Apresento-vos os senhores Fantasma e Medo e respectivas fam�lias. Sabem quem s�o? S�o os meus companheiros, os meus h�spedes neste mundo que eu mesma criei. Est�o com m� cara, n�o acham? Pois �... eu explico: dei-lhes uma ordem de despejo porque, afinal, j� c� habitam h� tanto tempo, vivendo sempre � minha conta, alimentando-se da minha tristeza, bebendo das minhas l�grimas e vestindo-se com as cores da minha vida que eu achei que j� estava mais do que na hora de os mandar embora. N�o.. n�o os quero c� mais! Era s� o que mais me faltava, n�o?!

Ainda h� uns meses tentei que sa�ssem daqui quando eu trouxe para este meu canto uma Alma nova e linda. Cheguei mesmo a pensar que estes meus amiguinhos j� c� n�o estivessem porque, estando t�o ocupada com sentimentos nobres como o Amor, a Amizade, o Respeito, a Cumplicidade, nem me lembrei de os alimentar.

S� que estes senhores come�aram a viver � custa dessa Alma como parasitas, criando ra�zes, cultivando sementes e, afinal, quem acabou por se ir embora foi ela, agora cansada e desiludida, levando consigo os meus sentimentos mais nobres mas tamb�m uns quantos medos e outros tantos fantasmas.
E eu c� fiquei, com os meus parceiros de toda a vida, os senhores Fantasma e Medo e respectivas fam�lias.

Muito se t�m eles divertido � conta da minha revolta, � conta de terem conseguido que eu os continuasse a sustentar... mas... chega! N�o tenho mais paci�ncia para ser o seu meio de subsist�ncia. Nem paci�ncia e nem vontade, porque o que eles merecem mesmo � ir morrer longe j� que me roubaram tantos anos de vida, j� que me privaram de tantos mimos e sorrisos, j� que expulsaram daqui o Amor, a Amizade, o Respeito, a Cumplicidade.

Mais vale s� do que mal acompanhada. Por isso, queridos Fantasmas e queridos Medos... PORTA DA RUA � SERVENTIA DA CASA!


Patr�cia - 09 de Fevereiro de 2002
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