� Nossa Moda                                  Veja 26/07/2000
Criado na Fran�a, o espiritismo deu certo apenas no Brasil, onde a doutrina m�stica com pretens�es cient�ficas � culto da classe m�dia


                Uma sess�o esp�rita t�pica tem palestra e passes: "Uma religi�o letrada" 














M�rio Covas, governador do mais rico e populoso Estado do Brasil, � cat�lico, mas busca aconselhamento com os esp�ritos quando est� com problemas pessoais. O general Alberto Cardoso, ministrochefe do Gabinete de Seguran�a Institucional, homem poderoso na equipe do presidente da Rep�blica, criou o h�bito de incorporar esp�ritos e orientar com voz do al�m os desesperan�ados que o procuram. Herbert Steinberg, professor de p�s-gradua��o e dono de uma importante consultoria de empresas, nasceu judeu, virou cat�lico e agora re�ne a fam�lia pelo menos uma vez por semana para ler e discutir a B�blia sob a �tica do espiritismo. O m�dico Ronaldo Gazolla, secret�rio municipal de Sa�de do Rio de Janeiro h� nove anos, controla dezesseis hospitais, 110 postos de sa�de e 30 000 funcion�rios, mas n�o deixa de ir toda quarta-feira ao centro esp�rita que preside, onde ergue as m�os e canaliza energias positivas, num chamado passe, que acredita contribuir para a cura de enfermos da alma e do corpo.

O segundo ministro da Sa�de do governo de Fernando Henrique Cardoso, o cardiologista ga�cho Carlos C�sar de Albuquerque, v� e recebe esp�ritos. O autor das telenovelas de maior sucesso do pa�s, Benedito Ruy Barbosa, diz que seu pai o acompanha e orienta desde que morreu, quando ele tinha 12 anos, e, por isso, sempre d� um jeito de promover um reencontro de personagens mortos em seus enredos televisivos. Tande, campe�o ol�mpico, estava convicto de que integraria a sele��o brasileira muito antes de come�ar a jogar v�lei, por causa da mensagem recebida por seu pai, um militar m�dium vidente. A dona do rebolado mais admirado do pa�s, Scheila Carvalho, acredita que foi princesa em outra encarna��o e tem o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo � em sua cabeceira. O escritor brasileiro que mais vende livros � cerca de 30 milh�es de exemplares �, Chico Xavier, n�o escreve seus textos, psicografa.

Est� a� um retrato poss�vel da elite brasileira. Um retrato da elite, por sinal, poss�vel apenas no Brasil. Primeiro, porque em nenhum lugar do mundo h� tantos esp�ritas, a ponto de se poder fazer uma lista deles olhando apenas para o p�dio dos bem-sucedidos, famosos e poderosos. Segundo, porque s� aqui cat�licos, judeus ou protestantes atestam a comunica��o com os mortos e a reencarna��o sem se ruborizar e sem medo de ser expulsos de sua igreja, sinagoga ou templo. De acordo com a Federa��o Esp�rita Brasileira, s�o 8 milh�es de adeptos e 30 milh�es de simpatizantes. Pesquisas de opini�o p�blica indicam um n�mero menor: 3% da popula��o, ou 4,8 milh�es de pessoas. Mas essas s�o apenas as que se declaram esp�ritas ao p� da letra. N�o est�o inclu�dos a� todos os freq�entadores de centros, muito menos o total de simpatizantes.

