| O Pa�s de Pedra Veja 08/12/1999 Livro fotogr�fico conta hist�ria e curiosidades sobre a forma��o do relevo brasileiro O Brasil � um dos pa�ses de paisagem mais diversificada do mundo. Espalhados por 8,5 milh�es de quil�metros quadrados, est�o montanhas com mais de 2 000 metros de altura, plan�cies que se estendem al�m da linha do horizonte, cavernas de at� 70 quil�metros de comprimento, cachoeiras que despencam de alturas equivalentes � da Torre Eiffel e in�meros c�nions, dunas, vales e escarpas. Nos �ltimos anos, esse cen�rio tem sido contemplado com uma s�rie de livros com edi��es luxuosas e fotos caprichadas, em que a preocupa��o principal � mostrar as belezas do pa�s para estrangeiros. Nesta semana, chega �s lojas um livro voltado para outro lado dessa paisagem. Monumentos Geol�gicos, de Ricardo Siqueira (200 p�ginas, 68 reais), trata da g�nese desse cen�rio. Em suas p�ginas, as fotos de tirar o f�lego v�m acompanhadas de informa��es geol�gicas escritas para o leigo. Durante a leitura, descobre-se, entre outras curiosidades, como se formam as cavernas (e as estalactites que as enfeitam), como surgiram as dunas que formam os Len��is Maranhenses ou como a montanha do P�o de A��car foi parar na Zona Sul do Rio de Janeiro. Len��is Maranhenses: dunas formadas por ventos no decorrer de 11 000 anos Siqueira tornou a geologia compreens�vel para enfermeiras, advogados e donas de casa gra�as a sua forma��o. Ge�logo graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele guardou o diploma no arm�rio h� dezesseis anos para abra�ar o fotojornalismo. A id�ia de fazer o livro s� veio em 1997, durante um passeio com amigos no Pico das Agulhas Negras, na divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais. "As pessoas percorrem trilhas, tomam banhos de cachoeira, desbravam cavernas, mas n�o fazem id�ia de como tudo foi parar ali", diz Siqueira. Com essa id�ia na cabe�a e um equipamento sofisticad�ssimo na m�o, Siqueira permaneceu 226 dias viajando. Percorreu 16.000 quil�metros de estradas, voou outros 8.000, visitou setenta cachoeiras e 53 cavernas. Subiu a 2.580 metros no Parque Nacional de Itatiaia, e desceu 181 metros abaixo da superf�cie na Mina da Passagem, em Ouro Preto. Fez 2.500 fotografias que revelam novos �ngulos de monumentos manjados, como o P�o de A��car, no Rio de Janeiro, ou descortinam cen�rios pouco conhecidos dos brasileiros, como a Forma��o de Nhamund�, um complexo de cachoeiras e cavernas em plena bacia amaz�nica, a 100 quil�metros de Manaus. Gruta do Maquin�: ilumina��o artificial e infra-estrutura para turista Recantos inacess�veis � Cada camada de solo traz, em sua composi��o, em seu tamanho e no formato de suas rochas, informa��es sobre a evolu��o daquele ambiente ao longo do tempo. Interpretando os sedimentos, os ge�logos descobrem se, em determinado lugar, fazia calor ou frio, ventava muito ou pouco, se as chuvas eram raras ou se a regi�o vivia sob enxurradas. A areia encontrada no solo da Chapada Diamantina, um enorme planalto maior do que a Holanda no centro da Bahia, mostra que a regi�o era um mar coberto por icebergs muito antes da separa��o da Am�rica do Sul da �frica. As Cataratas do Igua�u come�aram a surgir h� 120 milh�es de anos por uma s�rie de erup��es vulc�nicas. A lava seca virou um enorme bloco de rochas de basalto que se partiu, formando a queda abrupta que hoje tanto deslumbra os turistas. Em processo de permanente muta��o, as cataratas est�o subindo o leito do rio. O impacto das �guas no solo escavam o ch�o fazendo desabar as paredes das cachoeiras. A regi�o da Chapada dos Veadeiros, a 240 quil�metros de Bras�lia, � uma das forma��es geol�gicas mais antigas do Brasil. L�, h� rochas formadas h� 1,6 bilh�o de anos. J� a hist�ria dos Len��is Maranhenses come�ou h� apenas 11 000 anos. Os rios da regi�o escavam o leito por onde passam carregando muita areia para o litoral. As correntes mar�timas espalham a areia pelas praias e os ventos fazem o resto. Chapada Diamantina: areia no solo mostra que a regi�o j� foi mar Chapada dos Veadeiros: regi�o antiga com rochas de 1,6 bilh�o de anos Uma das qualidades do livro � reservar espa�o tanto para recantos inacess�veis como para pontos tur�sticos dotados de boa infra-estrutura. Para fotografar a Gruta do Janel�o, na regi�o do Perua�u, norte de Minas Gerais, Siqueira percorreu 15 quil�metros de terra, pedregulhos e lama a bordo de um jipe at� uma velha fazenda. De l�, caminhou uma hora e meia at� a entrada da caverna e mais tr�s horas � luz de lanternas em seu interior. � um desafio que poucos turistas teriam disposi��o para encarar. J� para fazer as fotos da Gruta do Maquin�, tamb�m em Minas Gerais, n�o foi necess�rio grande esfor�o. A gruta tem ilumina��o artificial e infra-estrutura para os turistas. Infelizmente, o livro n�o traz informa��es objetivas sobre como visitar cada monumento. O melhor a fazer � se inspirar em suas fotos e descobrir a viabilidade da visita com as ag�ncias de viagem. |
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