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Como estudar? |
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Em primeiro lugar, há que reconhecer que não existem receitas quanto ao estudo, em Filosofia, como em qualquer outra disciplina. Mas uma coisa é certa: sem método não se estuda. Por isso passar muitas horas a ler manuais ou a decorar apontamentos não é, propriamente, estudar. Quem estuda, antes de mais, procura alguma coisa, tem curiosidade, ou vontade, ou necessidade de encontrar, normalmente uma resposta para um problema. Se o problema é o teste que se vai realizar amanhã e se esse é o problema que te leva a estudar, Filosofia ou quase qualquer outra disciplina, então está tudo perdido. E digo está e não estará, porque tudo está perdido desde o princípio. Em primeiro lugar, eu como teu professor não te consegui motivar para que deixasses de pensar que em filosofia tens que estudar coisas chatas. Não consegui, enfim, fazer-te ter vontade de saber o que é a vida e tudo o que ela traz agarrado (a nós, pobres mortais, traz-nos agarrados pelo pescoço). Mas aqui tenho vontade de ser cínico: penso que, mesmo que a minha prestação tenha sido um tanto ou quanto apagada ou sensaborona, as iguarias (ai sim? vai ao dicionário) estavam lá nas aulas, mesmo à tua frente… Pois é, as nossas pernas só começam a caminhar quando nós, depois de sentirmos vontade ou necessidade de ir a algum lado, levamos o nosso sistema nervoso a injectá-las com impulsos eléctricos que as põe em movimento. Se essa vontade não surgir ficamos no mesmo sítio. Então, a responsabilidade por poder estar tudo perdido não é só minha, ou se calhar não é mesmo minha, mas de quem será? Voltando ao princípio: primeiro tens que sentir curiosidade, ou tens que ter necessidade, de descobrir respostas para um ou mais problemas, para depois poderes estudar, ou seja, procurar metodicamente uma resposta que seja, verdadeiramente, satisfatória. Não vou aqui levantar o problema, deveras recalcitrante (esta foi para te picar: vai lá), de saber se em filosofia há respostas satisfatórias, mas no estudo há: uma resposta é satisfatória quando nos satisfaz, como um prato de comida é saciante quando nos sacia (podes lá ir que este texto espera). De tudo isto podemos concluir que para estudares filosofia, tem que, primeiro, ver que problemas são abordados nas aulas e nas fichas que lhes servem de suporte. Depois, deves procurar, avidamente, se for o caso, respostas (essa treta de que em filosofia não há respostas é só uma treta para enganar os tolos…). E deves procurar, antes de mais, se esses problemas te dizem respeito. Caso contrário, não há estudo que se aguente. E isso faz-se reflectindo sobre a nossa vida (outra vez a vida), sobre o mundo em que vivemos, sobre as pessoas que conhecemos: será que este problema X, que pode ser mesmo tramado, tem a ver com a minha vida? Tem a ver com a minha rua ou a minha escola? Tem a ver com as pessoas que eu conheço? Há problemas nos quais topamos logo com coisas que nos dizem respeito: a morte, a toxicodependência, o suicídio, a alegria, o pensamento, a sexualidade, a existência de Deus (é lá! Acalma-te que não vamos entrar numa de religião e moral…), a arte, a linguagem (ai não? Então o que seria de nós se não falássemos ?), etc. Obviamente, outros problemas são mais subtis… Depois, temos que mobilizar todos os meios para encontrarmos a tal resposta satisfatória. E aí devemos consultar os materiais da disciplina, como o manual, este site, outros sites, enciclopédias, os apontamentos das aulas… e registar as nossas descobertas e as novas dúvidas que vão surgindo, porque são elas que servem de combustível à vontade de estudar. Isto só se consegue, como já disse, com método. A filosofia exige um estudo regular. Por isso, os apontamentos que tirares nas aulas são muito importantes, porque eles são um registo precioso dos temas e dos problemas que servirão de orientação ao teu estudo. Deves tirar os apontamentos que julgues necessários, sem nunca esquecer que mais importante do que os apontamentos é estares com atenção nas aulas, participando activamente nas actividades propostas e intervindo sempre que julgues pertinente. Por isso os apontamentos não devem desconcentrar-te da aula. Também é bom que te mentalizes de que não poderás registar tudo o que