Hitler e a Ordem Fatal                          Veja 04/02/1998

As dimens�es do crime s�o irretorqu�veis: cerca de 6 milh�es de judeus foram mortos pelos nazistas durante a II Guerra Mundial. O enigma a desafiar os historiadores � como documentar que Adolf Hitler ordenou a solu��o final, o nome dado pela Alemanha nazista � aniquila��o sistem�tica dos judeus europeus. Apesar de meio s�culo de pesquisas, n�o tinha sido encontrado um s� documento escrito registrando que o l�der nazista ordenou o genoc�dio. Sem esse crucial peda�o de papel, permitiu-se uma brecha para os chamados revisionistas, historiadores neonazistas, como o ingl�s David Irving, que tentam amenizar a responsabilidade do f�hrer. A vers�o mais aceita � a de que o maior genoc�dio da Hist�ria foi planejado numa reuni�o da c�pula nazista em Wannsee, perto de Berlim, em 20 de janeiro de 1942. No m�s passado, 56 anos depois, um pesquisador alem�o, Christian Gerlach, surgiu com uma anota��o capaz de finalmente conectar a decis�o diretamente a Hitler.

Trata-se de uma anota��o pessoal do chefe da SS, Heinrich Himmler, encontrada nos arquivos da antiga KGB, em Moscou. Em 18 de dezembro de 1941, ao sair de uma reuni�o com Hitler, Himmler registrou ter conversado sobre "a quest�o dos judeus  para ser exterminados como os partisans" (a refer�ncia � � resist�ncia armada aos alem�es). A anota��o, diz Gerlach, ajuda a determinar o dia exato da ordem de Hitler. Seis dias antes, o ditador j� havia reunido cinq�enta governadores das prov�ncias alem�s, cobrando-lhes o compromisso nazista de fazer "os judeus enfrentarem as conseq��ncias". A ordem foi anotada pelo chefe da propaganda nazista, Joseph Goebbels  cujo esconderijo subterr�neo foi descoberto exatamente no terreno onde ser� constru�do o Memorial do Holocausto, no centro de Berlim, na semana passada. A tese de Gerlach � de que a decis�o de aniquilar os judeus foi precipitada, em parte, pela entrada dos Estados Unidos no conflito, em 1941.

As Cinzas de Hitler                             Veja 02/02/2000
Teria a KGB queimado os restos mortais do ditador nazista?

A hist�ria da II Guerra tem um ponto que ainda intriga os estudiosos: o que teria acontecido exatamente com os restos mortais de Adolf Hitler? Sabe-se que o ditador alem�o, encerrado em um bunker nos �ltimos dias do conflito, morreu para n�o assistir � derrota de seus ex�rcitos. Tamb�m � tido como certo que, logo depois da rendi��o da Alemanha, em 1945, soldados sovi�ticos desenterraram o corpo de Hitler e o de sua amante, Eva Braun. Um exame teria constatado que veneno, e n�o tiros, causara a morte de ambos. Ap�s a necr�psia, sob o pretexto de evitar que os t�mulos se transformassem em centro de peregrina��o de nazistas renitentes, os russos resolveram que os despojos ficariam sob a guarda do Ex�rcito Vermelho. O epis�dio ganhou contornos ainda mais nebulosos. Disputas internas na corpora��o teriam levado a seguidos sepultamentos e exuma��es, com militares fazendo de tudo para que fac��es advers�rias n�o pusessem as m�os no precioso trof�u. Acredita-se que os corpos teriam permanecido nos arredores de Berlim at� ser transportados para a cidade de Magdeburg, na ex-Alemanha Oriental, em data incerta.

Com o fim da Uni�o Sovi�tica, muita gente se apresentou para dar a vers�o definitiva do epis�dio. Surgiram cr�nios, mand�bulas e ossos que seriam do ditador nazista e de sua amada. At� uma foto de Hitler defunto apareceu, sem que ningu�m conseguisse comprovar sua veracidade. Na semana passada, o assunto voltou � baila por interm�dio de um jornalista russo, que teve acesso a documentos da KGB, a pol�cia secreta sovi�tica. Segundo ele, os restos mortais do ditador nazista foram queimados em 4 de abril de 1970 e as cinzas, jogadas no Rio Ehle, nas proximidades da cidade alem� de Biederitz. A decis�o foi tomada pelo ent�o l�der sovi�tico Leonid Brejnev, a partir de uma sugest�o do chefe da KGB, Iuri Andropov. Eles temiam que rec�m-surgidas agremia��es neonazistas pudessem resgatar a ossada de Hitler e, com isso, alimentar o sentimento nacionalista na Alemanha Ocidental e Oriental. Na �poca, os dois lados ensaiavam uma reaproxima��o diplom�tica e a reunifica��o alem� era um pesadelo que assombrava o Kremlin.
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