Nicola
Aslan
(da Academia Maçônica
de Letras)
Esta pergunta tem sido formulada
milhares e milhares de vezes e são raros os maçons que não tiveram de responder
à ela. Os não-iniciados a fazem reiteradas vezes e à queima roupa, os Maçons
vêem-se muitas vezes constrangidos em dar uma resposta, pois esta não é tão
simples como a pergunta e muitas vezes torna-se embaraçosa até mesmo para
antigos Maçons e mesmo para estudiosos.
E não têm faltado explicações eruditas e até mesmo sábias, geralmente
entusiásticas, nos livros dedicados ao estudo da Instituição Maçônica, mas
tão grande é o seu número, tão variados os aspectos definidos nestes
pronunciamentos, que tornam mesmo difícil uma definição concisa e satisfatória,
ao mesmo tempo, definindo a Maçonaria em seu conjunto.
Para alguns a Maçonaria é uma escola de deveres, de formação cívica e
moral; para outros, ela não é outra coisa senão uma ciência tendo por
objetivo a busca da verdade divina. Se estes vêem nela uma instituição orgânica
de moralidade, cujo fim é dispersar a ignorância, combater o vício e inspirar
amor à humanidade, aqueles à consideram como uma instituição filantrópica,
filosófica e progressista, tendo por base a existência de Deus e a
imortalidade da alma, por objeto o exercício da beneficência, o estudo da
moral universal, das ciências e das artes e também a prática de todas as
virtudes.
É quase impossível definir a Maçonaria de forma singela e precisa, que possa
a abranger em toda sua extensão. Devemos, portanto, recorrer a algumas dessas
definições:
Para Luiz Humberto Santos, a Maçonaria "é a ciência fundamental da
liberdade, é a própria civilização que modifica e se transforma como matéria
e não como os sóis que acabam consumindo-se por si mesmos através dos séculos,
á força de produzir luz e calor. Não é uma fórmula, mas um laboratório no
qual se analisa e estimula as obras dos homens, sem dogmatismos científicos e
sem verdades indiscutíveis!".
Por sua vez,
os rituais maçônicos ensinam que a Ordem Maçônica é uma associação
de homens livres, sábios e virtuosos, que se consideram irmãos entre si, e
cujo fim é viver em perfeita igualdade, intimamente ligados por laços de recíproca
estima, confiança e amizade, estimulando-se uns aos outros na prática das
virtudes. É um sistema de moral, velado por alegorias e ilustrado por símbolos.
A maçonaria é a ânsia da perfeição, a luta pela procura da verdade, seja
ela científica, moral ou religiosa. É a instituição que prega o amparo aos
desvalidos, a liberdade, a igualdade e a fraternidade, sendo a Maçonaria
fundada sobre bases sólidas como o respeito à lei, ao amor e á virtude.
Ela não é uma política, nem uma religião, nem uma filosofia, no sentido
particularizado de todas estas coisas. Ela é tudo isso, entretanto, ao mesmo
tempo política sem partido, religião sem dogma, filosofia sem conclusões
obrigatórias. Ela é tudo que reúne o anseio humano de perfeição, tudo que dá
asas ao intelecto e liberta da escravidão das seitas, tudo o que é luz posta
ao caminho da vida para a peregrinação interminável porque justamente busca a
perfectibilização inatingível. Para ser tudo isso, se resume em servidão da
sabedoria. Tem por objetivos desfazer nos homens os preconceitos da casta, as
convencionais distinções de cor, origem, opinião e nacionalidade, aniquilar o
fanatismo e a superstição, extirpar os ódios de raça e com eles, o açoite
da guerra. Ela representa o ideal a ser alcançado por cada Maçom, permitindo
que cada um de seus membros passe primeiro por todas as experiências que a vida
em sociedade impõe, para finalmente enveredar pela senda que leva à evolução
espiritual, objetivo almejado por todos espíritos elevados.
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