o professor diz. Assim, os apontamentos das aulas devem ser um registo de frases-chave, bem como dos esquemas que o professor for fazendo no quadro. Deves também registar as passagens mais importantes dos textos que estiverem a ser analisados. Só depois da aula é que os apontamentos se tornarão mais ricos em conteúdos: no mesmo dia da aula, ou no dia imediato, deves reservar algum tempo para poderes passar a limpo os apontamentos da última aula, procurando preencher as lacunas que os teus apontamentos tiverem. É importante que aprendas a estudar com outros colegas, para que possa haver uma partilha de apontamentos e materiais. Se tiveres um dossier em casa onde possas arquivar os materiais da disciplina, estas tarefas estarão muito facilitadas. Com os apontamentos clarificados e sistematizados, já não tens meros apontamentos, mas sínteses das aulas. A partir delas podes partir para o aprofundamento das matérias que estás a estudar. O manual é um bom ponto de partida, embora os manuais, por melhores que sejam, me pareçam demasiado pré-fabricados para se ajustarem a todas as exigências do teu estudo, mas são um bom ponto de partida, porque, antes de mais, fornecem um ponto de vista sobre o programa diferente do do teu professor. Não vejo que o meu ponto de vista seja algo a desvalorizar, mas para poderes aprender a ver as coisas do teu ponto de vista, convém ires experimentando outros pontos de vista para além do meu. Os dicionários de filosofia e as enciclopédias também são importantes. Neste site tens links para dicionários e enciclopédias, pelo que podes consultá-los sistematicamente, e de borla, o que não é nada mau… Como cedo te aperceberás, as aulas são sempre acompanhadas de fichas, com textos e questões. Ora, se entrares, digamos, no jogo, tens o teu trabalho um pouco facilitado, porque neste site irás encontrar correcções das fichas, que se forem cruzadas com os apontamentos das aulas, serão uma boa ajuda no teu estudo. Mas deves ter em conta que em filosofia a originalidade é muito importante, pelo que as respostas que eu for dando, não são respostas-padrão: é sempre possível responder mais e melhor. Devem servir-te de orientação. Mas tu é que tens que definir o teu rumo e caminhar em direcção aos objectivos que te for propondo. Até aqui tenho-me referido a coisas que podes fazer para que o teu estudo possa ser bem orientado. Mas há uma coisa que tem que ficar assente: nada disto é muito útil se tem grandes problemas na leitura e na expressão escrita. Na ficção e nos mitos, a personagens podem voar ou caminhar sobre as águas sem bóias, pranchas de surf, asas delta, ou outros instrumentos de auxílio. Em filosofia não podes interpretar textos ou expressar os teus raciocínios se tens problemas graves no domínio do Português. Se for esse o caso, é urgente que procures melhorar as tuas competências linguísticas, para poderes atingir os objectivos da nossa disciplina… Voltando ao método: a filosofia exige um estudo contínuo. Ou melhor: deves estar sempre a par do que está a ser dado. Por isso a forma como estás nas aulas é importantíssima: se estás constantemente a distrair-te com o teu colega do lado, o melhor é solucionares o problema. Deves também participar em todas as actividades que te forem propostas na aula: a leitura de um texto, a resposta a uma questão, etc. E deves colocar todas as dúvidas que te forem surgindo. Não deves sair da sala sem colocar as tuas dúvidas. Podes mesmo colocar dúvidas enquanto estudas, para isso basta clicares no meu e-mail (na página de entrada do site, clica em mail.). Podes também enriquecer as aulas com as tuas intervenções, se elas forem oportunas e consistentes. Há alunos que intervêm só para intervir, provocando muitas vezes momentos de paragem que podem ser prejudiciais ao desenvolvimento da aula, nesse caso mais vale esperar pela oportunidade certa para intervir. Isto a não ser, é claro, que tenhas uma dúvida, nesse caso a intervenção torna-se urgente, embora seja necessário esperar pela oportunidade certa para intervir. Por todas estas razões, não deves deixar o estudo para a véspera dos testes. Aí podes fazer apenas uma pequena revisão da matéria e deves, acima de tudo, descansar, distrair, descontrair, enfim, saborear a alegria do dever cumprido.
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