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Ficha Extra 1 |
FILOSOFIA - 10º
ANO O senso comum: as evidências do quotidiano |
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As três convicções básicas da consciência natural “Primeira convicção: O mundo em que vivemos e os seus processos são independentes de nós e do conhecimento que deles temos. Os astros e as galáxias existiam milhões de anos antes do aparecimento do homem sobre a terra e continuarão a existir mesmo quando já não existir qualquer vestígio da raça humana. Céu, mar, montanhas, planícies, seres animados e inanimados da natureza existiriam mesmo que eu existisse e não os pensasse. A arte humana enche a terra de objectos: mas mesmo estes objectos artificiais (cidades, instrumentos, etc.), uma vez produzidos pelo homem, existem independentemente da consciência que o homem deles tem. Esta convicção ‑ a convicção, portanto, de que as coisas (a realidade, o ser) são independentes da consciência que dele temos ‑ existe em nós, ainda que possa acontecer que não sejamos capazes de a exprimir. Segunda convicção: O mundo em que vivemos é exterior à nossa mente. Ou seja, estamos convencidos de que os sonhos, as ilusões, as fantasias e os raciocínios só existem se existir uma mente que sonha, que se ilude, que imagina, que raciocina: estes eventos existem apenas no interior da mente. Inversamente, a propósito das coisas “reais”, nós estamos convencidos de que elas existem ‑ ao contrário do primeiro tipo de eventos ‑ no exterior da nossa mente. O sonho encontra‑se na nossa mente, o monte Branco e a casa onde habitamos são exteriores à nossa mente, estão “fora”dela. Em geral exteriores à mente, são sobretudo, embora não exclusivamente, as coisas físicas e corpóreas da natureza. Essa convicção é a convicção de que as coisas independentes da nossa mente são também exteriores a ela. Terceira convicção: Quando reflectimos acerca do mundo, aquilo que conseguimos saber pertence efectivamente ao mundo acerca do qual reflectimos. Estamos portanto convencidos de que, com toda a certeza, não explicamos tudo com os nossos conhecimentos e de que existem coisas infinitas que não conhecemos; mas estamos também persuadidos de que, quando conhecemos qualquer coisa, aquilo que conhecemos pertence efectivamente à coisa conhecida. Se nos encontramos diante de um edifício de três andares e dizemos: “Aqui está um edifício de três andares”, estamos convencidos de que os três andares pertencem efectivamente ao edifício que estamos a ver, ainda que não conheçamos e não venhamos nunca a conhecer o interior da casa. O mundo, pois, é independente e exterior à nossa mente, mas mostra‑se a ela, ou seja, é cognoscível em alguns dos seus traços, se bem que muito limitados. Essa convicção é a convicção de que a realidade, independentemente da mente e a ela exterior, é, no entanto, acessível ao nosso conhecimento. ‑ As três convicções acima referidas exprimem precisamente o sentido da afirmação da identidade imediata entre a verdade e a certeza. Qual é o conteúdo do conjunto de certezas em que consiste o nosso senso comum? É precisamente este mundo em que vivemos. E para o nosso senso comum, este é o verdadeiro mundo. Se perguntarmos, portanto, ao nosso senso comum: “De que é que estás fundamentalmente certo?”, a resposta é: “Estou certo deste mundo em que vivemos e que nos enche os olhos, os ouvidos e a mente, e que é o verdadeiro mundo.” O senso comum, portanto, responde dizendo que o conteúdo da sua certeza (ou seja, de certezas fundamentais em que se baseia) é precisamente a verdade. E se, uma vez mais, lhe perguntarmos (e ele responder ainda de acordo com a modalidade anterior): “ E o que é verdade?”, a resposta é: “A verdade é precisamente este mundo de que estou certo.” A verdade é, deste modo, idêntica ao conteúdo da certeza. O senso comum surpreende‑se quando a filosofia e a ciência se perguntam o que é verdade, porque para ele a verdade é a coisa mais fácil de se saber: é precisamente o conteúdo das suas certezas: e, portanto, considera inútil ocupar‑se da filosofia e da ciência”. E. Severino, A Filosofia Moderna, Ed. 70, Lisboa, pp. 16‑18
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| Actividades: |
1. Leia este texto, confrontando-o com o texto da ficha 3. 2. Acha possível pôr em causa estas convicções da consciência natural? Justifique a sua resposta. |
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