Num pa�s onde at� o presidente da Rep�blica, declaradamente ateu, gosta de se descrever como um intelectual com pitadas de candombl�, � evidente o apelo das religi�es medi�nicas, mesmo quando h� um choque doutrin�rio com os cultos dominantes. Uma enquete feita pela Vox Populi h� quatro anos revelou que 59% dos brasileiros acreditam na exist�ncia de esp�ritos � conceito aceito apenas pelo kardecismo e pelas religi�es afro-brasileiras, como umbanda e candombl�. Na Fran�a, onde o espiritismo nasceu, pelas m�os do pedagogo Hippolyte L�on Denizard Rivail, vulgo Allan Kardec, a �nica associa��o de seus seguidores conta com pouco mais de 150 s�cios. "Aqui, como em toda a Europa, o espiritismo � desconhecido. N�o � considerado uma coisa s�ria", admite Jacques Peccatte, presidente do C�rculo Allan Kardec, instalado na cidade de Nancy. "A doutrina kardecista s� � desenvolvida de fato no Brasil."

Desenvolvida e adaptada �s condi��es locais por Chico Xavier, que tropicalizou os princ�pios doutrin�rios difundidos pelo franc�s no s�culo XIX, dando-lhes um apelo mais sentimental, humano, bem adaptado � alma nacional (veja quadro). Aqui, o espiritismo n�o apenas se estabeleceu como passou a fazer parte da cultura brasileira. Sem o estardalha�o nem os n�meros explosivos das igrejas evang�licas, o espiritismo est� sempre ampliando o contingente de adeptos, com uma caracter�stica peculiar: ele se difunde principalmente nas classes sociais mais altas. Cinco anos atr�s, havia 5.500 centros esp�ritas espalhados pelo pa�s (concentrados nas regi�es Sul e Sudeste). Hoje, s�o mais de 9.000. Nas salas de aula da Federa��o Esp�rita de S�o Paulo, 11.300 alunos sentam-se para aprender desde os fundamentos do kardecismo at� como ser m�dium ou como se tornar um expositor da doutrina. H� dez anos, eram menos de 6.000.

Outro term�metro da expans�o recente do espiritismo � a publica��o de livros relacionados com o assunto. A leitura � o mais importante recurso de evangeliza��o esp�rita. O motivo est� na pr�pria natureza dessa religi�o, cujos princ�pios, de acordo com os crentes, foram transmitidos por meio de in�meras "comunica��es" do al�m, transcritas pelos m�diuns. "Aprende-se o espiritismo lendo", afirma o presidente da federa��o paulista, Durval Ciamponi, autor de cinco livros - encontrar um expoente do espiritismo que n�o tenha escrito livros � t�o dif�cil quanto achar um pastor evang�lico que n�o cante. Pois h� cada vez mais gente interessada na literatura kardecista, uma barreira natural na sele��o de classe. "O espiritismo � uma religi�o letrada", afirma o soci�logo L�sias Nogueira Negr�o, presidente do Centro de Estudos da Religi�o Duglas Teixeira Monteiro. "Mais do que uma religi�o, o espiritismo se pretende uma ci�ncia, uma filosofia. Por isso, e por ter alta capacidade de persuas�o pela l�gica, atinge as classes sociais mais instru�das." Um estudo feito pela Funda��o Get�lio Vargas mostra que os esp�ritas pertencem, primordialmente, �s classes m�dia e alta. Sua renda familiar � 150% maior que a m�dia nacional (s� perde, entre as religi�es, para o juda�smo) e a escolaridade de seus adeptos tamb�m � a segunda no ranking � em m�dia, dez anos de estudos completos. Essa � uma caracter�stica da doutrina, desde sua chegada ao Brasil, na segunda metade do s�culo XIX, com a circula��o de livros em grupos restritos da elite nacional. Saber ler e ter condi��es de comprar livros era privil�gio mais exclusivo ainda do que hoje.

Meritocracia espiritual � Os primeiros advogados, militares, jornalistas, m�dicos convencidos pelos preceitos de Kardec ainda no s�culo XIX criaram uma tradi��o. A Cruzada dos Militares Esp�ritas, fundada em 1944, tem hoje 5.000 participantes, entre eles generais e coron�is. "O n�mero de militares esp�ritas saltou nos �ltimos seis anos, e as ades�es n�o param", diz o coronel Ruy Kremer, presidente da entidade, que orienta a a��o de 432 delegados organizadores de grupos de estudos em quart�is, navios ou em qualquer ponto em que haja um militar a servi�o. H� associa��es de m�dicos esp�ritas em 21 Estados. "Com o espiritismo, aprendi a reconhecer minha capacidade intuitiva, que me auxilia nos diagn�sticos, e descobri que tenho o dom da cura pelas m�os", afirma o oncologista mineiro Renato Nogueira, esp�rita h� tr�s anos.

