Uma Estrela a Mais                               Veja 29/03/2000
Nova categoria de hot�is e resorts luxuosos espalha-se pelo mundo

O George V, em Paris:
reforma para acrescentar
tecnologia ao luxo









As redes internacionais de hot�is e resorts de alto luxo acham que cinco estrelas � pouco. Para convencer turistas endinheirados de que as di�rias salgad�ssimas valem cada centavo, est�o adotando uma nova classifica��o mais estrelada para seus empreendimentos. Querem ser chamados agora de seis-estrelas � ou cinco-estrelas plus. A terminologia n�o tem nenhum car�ter oficial e funciona apenas como instrumento de marketing. Cerca de cinq�enta estabelecimentos ao redor do mundo j� concederam a si pr�prios a estrela extra. S�o locais extravagantes, que chegam a cobrar di�rias de v�rios milhares de d�lares em troca de uma incr�vel s�rie de comodidades. Os h�spedes se esbaldam em su�tes servidas por mordomos, tomam sol em praias artificiais e passeiam por corredores decorados com telas leg�timas de grandes mestres da pintura. A rede alem� Kempinski, que tem em seus planos a constru��o de um seis-estrelas no Brasil (veja quadro), � conhecida por ter o maior n�mero de castelos transformados em hot�is na Europa. Uma de suas j�ias � o deslumbrante Ciragan Palace, localizado em Istambul, na Turquia. O teto do sal�o de entrada do pr�dio, que j� serviu como sede do Imp�rio Otomano, � enfeitado com ouro. Nas doze su�tes mais luxuosas os h�spedes contam com servi�o de mordomo, secret�ria e limusine. As di�rias podem chegar a exagerados 7.500 d�lares.

A grande concorrente mundial da Kempinski � a cadeia Four Seasons. Ela foi a respons�vel pela recente reforma do George V, em Paris, que � considerado uma esp�cie de Titanic dos hot�is. A compara��o refere-se ao luxo, n�o ao naufr�gio. Em seus momentos mais gloriosos, o local hospedou estrelas do quilate da atriz Rita Hayworth e dos presidentes americanos Richard Nixon e Jimmy Carter. Nos �ltimos tempos, o George V andava meio ca�do, fruto de setenta anos praticamente sem reformas. O hotel foi fechado em 1997 e passou por um grande processo de recupera��o, que durou dois anos e custou 125 milh�es de d�lares. A opera��o manteve a fachada art d�co do pr�dio, mas reconstruiu todo o interior. Somente 5% do que l� havia foi mantido, especialmente obras de arte, como esculturas de bronze e pe�as de madeira, caso de uma imponente lareira trazida de um castelo franc�s do s�culo XVII. O George V reabriu suas portas recentemente. A di�ria mais barata, num apartamento de 45 metros quadrados, custa a bagatela de 550 d�lares.

A defini��o de seis-estrelas � bastante el�stica. Cabem nela desde os classudos e requintados hot�is europeus, caso do George V, como tamb�m os resorts exuberantes, com um p� na cafonice, que lembram vers�es da Disney Word. "A denomina��o � uma jogada de propaganda", desdenha Henry Maksoud, dono do Maksoud Plaza, um dos melhores cinco-estrelas de S�o Paulo. "Se eu quisesse, chamava meu hotel de sete-estrelas plus." Igualmente luxuosos, esses empreendimentos cinematogr�ficos apostam no exagero para cativar os turistas. O primeiro estabelecimento do tipo foi o The Palace, inaugurado em 1992 em Sun City, na �frica do Sul. Localizado numa �rea de 250.000 metros quadrados, possui um hall de entrada inspirado na Capela Sistina, do Vaticano, e mistura elefantes com pir�mides na decora��o. Sua piscina tem ondas, praia de areia e coqueiros em volta. Seus concorrentes espalham-se pelo mundo. O Atlantis, nas Bahamas, possui um aqu�rio gigante, com 13.000 peixes. O Bellagio, um dos mais luxuosos hot�is-cassinos de Las Vegas, erguido a um custo de 1,6 bilh�o de d�lares, apresenta outro tipo de atra��o: uma galeria de arte com telas de pintores de primeiro time, como Monet, Renoir e Picasso. A visita ao local � gr�tis para os h�spedes. Nada mais justo para quem j� est� pagando di�rias de at� 500 d�lares.

  Torres suntuosas em S�o Paulo
O projeto: 85 milh�es de d�lares
S�o Paulo poder� ser a primeira cidade brasileira a abrigar um hotel seis-estrelas. A rede alem� Kempinski, dona de hot�is de luxo em v�rios pa�ses, j� anunciou a inten��o de investir 85 milh�es de d�lares na constru��o de um mega-hotel a ser inaugurado em 2002. O local escolhido fica no encontro das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Juscelino Kubitschek, um ponto valorizado na Zona Sul da cidade. O pr�dio de 25 andares ter� 275 apartamentos e su�tes, com di�rias m�dias de 700 reais. � pouco mais do que atualmente se paga nos cinco-estrelas da cidade, como o tradicional Maksoud. "Cerca de 70% de nosso p�blico vai ser composto de executivos estrangeiros", diz Jos� Ernesto Marino, presidente da BSH Consultoria Hoteleira, que presta servi�os � cadeia alem�. No hotel paulistano, batizado de Kempinski Palace, a estrela a mais n�o vir� de cen�rios mirabolantes, mas dos servi�os. Isso significa restaurantes internacionais, heliponto, mordomos e limusines. "Num cinco-estrelas tradicional, somente os clientes de alguns andares recebem tratamento desse tipo", diz Marino. "A diferen�a de nossos hot�is � que eles oferecem essas regalias a todos os h�spedes."
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