| Os Desafios do Cristianismo Veja 15/12/1999 A doutrina de Cristo, que dominou a vida do Ocidente nos �ltimos 2 000 anos, continua vigorosa e com capacidade de adaptar-se ao mundo moderno Ningu�m desconhece a hist�ria que se segue, crendo ou n�o em sua origem sagrada. Um judeu das montanhas da Galil�ia com reputa��o de doutrinador e capacidade de curar as pessoas aparece aos 33 anos em Jerusal�m, durante a P�scoa judaica. Em tr�s dias, desenrola-se em torno dele o drama de solid�o, humilha��o e morte que acompanha a humanidade h� vinte s�culos. Ele � preso, julgado, condenado por trai��o e executado na cruz ao lado de criminosos comuns. Nenhum historiador registrou inequivocamente sua passagem pelo mundo dos homens. Mas 2.000 anos depois que os eventos acima ocorreram, segundo os quatro evangelistas, Jesus � o personagem dominante da vida ocidental. Mesmo entre as pessoas que n�o fazem parte do rebanho atual de mais de 2 bilh�es de seguidores do cristianismo, ele � um s�mbolo poderoso. A moral e os costumes, a arte e a ci�ncia, a pol�tica e at� a economia, toda a bagagem cultural com que a humanidade entrar� no pr�ximo mil�nio foi tocada e, freq�entemente, moldada pelo cristianismo. Nenhum poeta ou o mais genial dos escritores conseguiu criar um personagem t�o influente como esse aprendiz de carpinteiro que dizia a seus seguidores, sem rodeios, ser o filho de Deus: "Eu e meu Pai somos um". At� os s�culos passaram a ser medidos a partir do nascimento de Jesus. O cristianismo triunfou de gera��o em gera��o, enfrentando e vencendo desafios com uma for�a que para os fi�is s� pode ser de inspira��o divina. Como registra o Velho Testamento: "At� aqui nos ajudou o Senhor". Mas como ser� daqui para a frente? Como o cristianismo enfrentar� os desafios que se apresentam agora, no alvorecer do terceiro mil�nio? Como ser�o a face e a voz de Jesus Cristo num mundo em furiosa transforma��o tecnol�gica e de costumes? Firmemente assentados na hist�ria vitoriosa da religi�o crist�, os estudiosos n�o se abalam com o gigantismo dos obst�culos que enxergam pela frente. "Podemos mandar c�maras fotografar os an�is de Saturno e as luas de J�piter, mas elas nunca v�o revelar a verdadeira face de Deus nem enviar uma imagem do para�so", diz o soci�logo americano Rodney Stark, da Universidade de Washington, autor de The Future of Religion (O Futuro da Religi�o). "A religi�o em sua forma mais pura sempre estar� fora do alcance das especula��es racionais." O que impressiona na trajet�ria hist�rica dos seguidores de Cristo � o fato de que a religi�o podia muito bem ter-se estatelado. Nos prim�rdios do primeiro mil�nio, o cristianismo sofreu bastante at� deixar a condi��o de seita judaica dissidente e se tornar a religi�o oficial do Imp�rio Romano. Na aurora do segundo mil�nio, imersos nas trevas da Idade M�dia, os crist�os mandaram seus guerreiros �s cruzadas com a miss�o de combater em nome de Cristo os infi�is mu�ulmanos, na �poca detentores de uma civiliza��o refinada com conhecimentos de astronomia, matem�tica e filosofia. Entendiam tamb�m de coisas mais prosaicas mas muito �teis naquele tempo, como a fabrica��o de a�o mais resistente para as espadas da guerra santa. Mais tarde o cristianismo escaparia da armadilha cruel da Inquisi��o e da inc�moda condi��o de fiador de monarquias sanguin�rias e corruptas baseadas no direito divino dos reis. O ramo mais vigoroso do cristianismo, o cat�lico, pode reivindicar como milagre o fato de ter sobrevivido a um grupo de papas dissolutos, assassinos e gananciosos que reinaram h� cerca de 500 anos. Eles faziam guerra, elegiam os filhos bispos, tinham amantes, vendiam promessas de salva��o eterna a rica�os que se dispunham a pagar por essa garantia. Basta examinar a ficha de um deles para ter boa id�ia do conjunto. Alexandre VI (1492-1503), o papa B�rgia, foi eleito para o trono de Roma por um conclave corrupto, teve quatro filhos ileg�timos, promoveu orgias no Vaticano. Foi acusado pelos contempor�neos de assassinatos e compl�s. "O cristianismo em geral e a Igreja Cat�lica, em particular, resistiram a impactos t�o brutais que acho justific�vel seus seguidores acreditarem na natureza divina de seus alicerces", diz Werner Kelber, pesquisador do Novo Testamento, que se define como incr�dulo. Quais s�o os desafios do cristianismo �s portas do novo mil�nio? VEJA ouviu uma dezena de te�logos e estudiosos da religi�o e leu seis livros recentes que tratam da quest�o em busca de uma resposta satisfat�ria. O resultado da investiga��o � uma lista fascinante de indaga��es. Jesus hist�rico � N�o se fala aqui do Jesus dos altares. Tampouco daquele que cada um traz no peito quando comunga da f� dos crist�os. O Jesus hist�rico � o personagem que nasceu, viveu e morreu na Palestina, em carne e osso, num per�odo hist�rico determinado, numa �poca em que reinava o imperador romano Augusto. Este personagem est� sob intens�ssima investiga��o. Um grupo de pesquisadores americanos reunidos sob o r�tulo de Semin�rio de Jesus