A doutrina � ancorada na cren�a da reencarna��o e da comunica��o com "entidades espirituais desencarnadas", ou seja, pessoas que j� morreram. Os adeptos acreditam que os esp�ritos dos mortos voltam � Terra e se encarnam em novos seres humanos, no nascimento. Por tr�s disso est� a id�ia oriental do carma: volta-se � vida terrena para pagar pelos erros cometidos em encarna��es anteriores, num processo cont�nuo, at� zerar tudo, atingindo-se um estado de plena perfei��o moral. Com base nessas cren�as, a doutrina oferece explica��es para as eternas d�vidas humanas: de onde viemos, para onde vamos, qual o sentido da vida, por que somos atormentados por tantos padecimentos. A busca de respostas chega a n�veis radicais. No Livro dos Esp�ritos, que Allan Kardec dizia ter escrito depois de ouvir in�meras entidades, h� mais de 1.000 perguntas e respostas. Da� a aura de ci�ncia que o espiritismo sempre reivindicou.

"O espiritismo nasceu com uma linguagem adequada � ci�ncia da �poca. As id�ias eram bem sistematizadas e aplicavam � trajet�ria pessoal de cada um o evolucionismo, muito em voga", explica Jos� Luiz dos Santos, antrop�logo da Universidade de Campinas e autor do livro Espiritismo, uma Religi�o Brasileira. Ainda hoje a teoria funciona. O fato de estarmos na Terra para melhorar, ou seja, evoluir espiritualmente, e zerar a contabilidade de erros de encarna��es passadas explica ter ou n�o dinheiro, sofrer ou ser feliz, morrer jovem ou com idade avan�ada. A f�rmula para evoluir tamb�m � simples: fazer o bem. Assim, ajudar em obras assistenciais e ser caridoso s�o atividades imprescind�veis para um esp�rita.

"Foi s� no kardecismo que encontrei as respostas que procurava. A teoria toda faz sentido e me convence", afirma Herbert Steinberg, empres�rio e professor de gerenciamento estrat�gico em um curso de MBA. Antes de ler os primeiros livros com mensagens de Chico Xavier, Steinberg se desiludira com sua religi�o de fam�lia, o juda�smo, e com o catolicismo, ao qual se converteu num rompante juvenil. "N�o preciso de mais provas: o astral das pessoas e a sincronicidade de alguns acontecimentos j� s�o pistas suficientes para mim de que existe algo al�m da vida que enxergamos."

"Nova era" � O espiritismo oferece muitos esclarecimentos, tem poucos dogmas e nenhuma hierarquia. Na pr�tica, demonstra uma flexibilidade que vem ajudando em sua propaga��o. A moda do esoterismo e da curiosidade pelo sobrenatural, englobada sob a denomina��o gen�rica de fen�menos da "nova era", � capitalizada com entusiasmo. Os americanos Brian Weiss, autor de Muitas Vidas, Muitos Mestres (quase 2 milh�es de exemplares vendidos), e James van Praagh, autor de Conversando com os Esp�ritos (1,5 milh�o de exemplares), por exemplo, s�o recebidos como sumidades. D�o palestras em audit�rios, centros de conven��es e centros esp�ritas. Embora n�o sejam kardecistas, s�o citados como prova da veracidade e da universalidade da doutrina. O mesmo aconteceu com filmes como Ghost e O Sexto Sentido, com o famoso menino que v� "gente morta" � ou esp�ritos desencarnados. "Um dos segredos do crescimento do espiritismo � a incorpora��o de tudo o que diga respeito a esp�ritos. Seus praticantes pegam temas em voga, como terapia de vidas passadas ou fotografia da aura, e os analisam sob a vis�o do kardecismo. Com isso, v�o ganhando adeptos entre aqueles que gostam de estar na moda", afirma o antrop�logo Jos� Luiz dos Santos.

