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PROVOCAÇÃO DOS SENTIDOS

Sandra Passos apresenta nessa mostra as relações que envolvem o Homem à ideia de "Ser", a comunhão com o meio circundante. Observa a natureza e por conseguinte, a Vida.

É a retomada corajosa de ir de encontro à dissocialização e desumanização da Arte. Realiza essa tarefa, associando, interpretando, criando "novos mundos" em constantes mutações, se apropria da folha, do metal, do "papier maché", da fibra sintética, para Construir. Há uma tônica no conjunto de suas obras: a Casa e o amoldamento do Corpo.

Num dos módulos, retangular, a artista apresenta vários núcleos, as lagartas no centro, a cor branca. Presente o remanejamento do novo material, o estilo denunciando o desenvolvimento da produção e da construção. Noutro, o casulo, se encontra suspenso e a sensação é de que a matéria é impelida para se dissolver na forma. O ato se repete, duas folhas naturais se fecham, salvaguardando embriões e a vontade do espectador é tocá-las de imediato. São meios de expressão, montagens, um método particular. Mais adiante novos habitat, a figuração se mescla com a forma (circunferência) que é também, um elemento reprodutivo que dá lugar a uma estrutura que vai se metamorfoseando. Sandra Passos, com clareza e apuro técnico, possui sensibilidade peculiar. A luz é mola mestra no fazer da artista, ela complementa com rigor, cada obra, com o propósito de transmitir a mensagem de toda organicidade, conscienciosamente aplicada. Nada é gratuito, o realizar da artista é poeticamente memorável, chamando o público ao senso crítico, convidando-o a ir ao encontro de um significado, não exclui a velocidade que consome o raciocínio e pensamento." No entanto, cada minuto se movia naquela haste / invisível e ativo: / ali também reinava o tempo." (Cecília Meireles).

Este procedimento se acirra na ambientação maior, vários vazados formam volumes, é a CASA e seus compartimentos numa constante que direciona o senso estético. Merecido o prêmio IBEU de melhor exposição de 1997, dado pela crítica e entregue no mês de julho de 1998. Sandra Passos atinge seu desejo e propósito e marca seu nome no Circuito das Artes.

 

Vicente de Pércia
Setembro de 1998
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