Filho

 

8. Abuso (Prof. Dr. Caetano Ripoli)

 

Artigo publicado em 18/04/2006 no Jornal de Piracicaba.

 

Abuso

 

A tal de Tolerância Zero na BO está virando, pelo menos para o servidor municipal (amarelinho) de número 14.454-7, uma festa! O cidadão voltando para casa (a 150 m da BO) depara, logo após a r. Dr. Alvim, com um comando. O sr. 14.454-7 indica para parar. Ato contínuo, para que ele observasse melhor quem estava no veículo, o farol baixo é apagado, ficando as lanternas acesas e o carro é estacionado. Minutos intermináveis se passam e nada do servidor se aproximar. O motorista vai até o servidor, com os documentos em mãos, pedindo atendimento e recebe aquele olhar de soberba.

A surpresa ocorre pela incontida rapidez com que a multa é lavrada, com base apenas na carteira de motorista. Sequer o servidor confere a documentação de veículo, numa óbvia demonstração de atitude inadequada e irregular por parte do servidor. E se fosse um carro roubado? Fica claro a arbitrariedade de comportamento e a incompetência. Assim, sem nenhuma justificativa e levianamente, lavra multa. Inicia-se uma argumentação que se transforma em discussão. O “anta” do motorista se exaspera com tanto abuso e falta de condição do servidor. A soberba do servidor deixa a vítima exaltada, sim! O funcionário público está lá para enxergar o que ocorre, para orientar se for o caso, e não para ficar lavrando multa a torto e a direito, a seu bel prazer e humor.

Cobra-se mais competência do servidor nas suas atribuições. O sr. 14.454-7 se sente ofendido e manda a Guarda Municipal deter o indignado motorista. Isso mesmo, insiste para que seja levado à delegacia por desacato à autoridade. “Virgem Maria!” Na mente do cidadão voltam as lembranças do tempo da “redentora”, quando era hábito vulgar “toridades” tripudiar sobre a livre expressão de indignação das pessoas. Mas não: o famoso “teje preso” ocorre, ainda que, excepcionalmente. Vendo que a situação estava se complicando um advogado é chamado e, enquanto isso, conversa-se com dois guardas civis intimados pelo funcionário público para efetuar a detenção. Estes, até um tanto constrangidos, agindo dentro de louvável postura, com educação, cortesia e respeito tentaram apaziguar este servidor e o cidadão. Todavia, o “amarelinho” queria porque queria a detenção.

Daí chega o advogado e já foi tratado com desrespeito (tirei-o da cama e não estava engravatado...) pelo “amarelinho” e, ao mesmo tempo, fazia ameaças veladas e acusava do motorista não ter lastro moral. Uau!!! Tomou uma sonora enquadrada do causídico! Daí recolheu-se a sua posição dizendo que perdoaria o motorista, num gesto de grandeza. Quanta hipocrisia! “Perdoar-me de quê? Não me faça favor nenhum! Se tens certeza de sua retidão de comportamento, me mande pra delegacia”- disse-lhe o motorista. Resultado: o sr. 14.454-7 se afastou e o advogado, motorista e guardas civis se despediram cordialmente e não ocorreu a detenção. Um dos guardas civis sugeriu que se recorresse da infração. Ora, adianta? Com a mentalidade “caça níquel” a população sabe que é pura perda de tempo!

Senhor prefeito Barjas, este fato mostra como é difícil a relação cidadão-autoridade quando se coloca pessoas sem o preparo devido para este tipo de situação. Se é proposital, ou falta de opção, pior ainda.

Resumo da ópera: a Tolerância Zero na BO é mais uma piada de mau gosto. Se o objetivo fosse disciplinar e orientar, mesmo em casos aonde um carro vem com apenas as lanternas acesas (que não foi o ocorrido!) o bom senso sugere que o veículo fosse parado, vistoriado e o motorista orientado ou advertido. “Ah, não, tolerância zero é zero, mesmo!” alguém diria! Então se é ‘zero’ porque nesta campanha arrecadatória travestida de fiscalização, não se segue o CNT e, também, não se age sobre ciclistas que andam na contramão e sem os acessórios de segurança exigidos?

Senhor Prefeito Barjas, V.Sa. tem biografia pública respeitável, não a jogue no lixo por uns ”30 dinheiros”.

 

Dr. Caetano Ripoli é professor titular da ESALQ/USP

 

9. Semuttran (Ademir Carlos Beccari)

 

Com a autorização do autor, transcrevemos aqui uma excelente carta que foi publicada no Jornal de Piracicaba em 3/9/2006, a qual constitui uma bela amostra de como, passados 6 anos da implantação da famigerada indústria de multas em Piracicaba, nosso povo jamais conformou-se, ao contrário do que possa parecer, com a injustiça. Parabéns ao Ademir pela boa vontade em opor-se ao regime tributário ultra-repressivo que atualmente fiscaliza nosso trânsito!

 

Semuttran

 