Embora professe fen�menos fant�sticos, como a possibilidade de viajar para outros mundos e falar com mortos, quem procura o kardecismo em busca de emo��es arrepiantes sai decepcionado. Uma sess�o esp�rita � como um "workshop". Em geral, come�a com uma palestra sobre um tema evang�lico, evolui para uma discuss�o amig�vel e termina com um "passe". O passe � uma transmiss�o de energia que, cr�em os adeptos, ajuda a resolver problemas f�sicos, psicol�gicos e espirituais. N�o � preciso incorporar esp�ritos para dar o passe, embora a energia venha deles. N�o h�, portanto, cenas empolgantes, nem ao menos muito curiosas, numa sess�o comum, daquelas que as pessoas freq�entam semanalmente.

As sess�es de cura espiritual ou de desobsess�o, mais instigantes, quase sempre s�o feitas em salas isoladas. A desobsess�o serve para afastar esp�ritos inc�modos. Um m�dium incorpora um esp�rito que tenta convencer o "esp�rito errante" a abandonar sua v�tima. Para a cura, al�m dos passes, existem as cirurgias espirituais, propaladamente feitas por esp�ritos de grandes m�dicos mortos. Mas depois de esc�ndalos como o de Rubens Faria J�nior, o mais recente incorporador do famoso doutor Fritz e acusado de charlatanismo, as cirurgias em que o corpo do paciente � aberto praticamente sumiram. Restaram apenas as curas por energia. V�rios centros agora oferecem tamb�m sess�es de cromoterapia, modismo esot�rico incorporado sem preconceito pelos kardecistas. Adaptar-se aos tempos, afinal, � um preceito doutrin�rio do espiritismo.

Ronaldo Gazolla
M�dico e secret�rio de Sa�de do Rio, ele recebe mensagens de esp�ritos: h� trinta anos era materialista convicto; hoje, preside um centro

General Cardoso
O ministro e m�dium faz parte de uma tradi��o nas For�as Armadas: a Cruzada dos Militares Esp�ritas foi fundada em 1944 e hoje abriga 5 000 adeptos

Tande
O campe�o ol�mpico de v�lei segue a religi�o desde crian�a: mensagem recebida pelo pai, militar e m�dium, j� antecipava o futuro como esportista

Carlos Albuquerque

O ex-ministro da Sa�de de FHC procurou ajuda para controlar a mediunidade: "Eu via os esp�ritos com meus pacientes"

No livro Nosso Lar, psicografado por Chico Xavier, � descrita a col�nia espiritual para onde v�o os esp�ritos dos brasileiros que morrem. Tem formato de estrela, localiza-se no c�u, mais ou menos sobre o Estado do Rio de Janeiro, e tem hospitais, escolas, governo com minist�rios e muita burocracia. L� os esp�ritos passam por um processo evolutivo e aguardam at� reencarnar mais uma vez.

Sofrimento

A dor, o sofrimento e as mazelas humanas s�o conseq��ncia de maldades cometidas em outras vidas. Nada fica impune. Quem morre sem reparar os erros praticados carrega a pend�ncia para a pr�xima encarna��o, na qual vai sofrer. Nessa perspectiva, n�o h� injusti�a.

Jesus Cristo

� o esp�rito mais evolu�do que j� viveu na Terra. Foi concebido fisicamente por Jos� e Maria para difundir ensinamentos espirituais. O que os cat�licos chamam de milagres s�o fen�menos f�sicos, naturais aos esp�ritos evolu�dos.

