H� momentos na vida, depois de anos de luta sem tr�guas, em que simplesmente n�o vivemos... vegetamos. Deixamos de sonhar, deixamos de criar expectativas, de fazer projectos. Nada mais nos interessa e acordar torna-se um fardo muito pesado porque sabemos que ser� mais um dia, igual a tantos outros, um dia sem nada de bom, sem sorrisos, sem vontade de viver.

Mas, de repente, quando menos esperamos, aparece algu�m que nos cria ilus�es, que nos faz crer que nem todos os dias s�o maus, que nem todos os dias s�o iguais aos tantos outros que j� passaram. Aparece algu�m a quem, porque nos sentimos demasiadamente cansados,entregamos o nosso cora��o, a nossa alma, a nossa vida. Entregamos e confiamos cegamente que esse algu�m, que nos transmite a Paz por que  tanto esper�vamos mas a qual j� n�o acreditavamos sermos capazes de atingir, que esse algu�m tome conta de um cora��o cansado, de uma alma desiludida, de uma vida perdida.

Por momentos voltamos a sonhar e a fazer projectos; por momentos acreditamos que, afinal, sempre existem tr�guas nesta luta di�ria; por momentos o sol  volta a brilhar, aquecendo-nos este corpo exausto.

Por momentos, voltamos a sorrir com vontade, voltamos a sentir a energia outrora perdida, voltamos a querer um final feliz para uma vida que j� nem sabia que a Felicidade era alcan��vel.

Por momentos voltamos a amar, aos outros e a n�s pr�prios; por momentos queremos gritar ao Mundo que estamos em harmonia; por momentos queremos acreditar que tudo est� bem.

Mas assim como aparece de repente, esse algu�m desaparece, deixando marcas profundas porque o cora��o cansado, a alma desiludida e a vida perdida ficam sem rumo. Porque confi�mos que esse algu�m tomaria conta de n�s at� que f�ssemos capazes de o fazer sozinhos. Porque todos os  sonhos se transformam em meras ilus�es que n�o passam disso mesmo: de ilus�es...

E voltamos a vegetar, apesar da esperan�a secreta que esse algu�m queira de novo agarrar com as suas m�os, um dia cuidadosas, este corpo triste, sem vida, sem nada.

Mas n�o. Tamb�m essa esperan�a secreta acaba por se diluir em l�grimas, em dor, em sofrimento. Tamb�m essa esperan�a acaba por nos tornar mais fracos, mais desiludidos, mais cansados. E, como se n�o bastasse batermos novamente no fundo, como se n�o bastasse n�o sabermos como contrariar esse destino cruel, como se n�o bastasse a decep��o, a desilus�o, a m�goa que fica, esse algu�m que nos fez sonhar, esse algu�m que nos encaminhou para um rumo supostamente certo da vida, como se n�o bastasse tamb�m esse algu�m acaba por contribuir para uma tristeza maior.

Porque quando n�o conhecemos a Paz e a Felicidade, n�o sabemos a falta que nos fazem. Mas quando nos proporcionam esses momentos e no-los arrancam sem piedade, acabamos por cair mais fundo do que nos encontr�vamos quando algu�m nos apareceu de repente e se achou digno de tomar conta de um Cora��o que j� n�o batia, de uma Alma que j� n�o sonhava, de uma Vida que j� estava morta.

Como se n�o bastasse ficarmos novamente sem vontade de viver, ainda se sentem no direito de nos fazer sentir culpados por isso quando, afinal, demos tudo o que t�nhamos para dar e, acima de tudo, quando nos entreg�mos numa bandeja de ouro, confiando nesse algu�m que... nos ensinou a andar e
depois nos cortou as pernas.

N�o, n�o estou arrependida porque, agora que conhe�o o sabor da Paz e da Felicidade, sinto vontade de as saborear de novo. Mas, desta vez,  n�o vou confiar o meu cora��o, a minha alma e a minha vida a mais ningu�m porque o meu cora��o, a minha alma e a minha vida s� a mim me pertencem e ningu�m tem o direito de brincar com os sentimentos alheios somente porque sente uma necessidade vital de esconder que n�o tem cora��o, nem alma e nem vida...


Patr�cia - 20 de Fevereiro de 2002
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