Estou registrando aqui minha indignação pela incompetência desse órgão em instalar um radar meramente arrecadatório na av. Rio das Pedras, na subida entre o Piracicamirim, sentido Pompéia e Alvorada. Naquele local poderia ser colocada uma lombada pra redução de velocidade. No sentido inverso da mesma avenida, portanto na descida, sentido Centro, foi colocada a tal lombada. Isso merece explicações. Tem que retirar o radar imediatamente. O mesmo acontece na av. Pádua Dias, na altura da entrada para o Monte Alegre. Os motoristas, principalmente de outras cidades, chegam pela Rodovia Luiz de Queiroz, com velocidade permitida de 110 km/h. Defronte a ETE (Estação de Tratamento do Esgoto) passa para 80km/h. Nova redução para 60 km/h em frente ao DER (Departamento de Estradas de Rodagem) e chegado até o próximo radar exigindo velocidade reduzida a 40 km/h. Outra incompetência, pois naquele local não é travessia de pedestre, portanto, não justifica a instalação do radar. Nesse mesmo local, sentido inverso, a velocidade também é limitada a 40 km/h, o que não é respeitado por falta de fiscalização, não justificaria ali outro radar? É só colocar um redutor de velocidade próximo a rotatória. Caso isso não seja resolvido pela Semuttran irei convocar todos os motoristas que foram multados naquele local. Com a guia de multa faremos uma manifestação no gabinete do diretor pedindo o cancelamento dessas. Ainda assim, havendo resistência, iremos ao gabinete do secretário de Transporte ou até mesmo defronte à prefeitura, para que então o sr. prefeito tome conhecimento dos fatos e afaste esses funcionários pelos desserviços prestados ao povo que lhes pagam seus salários. Ter carro hoje em dia não é sinônimo de ostentação, mas uma grande necessidade, e por fazer muito uso monta-se a indústria de multa, aumentando em muito a arrecadação.

 

Ademir Carlos Beccari - Piracicaba

 

 

10. Mensagem às 56.291 vítimas (José Rubens Almeida Leme Filho)

 

Artigo publicado no Jornal de Piracicaba em 26/2/2008. Trata-se de considerações a respeito da notícia que pode ser vista clicando aqui, a qual é mencionada em nossa página “Eleições 2008...”.

 

Mensagem às 56.291 vítimas

 

No ano passado, a “Semurtan”, digo, Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes) conseguiu a “proeza” de multar 56.291 vítimas, o equivalente a 31% da frota de Piracicaba, considerando os dados publicados no JP em 10/2/2008, segundo os quais estima-se a existência de 181.100 veículos em Piracicaba, fato que exige séria reflexão, caso contrário estaremos aceitando passivamente qualquer coisa que os detentores do poder nos queiram empurrar “goela abaixo”, como costumam fazer. Criticar outras formas de corrupção, e engolir como “normal” a penalização de 31% dos condutores em apenas um ano equivale a “filtrar um mosquito e engolir um camelo”, como disse o Senhor Jesus Cristo (Mateus 23,24).

As multas de trânsito até poderiam ser aceitas como um mal necessário em casos extremos, como dizia Barjas Negri antes de ser prefeito, como “último recurso” (JP, 14/9/2004). A forma como vêm sendo aplicadas, ou melhor, como vêm sendo avidamente buscados os pretextos para aplicá-las, ao contrário, tem mostrado claramente para que serve: desde 1997 o número de multas, no Brasil inteiro de modo geral, só cresceu. Ao mesmo tempo, cresceu igualmente o número de acidentes, demonstrando irrefutavelmente que essa priorização da repressão tem servido exclusivamente para tirar o pão da mesa do pobre. E embora o aumento do número de acidentes concomitante ao de multas demonstre claramente a ineficácia da repressão, os interessados no dinheiro sujo das multas continuam insistindo em utilizar os acidentes como pretexto para mais e mais repressão!

Entramos, portanto, num círculo vicioso do qual só sairemos quando abrirmos nossos olhos e pararmos de aceitar passivamente toda e qualquer barbaridade que os detentores do poder nos queiram impor. Se algum político ganha uma eleição com determinada promessa, por exemplo, de menos multas, se a promessa não for cumprida (ou principalmente se for feito o oposto do prometido), é inadmissível que tenha alguma esperança de reeleição, pois isso equivaleria a autorizar os políticos a mentirem para nós, ou a admitir a existência de algo que o governo possa fazer e que seja suficiente para compensar a gravíssima ignomínia de ter mentido para a população. A coisa se torna ainda mais grave se determinado político, após ter sido eleito com base em promessa mentirosa, desperdiça o dinheiro público, por exemplo gastando milhões de reais só para deslocar rotatórias um pouquinho à direita ou à esquerda, com objetivo de colocar uma placa, fazendo-nos lembrar das campanhas de Paulo Maluf. Afinal, o que adianta ter rotatórias e pontes caríssimas (em detrimento de outras prioridades tais como saúde e educação) se, quando o cidadão transita pelas vias públicas, é tratado com uma tal hostilidade que chega ao extremo de penalizar mais de 31% dos condutores em apenas um ano? Não seria muito melhor transitar por vias pacíficas, ainda que estas fossem menos caras aos cofres públicos?

Infelizmente, necessitaríamos de muito espaço para demonstrar detalhadamente os motivos pelos quais as multas, da forma como são aplicadas atualmente, são certamente injustas em mais de 99% dos casos. Não abusaremos da boa vontade do JP, pois quem desejar a demonstração detalhada desses critérios pode encontrá-la em www.paznotransito.xpg.com.br. Ademais, as 56.291 vítimas certamente entendem por experiência própria que sofreram injustiças, pois as multas, injustas em sua imensa maioria pelas formas como são lavradas atualmente, têm a paradoxal propriedade de abrir os olhos de suas vítimas, livrando-as da ingenuidade que seria necessária para acreditar em mentiras segundo as quais as multas dependeriam essencialmente da conduta dos motoristas.

Para sairmos desse círculo vicioso que só presta para tirar o pão da mesa do pobre ao mesmo tempo em que o número de acidentes só aumenta, é sempre oportuno lembrar aos eleitores, e principalmente às 56.291 vítimas de 2007, e às dezenas de milhares de outras vítimas que pagaram multas injustas em outros anos, que quem vos multa não é vosso amigo, e o eleitor consciente não vota em inimigo. Para cada multa aplicada, o responsável pela repressão merece no mínimo um voto a menos, principalmente se alguma vez na vida houver prometido menos multas.

 

José Rubens Almeida Leme Filho

 

 

 

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