Comunica��o com o al�m

A forma mais conhecida � a psicografia. Os esp�ritos ditam mensagens aos m�diuns, que as escrevem automaticamente. Alguns dizem que apenas o bra�o � tomado; outros, que v�em legendas passando pela cabe�a.

Viagem astral

Pessoas sensitivas podem transportar-se para outros lugares sem levar o corpo consigo. Podem visitar lugares no espa�o onde vivem os esp�ritos ou viajar milhares de quil�metros na Terra mesmo para, por exemplo, impedir que algu�m se suicide.

Extraterrestres

A exist�ncia de vida em outros planetas faz parte da doutrina transmitida por Allan Kardec. Pode haver planetas habitados por seres encarnados em corpos, como na Terra, e tamb�m mundos em que vivem esp�ritos desencarnados.

Homossexualismo

Um esp�rito que n�o sabe viver dentro do sexo em que encarnou ter� de reencarnar tantas vezes quanto necess�rias para aprender. Segundo o presidente da Federa��o Esp�rita de S�o Paulo, Durval Ciamponi: "� uma distor��o comportamental de algu�m que teve muitas vidas passadas num determinado sexo e tem dificuldade em se adaptar a um corpo de outro sexo. Tem de corrigir".

Em 1848, as irm�s Margaret e Kate Fox come�aram a ouvir pancadas e ru�dos vindos do ch�o e das paredes de sua casa em Hydesville, no Estado de Nova York. Intrigadas, estabeleceram um c�digo com base no n�mero de batidas e receberam a informa��o de que quem produzia os barulhos era o esp�rito de um homem assassinado e enterrado debaixo da casa. O caso virou tema de debates e investiga��es infind�veis. As irm�s Fox percorreram v�rios pa�ses mostrando seu aparente poder de comunica��o com os esp�ritos. Na mesma �poca, na Europa, o fen�meno das mesas girantes virou uma divers�o da burguesia. Ao colocar as m�os sobre a mesa, ela se mexia. Devido � manifesta��o de esp�ritos, supunhase. Depois, desenvolveu-se um m�todo, com as letras do alfabeto, para receber "respostas" das tais entidades.

Os cultos esot�ricos pululavam num ambiente contradit�rio. O cientificismo era o pano de fundo do pensamento da �poca. O evolucionismo e o positivismo afloravam. Ao mesmo tempo, a paix�o pelo sobrenatural se propagava. Das col�nias orientais da Fran�a e Inglaterra chegavam conceitos como corpo astral, energia vital, reencarna��o e carma. Em 1875, a russa Helena Blavatsky fundou em Nova York a Sociedade Teos�fica, que misturava elementos do ocultismo com tradi��es indianas. O pedagogo franc�s Hippolyte Rivail � Allan Kardec, acreditava ele, era o nome que teve em outra encarna��o, como druida ou sacerdote celta � tentou unir os dois extremos: deu uma roupagem cient�fica a esse furor esot�rico e criou o espiritismo, em 1857.

Na Fran�a, a doutrina feneceu. No Brasil, onde o catolicismo dava destaque ao inexplic�vel e as culturas ind�gena e africana abriam caminho �s manifesta��es de esp�ritos, o kardecismo vicejou. "Aqui se valorizou o lado religioso de moraliza��o, com �nfase na caridade e no servi�o dos passes ditos terap�uticos", explica o soci�logo Ant�nio Fl�vio Pierucci, da USP. Ajudaram a difundir o espiritismo m�diuns famosos, como Jos� Arig�, que realizava cirurgias sob orienta��o do esp�rito do doutor Fritz, e principalmente Chico Xavier. Hoje um disc�pulo seu, Divaldo Pereira Franco, � o l�der mais popular. E justamente na Bahia dos orix�s. J� psicografou 500 esp�ritos e publicou 125 livros.

Anos depois de causar furor as irm�s Fox se desmentiram. Disseram que os esp�ritos eram inven��o delas. No Brasil, ningu�m ligou.
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