Na Onda do Reich Veja 31/01/2001 Novos documentos revelam a t�tica nazista para conquistar a opini�o p�blica brasileira Congresso da Juventude Hitlerista, no Rio: ades�o ao nazismo
Corria o ano de 1941 e a II Guerra Mundial devastava a Europa. Na Cinel�ndia, no centro do Rio de Janeiro, havia um cinema, o Cine-Teatro Broadway, especializado em s� apresentar filmes alem�es. Nas ondas do r�dio, em todo o Brasil, quinze emissoras transmitiam informes da guerra que favoreciam apenas a a��o do III Reich. Dois jornais cariocas, a Gazeta de Not�cias e o Meio-Dia, tamb�m publicavam not�cias simp�ticas � Alemanha. Como o Brasil de Get�lio Vargas ainda n�o se havia decidido por entrar na guerra � e tampouco era poss�vel afirmar de que lado ele ficaria �, o III Reich tratou de montar aqui uma rede de comunica��es cujo objetivo era conquistar a opini�o p�blica brasileira em favor da campanha alem� no conflito. Tal estrat�gia nunca foi secreta, mas agora h� novas informa��es que permitem entend�-la melhor. Como noticiou o jornal O Globo, na semana passada, o historiador Francisco Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), teve acesso a documentos in�ditos no Arquivo Federal da Alemanha que revelam como o III Reich estabeleceu por aqui sua extensa rede de comunica��es no in�cio dos anos 40.
Em toda a Am�rica do Sul, o III Reich, por meio das embaixadas alem�s, controlava, al�m de jornais e cinemas, quarenta emissoras de r�dio. Os programas transmitidos no Brasil eram produzidos na Alemanha, em portugu�s, e obedeciam ao que os alem�es achavam ser o gosto dos ouvintes locais. Num dos documentos encontrados por Teixeira, os agentes alem�es tachavam os sul-americanos de "povos de vida leviana", cujo comportamento era determinado "pela fome de sensa��o, pelo prazer em formula��es rebuscadas, express�es humor�sticas e espirituosas". E conclu�am: "Para a radiodifus�o, isso significa a exig�ncia de um ritmo r�pido nas locu��es e de uma varia��o maior das vozes. O senso musical dos sul-americanos exige ainda um tom musical na fala". O objetivo final do III Reich com todas essas normas era "reprimir informa��es difamadoras inimigas" e garantir a pr�pria propaganda ativa.
Tudo isso s� foi poss�vel porque, no in�cio dos anos 40, havia no governo Vargas diversos simpatizantes do nazismo e do fascismo. Especialmente no Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), encarregado de todo tipo de censura, mas que fazia vista grossa � propaganda nazista. Todo esse investimento do III Reich no Brasil n�o representava uma inten��o de estabelecer aqui um Estado-sat�lite nazista � at� porque a mesti�agem do povo brasileiro constitu�a um obst�culo para isso. O interesse alem�o era, na verdade, comercial. A Alemanha pretendia continuar vendendo armas e maquin�rio ao Brasil e seguir importando daqui mat�rias-primas, como algod�o, borracha e min�rios. "O III Reich queria que o Brasil permanecesse um Estado independente, neutro e aut�nomo durante a guerra. Para isso, tentou influenciar a opini�o p�blica para criar um ambiente favor�vel aos alem�es", diz o historiador Francisco Teixeira.
Durante algum tempo, a iniciativa obteve resultados positivos, j� que a col�nia germ�nica no Brasil, na �poca, contabilizava cerca de 1 milh�o de pessoas. Chegou-se a criar a Juventude Hitlerista, com rapazes e mo�as fardados que se reuniam em sal�es decorados por su�sticas. "Eram muitos no Brasil os simpatizantes dos partidos nazista e fascista, mesmo fora das comunidades alem� e italiana", diz a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, da Universidade de S�o Paulo (USP). S� em 1942, quando o Brasil rompeu rela��es diplom�ticas com a Alemanha e declarou guerra aos pa�ses do Eixo (Alemanha, It�lia e Jap�o), � que a bem estruturada rede de comunica��es alem� em territ�rio brasileiro come�ou a ruir. |