O Anel - Quanto vales tu?

Às vezes nos sentimos desvalorizados, desanimados, incapazes, como se não tivéssemos nada de bom a oferecer ao mundo. Mas a falha não está em nós, e sim nos avaliadores, nos críticos que vivem por aí sem saber, sem conhecer o valor das coisas.

Um jovem, sem levantar os olhos do chão e a tremer ligeiramente a voz, dirigiu-se ao velho e sábio Mestre:
Venho aqui, professor, porque me sinto tão desajeitado e parvo que já nem sei o que fazer. Toda a gente me diz que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo, um nabo, um idiota chapado... Como posso mudar? O que posso eu fazer para que me valorizem mais?
O professor, sem levantar o olhar, disse: Sinto muito, jovem, mas não te posso ajudar, estou demasiadamente ocupado com um problema meu muito importante. Desenrasca-te, que tenho mais que fazer.
Já o moço, cabisbaixo, ia a sair à porta da rua quando o velho e sábio mestre o chamou:
Olha, anda cá... Fazemos um contrato. Se tu me ajudares a resolver este meu importante problema com mais rapidez, talvez eu te possa ajudar depois.
C...claro, professor, gaguejou o jovem, a sentir-se mais desvalorizado e rebaixado que nunca e sem saber bem o que dizer.

 

O professor tirou um anel que usava no dedo anelar, deu-o ao rapaz e disse:
Vai até aos centros comerciais, aos cafés, pelas ruas, por onde quiseres... Mas tens de vender esse anel, pois eu tenho uma dívida por saldar e preciso de dinheiro urgente. Esforça-te por obter pelo anel o máximo, mas não aceites menos de cinqüenta Euros. Vai e volta com o dinheiro o mais rápido possível.
O jovem pegou no anel e partiu. Apesar de todos os esforços e rebuscados adjetivos que utilizava para valorizar a beleza do anel, a qualidade do material, a oportunidade única de tal aquisição, os potenciais compradores olhavam a “mercadoria” com algum interesse, mas, mal o jovem mencionava o preço, desatavam a rir e viravam costas.
Só um velho reformado que andava por ali a ver as montras, talvez porque não tinha nada mais para fazer e gostava de conversar, se deu ao trabalho de explicar que o anel, por ser usado e de metal dourado, mera imitação de ouro, estava longe de valer tanto dinheiro. Por dez Euros ainda sou capaz de ficar com o anel..., acrescentava o reformado. Mas o rapaz recusou. Cinqüenta Euros era o mínimo, tinha-lhe dito o professor.

 

Já anoitecia quando o desgraçado moço, abatido pelo fracasso, voltou à casa do Mestre para lhe devolver o anel. Pelo caminho, enquanto contava os miseráveis trocos que tinha nos bolsos, o moço (para além de atado era pelintra) ia pensando: Se eu tivesse os cinqüenta Euros, eu próprio ficava com o raio do anel... Livrava-me de mais esta vergonha de não ter conseguido desembaraçar-me da tarefa e recebia os sábios conselhos do professor...
Já em casa do Mestre, disse: Professor, sinto muito, mas desisto. O máximo que me ofereceram pelo anel foi dez Euros. Garantiram-me que era uma reles imitação de ouro e eu acho que não devo tentar enganar ninguém sobre o valor real do anel.
Disseste uma coisa muito importante, jovem, contestou sorridente o Mestre. Devemos saber primeiro o valor real do anel. Vai até ao joalheiro. Quem melhor para saber o valor exato do anel? Diz-lhe que queres vendê-lo e pergunta quanto ele te dá. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o vendas. Volta aqui com o meu anel.
O jovem foi até ao joalheiro. Este examinou o anel com uma lupa, pesou-o e disse: Diga ao seu professor, se ele quiser vender agora, que ofereço 250 Euros por este anel de ouro.
Surpreso e emocionado, o moço voltou para casa do professor com a boa notícia.

 

Então o professor, depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou, disse:
Tu és como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por um especialista no assunto. Pensavas que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor?
E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo e acrescentou:
Todos somos como esta jóia. Valiosos e únicos e andamos pelos mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.
 


O verdadeiro valor só é dado quando vindo de um especialista.

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