| |
 |
| É certo que o homem se descobre na sua relação com
a Natureza, desvendando, pela sua criatividade , potencialidades da
Natureza que permitem alargar constantemente o horizonte da cultura.
No entanto não podemos deixar de notar que esta exploração da Natureza
pelo homem deixa marcas indeléveis de destruição.
A poluição, primeiro fenómeno verdadeiramente global,
pois atinge todos os pontos do Planeta e até a sua orla exterior (que
está juncada de lixo espacial), mancha de negro a paisagem e semeia a
morte em todos os habitats da terra. Pelo que é legítimo exigir que o
homem incorpore na sua relação com a Natureza uma preocupação
fundamental com a preservação do património natural e a sua
valorização.
|
|
A acção do homem sobre a Natureza
“Em virtude da sua vinculação ao mundo pela corporalidade e da sua
diferença em relação ao mundo mediante a consciência‑liberdade, o homem
está chamado a exercer uma função exclusivamente sua a respeito do mundo:
a transformação da natureza. A presença do homem no mundo representa,
pois, uma activação das possibilidades escondidas da natureza, que leva a
resultados que a natureza, por si só, não podia conseguir. Às ilimitadas
potencialidades objectivas da natureza corresponde a ilimitada
potencialidade projectiva do homem. E vice‑versa: à possibilidade
ilimitada de criar o novo, própria do homem, corresponde a possibilidade
ilimitada da natureza de ser transformada.
A função do homem a respeito do mundo apresenta‑se polifacetada. Um dos
seus aspectos mais evidentes é o de transformar as coisas do mundo pelo
trabalho, isto é, por meio da produção dos bens de que o homem
necessita para a sua própria sobrevivência. Mas deve sobretudo notar‑se
que a função do homem em relação ao mundo não se pode reduzir à
produtividade mediante o trabalho. O homem é curioso em saber
como é o mundo, em conhecer o enigma do mundo; simplesmente em conhecê‑lo
por o conhecer. Deste desejo de saber brotaram e continuam a brotar as
grandes descobertas que assinalam as etapas do progresso humano. Ao
procurar conhecer como é o mundo, o homem busca também e sobretudo
conhecer‑se a si próprio: progredindo no conhecimento do mundo, desenvolve
as suas próprias capacidades de conhecer e actuar, e assim progride no
conhecimento dele mesmo. Quanto mais senhor da natureza o homem se toma,
tanto mais relevante se faz o porquê último da sua actividade e da sua
existência no mundo; isto é, quanto mais o homem emerge sobre a natureza
tanto mais se encontra a si mesmo perante a questão última: o porquê
último do mundo e da relação "homem‑mundo", o porquê derradeiro do próprio
homem.
Finalmente, não podem esquecer‑se outros aspectos fundamentais da função
do homem relativamente ao mundo, diferentes do trabalho e mais criativos:
a arte em todas as suas formas, a linguagem, a cultura,
etc. São actividades em que o homem exprime a sua interioridade, fazendo
da natureza mero instrumento expressivo da sua subjectividade, estas
actividades provêm, sim, de uma necessidade do homem, mas de uma
necessidade diversa das biológicas: da necessidade que o homem sente de
expressar‑se a si próprio criando uma beleza irredutível à da natureza,
uma linguagem de que a natureza carece, uma cultura feita à medida do
homem. Tudo isto quer dizer que o resultado principal da acção do homem
sobre o mundo é o progresso do homem enquanto homem, precisamente no que é
específico do homem e o diferencia da natureza. O homem é capaz de mudar a
sua própria relação com a natureza; crescendo no domínio dela, muda‑se a
si mesmo.”
J. ALFARO
 |
|