Secretos Del�rios                         Veja 06/10/1999
Arquivos da KGB revelam planos mirabolantes e a extens�o da paran�ia sovi�tica
 
Imagine-se, mesmo no auge da Guerra Fria, um filme de espionagem que mostrasse agentes secretos da Uni�o Sovi�tica planejando maquiavelicamente esmigalhar as pernas de um bailarino fugitivo do comunismo. Ou a explos�o de uma ponte, s� para atrapalhar a cerim�nia em que um ent�o jovem pr�ncipe Charles seria confirmado como herdeiro do trono ingl�s. O enredo seria certamente tachado de fantasioso. Pois a c�pula da espionagem russa gastou dinheiro e ocupou c�rebros com essas id�ias amalucadas, como revela o livro The Mitrokhin Archive: the KGB in Europe and the West (O Arquivo Mitrokhin: a KGB na Europa e no Ocidente), rec�m-publicado na Inglaterra. O bailarino era Rudolf Nureiev, que provocou a ira de Moscou ao pedir asilo � Fran�a em 1961, mas nem de longe significava uma amea�a ao Estado. O outro plano diab�lico pretendia causar p�nico no governo ingl�s, forjando um atentado a ser atribu�do a separatistas do Pa�s de Gales. Ressalve-se que nenhuma das duas conspira��es foi levada a cabo. Mas elas ilustram a mentalidade que norteava a espionagem russa. Dominada pela paran�ia e pela camisa-de-for�a ideol�gica, a KGB acabava produzindo tolices, apesar das fa�anhas legend�rias e da formid�vel rede de informa��es tecida por seus agentes.

Tudo isso � mais a infiltra��o da KGB na imprensa estrangeira, o roubo de tecnologia nuclear inglesa e americana, a obsess�o por esmagar os menores ind�cios de oposi��o � faz as 996 p�ginas do dossi� Mitrokhin deixarem no chinelo a mais mirabolante das fic��es. Vasili Mitrokhin trabalhou como arquivista da divis�o estrangeira da pol�cia pol�tica da Uni�o Sovi�tica a partir de 1972. Desiludido com o regime, durante doze anos anotou informa��es secretas, levando-as para casa em pap�is escondidos nas meias e nos bolsos. Em 1992, j� enterrada a Uni�o Sovi�tica, Mitrokhin deixou a R�ssia e ofereceu seus arquivos � Inglaterra. Tr�s anos depois, o material foi entregue ao historiador ingl�s Christopher Andrew, co-autor do livro.

Os relatos apresentam minuciosa descri��o dos m�todos da KGB. O objetivo, em �ltima an�lise, era erigir uma m�quina amea�adora contra tudo o que o imp�rio autorit�rio n�o podia controlar, dentro e fora de suas fronteiras. A engrenagem conquistou poderes incomensur�veis sob a tirania de Josef Stalin, entre os anos 20 e 50. O comunismo contava ent�o com uma categoria especial de colaboradores, os espi�es ideol�gicos, que entregavam segredos de seus pa�ses por simpatizar com o comunismo. Abastecido pela invej�vel rede, Stalin tornou-se o l�der mais bem informado do mundo, apesar de transformar dados reais em estapaf�rdias teorias conspirat�rias. A estrutura permitiu o acesso aos projetos da Inglaterra e dos Estados Unidos para a fabrica��o da bomba at�mica. Com fant�sticos disfarces, a ag�ncia plantou espi�es na sombra dos mais visados inimigos. Durante quatro anos, Lev Sedov, filho do principal desafeto de Stalin, Leon Trotski, assassinado em 1940, teve como assistente em Paris um agente de Moscou. Os amigos mais pr�ximos do escritor dissidente Alexander Soljenitsin na Su��a, nos anos 70, eram um casal a servi�o da KGB.

Futurologia certeira � A obsess�o por destruir a imagem dos inimigos n�o tinha limites. At� um dissidente preso, controlado e em ex�lio interno como o f�sico Andrei Sakharov foi v�tima de uma campanha de desmoraliza��o movida a hist�rias de sexo e crimes sobre sua mulher, Elena Bonner. Nos Estados Unidos, durante os anos 60, a KGB disseminou desconfian�as entre os partid�rios do l�der negro Martin Luther King, com boatos de que ele era um fantoche na m�o dos advers�rios � de birra, por n�o ter conseguido manipul�-lo a favor de seus interesses. As primeiras teorias conspirat�rias a respeito do envolvimento da CIA, o servi�o de espionagem americano, no assassinato do presidente John Kennedy foram obra dos sovi�ticos � e ainda hoje h� quem acredite nelas.

O poder da KGB subiu de tal forma � cabe�a dos superburocratas do Kremlin que eles chegaram a achar poss�vel cooptar pol�ticos como os futuros primeiros-ministros Willy Brandt, alem�o, e Harold Wilson, ingl�s. Eles eram l�deres de movimentos pol�ticos de esquerda, o trabalhismo na Inglaterra e a social-democracia na Alemanha, e supunha-se, absurdamente, que poderiam ter simpatias pelo totalitarismo sovi�tico. Um caso raro de futurologia certeira foi a observa��o dos agentes em servi�o na Pol�nia, que anteviram o papel do papa Jo�o Paulo II na derrocada do comunismo. O �nico problema � que ca�ram em si tarde demais. Karol Wojtyla j� era cardeal. Persegui-lo resultaria em cat�strofe diplom�tica. Al�m disso, os tempos j� eram outros. At� os espi�es estavam fugindo e o comunismo ca�a de podre.

A sede da KGB nos
tempos do comunismo
  Acontece
Passagens do Cotidiano
Fatos, contos e cr�nicas da rotina di�ria
.
.
A pousada na reserva florestal de Campos do Jord�o
N�o existe oferta melhor na est�ncia mais alta do Brasil! Conforto e sossego a apenas 4,5 km do centro!
Venha desfrutar de um ver�o refrescante, onde as temperaturas jamais excedem a 23 graus!
Fa�a um tour fotogr�fico pela pousada clicando aqui
P�gina Inicial
Hosted by www.Geocities.ws

1