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Principezinho de Saint-Exupery |
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Comentário do segundo capítulo |
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É natural que muita gente ache o segundo capítulo do principezinho (e provavelmente todo o livro) ridículo... Que estaria a fazer um miúdo no deserto, a milhas de distância de qualquer povoação, a pedir a um piloto que lhe desenha-se uma ovelha?? Não entremos por aí... O principezinho é um daqueles livros que o senso comum nem sabe caracterizar, não passando de um conto infantil sem qualquer lógica... Analisando um bom bocado para além desse pensamento medíocre, e falando mais propriamente no carácter simbólico do capítulo II do livro, penso que o que se pretende evidenciar é a persistência e capacidade de imaginação do principezinho, bem como o modo como acredita nas suas ideias, tornando-as reais. A verdade é que ele foi o único que até então conseguiu perceber o desenho da jibóia e do elefante do autor, que nenhum adulto conseguira perceber antes. As crianças têm muito mais verdade e capacidade de imaginação que os adultos, que muitas das vezes não percebem isso. O autor desenhou várias ovelhas aparentemente iguais e sem qualquer importância para ele (a não ser a curiosidade na atitude do principezinho) que por sua vez encontrou características diferentes em todas elas: uma mais velha, outra doente, e outra que nem era uma ovelha mas sim um carneiro! As crianças tornam real aquilo em que acreditam. Ao acreditarem em algo, tudo é possível e tudo vale no jogo do “faz-de-conta.” Saint-Exupery, já cansado de tanta ovelha e querendo “despachar” no bom sentido o principezinho, desenha-lhe uma caixa dizendo que se encontrava lá dentro a ovelha que ele queria. Ele não contava era que o principezinho torna-se quase real essa ovelha imaginária em que o próprio desenhador não acreditava. As crianças e os adultos não têm o mesmo tipo de relação com a realidade... Os adultos vivem e actuam fazendo por vezes coisas em que eles próprios não acreditam. Por exemplo, há pessoas que jogam o totoloto não acreditando que alguma vez lhe calhará o prémio só para terem a consciência tranquila quando pensarem que tentaram tudo para ser ricos e felizes e que não têm sorte nenhuma. Já a criança, mesmo sabendo que é só sua imaginação, torna a sua fantasia real porque acredita nela e é feliz com ela. E quem, para além de nós próprios, tem de acreditar?
Diana Giestas (15 anos) |
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