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Dimensionada para discutir a relação perceptiva entre observador e objeto, a estrutura capsular organizada por fios de seda adere-se aos contornos definidos pelos limites individuais da visualidade. Conceituando o espaço plástico partir da ausência de elementos interfaciais visíveis, a artista elege a escuridão como célula mater do processo. Destituído de pontos de referência no espaço, o observador locomove-se e organiza-se a partir do objeto percebido. O amoldamento de corpos é virtual. Casulos, fios de seda agrupam-se como parte do mesmo Universo, iluminado por um único foco de luz negra. Nesse lugar, o direcionar-se a favor ou contra a estrutura define um percurso efetivado pela emancipação de ações. Caminhar, avançar, recuar é tudo o que podemos fazer diante de um mundo privado de noções de passado e futuro.

É a partir dessa ótica, do inusitado, silenciosamente dada pela negação de referências, que a artista Sandra Passos nos convida para partilhar desse "instante" em que os limites da ida e vinda certificam-nos da nossa cumplicidade com as ações desenvolvidas em relações de tempo e espaço.

Silvio Sulleiman

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