O Mapa-M�ndi do Perigo             Veja 24/02/1999
Levantamento mostra como o banditismo, as guerras e o terrorismo tornam muito arriscadas as viagens a alguns pa�ses

Os americanos produziram um guia interessante, divulgado na semana passada pela revista Newsweek. Ele foi preparado pela ag�ncia de investiga��o e seguran�a Pinkerton e agrupa os pa�ses pelo risco que oferecem para quem os visitar a passeio ou a trabalho. A pesquisa classifica o mundo em quatro faixas. Numa ponta, a dos mais seguros, est�o os pr�prios Estados Unidos, toda a Europa ocidental, Jap�o, China e Argentina. � onde se concentra o grosso do turismo internacional. Na outra ponta est�o os pa�ses de risco extremo. Onze no total. S�o lugares envolvidos em longas guerra civis, como B�snia, Arg�lia, Sud�o e Angola � endere�os que poucas pessoas normais escolheriam para passar as f�rias ou a lua-de-mel. Em geral, s� se viaja para um lugar desses a servi�o. Listas como as da Pinkerton s�o de grande valia para os americanos, alvos preferenciais de atentados em pa�ses conflagrados ou em eterna tens�o. Para os brasileiros, a avalia��o serve para conferir a imagem do pa�s no exterior. Ao lado de outras trinta na��es, como M�xico, R�ssia, Peru e Indon�sia, o Brasil � tido como um destino de risco m�dio.

A an�lise da Pinkerton provocou uma rea��o irada do presidente da Embratur, Caio Luiz de Carvalho. "N�o somos um para�so, mas esse tipo de relat�rio � molecagem", acusou. Carvalho ficou especialmente irritado porque nos �ltimos tr�s anos a Embratur gastou mais de 2 milh�es de d�lares para modificar a m� impress�o do pa�s no exterior. Os cartazes oficiais com fotos de mulheres de biqu�ni, condenados por ser incentivadores do turismo sexual, foram substitu�dos por imagens da Amaz�nia e do Cristo Redentor, e um acordo publicit�rio fez a rede de televis�o CNN produzir uma s�rie de programas sobre as belezas brasileiras. O resultado foi que o n�mero de turistas estrangeiros aumentou 50% nos �ltimos dois anos. Em 1998, o pa�s recebeu 3,1 milh�es de visitantes, que deixaram por aqui 2,8 bilh�es de d�lares. Mas a imagem de pa�s violento continua � e � verdadeira. Basta conferir o n�mero de �bitos ocorridos durante os cinco dias de Carnaval nas duas maiores cidades brasileiras (99 em S�o Paulo e 103 no Rio de Janeiro). Na Austr�lia, s�o necess�rios doze meses para produzir estrago de igual porte.

Os especialistas da Pinkerton aconselham os turistas a tomar cuidado com ladr�es nas praias do Rio, alertam para o crescimento do crime com armas de fogo em S�o Paulo e s� erram ao incluir Bras�lia como uma cidade perigosa. Mesmo assim, o Brasil est� em melhor situa��o do que outros dezessete pa�ses identificados como de alto risco, dois deles destinos tur�sticos tradicionais, como Egito e �ndia. A divulga��o desse tipo de levantamento faz parte de uma justificada paran�ia americana. Mais poderosa na��o do planeta, os Estados Unidos s�o odiados em muitos pa�ses. Um indicador desse temor americano est� no sucesso de dois sites na internet que, como a Pinkerton, fazem relat�rios rotineiros sobre os riscos de viagem. A p�gina na rede do Departamento de Estado do governo americano recebe 150.000 visitas por dia. O site pago da Kroll Information Services, outra grande empresa do ramo de seguran�a, foi consultado por quase 3 milh�es de pessoas em quatro meses.
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