irrompeu recentemente na cena dos estudos religiosos sustentando que o trabalho dos quatro evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e Jo�o, n�o tem valor como prova material da exist�ncia de Cristo. O quarteto escreveu suas vers�es entre quarenta e 100 anos depois da morte de Jesus, e s�o as fontes mais pr�ximas do mestre da Galil�ia. Segundo os integrantes do Semin�rio de Jesus, os evangelistas enxergariam seu retratado como um profeta do Velho Testamento e n�o como o fundador de uma nova religi�o revolucion�ria. "Com a evolu��o dos mecanismos cient�ficos de estudo das rel�quias e provas hist�ricas o mais certo � que, a cada ano, se vai provar que muito pouco da narra��o do Novo Testamento � confi�vel", diz o canadense John Dominic Crossan, um dos mais ativos pesquisadores do grupo. "N�o podemos ter certeza de nada que Jesus realmente disse porque n�o existem testemunhos irrefut�ves daquela �poca", argumenta Stephen Mitchel, autor de um document�rio de televis�o famoso, O Evangelho Segundo Jesus. Os estudiosos do Semin�rio de Jesus s�o contraditados por uma corrente mais tradicionalista, para a qual o fato de n�o brotarem evid�ncias arqueol�gicas da passagem de Cristo pela Palestina s� prova uma coisa: que � muito dif�cil reconstruir a hist�ria arcaica da humanidade, especialmente quando se buscam sinais de indiv�duos particulares, mesmo que eles tenham tido uma exist�ncia extraordin�ria. Outra corrente se acha satisfeita com as provas j� existentes. Fora da B�blia, � encontrada apenas uma refer�ncia � passagem de um certo Jesus pela Palestina. Fl�vio Josefo, historiador judeu de cidadania romana, em seu livro Antig�idades dos Judeus, escrito no ano de 94, fala de um certo "Jesus, um homem s�bio, que fazia coisas extraordin�rias e pregava para o povo". Outro autor romano, Pl�nio, o Jovem, do fim do s�culo I, descreve um grupo de fi�is rezando e cantando hinos a "Cristo, como se fosse um deus". Seculariza��o � Em bom portugu�s significa simplesmente que as pessoas tendem, pela pr�pria din�mica da vida moderna, a fazer ouvidos de mercador para os ensinamentos das igrejas. A indiferen�a de quem ouve � o pavor de todos os doutrinadores. As pessoas querem ser bons cat�licos ou evang�licos sem ter de seguir � risca cada um dos ditames dos sacerdotes e pastores. � poss�vel ser um bom crist�o e fazer sexo antes do casamento ou usar m�todos anticoncepcionais artificiais como a p�lula? Pesquisa do Semin�rio de Jesus com cat�licos americanos chegou a um n�mero avassalador: 83% das pessoas acham que n�o cabe aos religiosos dar opini�es incontrast�veis sobre tais quest�es do foro �ntimo de cada um. Pesquisas semelhantes feitas no Brasil, na It�lia e em outros pa�ses de forte tradi��o cat�lica apontam a mesma tend�ncia, mesmo que os n�meros sejam menos contundentes. Modernidade � No passado, a Igreja Cat�lica afastou as mulheres do sacerd�cio e proibiu os padres de se casarem. Atualmente, isso come�a a parecer para muitos devotos um dogma que engessa a f� em regulamentos ultrapassados. Ecumenismo � � extremamente complexo o desafio de manter a unidade da doutrina crist� ao mesmo tempo que se fazem aberturas na dire��o de outras cren�as. Como admitir a exist�ncia de outros credos sem perder a f� na hegemonia dos princ�pios crist�os? Cat�licos e protestantes, que deveriam ser os mais pr�ximos, ainda n�o resolveram suas diverg�ncias essenciais. Excomungado pelo papa Le�o X em 1521, o monge alem�o Martinho Lutero foi o pai da Reforma Protestante. Lutero rebelou-se contra a venda de indulg�ncias, uma fonte poderosa de divisas para o papado. Foi com dinheiro arrecadado com a venda de indulg�ncias que a Bas�lica de S�o Pedro foi constru�da. Apesar dos v�rios acenos de boa vontade, essa quest�o central n�o foi debatida a s�rio nos encontros ecum�nicos de alto coturno da hierarquia religiosa de ambos os lados. Cat�licos e judeus, separados no ber�o de suas civiliza��es, ainda t�m um longo caminho a percorrer para estabelecer bases m�nimas de conviv�ncia. A amea�a do isl� � O islamismo � a religi�o que mais cresce no mundo. Embora seja marcadamente �tnico, identificado com os �rabes, o islamismo tem alcan�ado pelas migra��es uma penetra��o crescente na Europa, o mais tradicional reduto crist�o. "O islamismo j� � a segunda religi�o mais numerosa na Alemanha, na Fran�a e na It�lia", diz o padre e historiador da Igreja, Jos� Oscar Beozzo. O embate com o isl� traz embutida uma contradi��o incontorn�vel. O cristianismo vive hoje num ambiente da mais ampla liberdade religiosa, o que permite, por exemplo, que o isl� construa uma de suas maiores mesquitas em plena Roma dos santos e dos papas. Mas os crist�os t�m de disputar espa�o com o islamismo que exclui, a vertente fundamentalista da religi�o criada por Maom� no s�culo VII da era crist�. O fundamentalismo isl�mico n�o s� � contra a liberdade de f� como � a favor da teocracia, do Estado religioso. A constru��o de qualquer templo que n�o seja uma mesquita � rigorosamente proibida nos pa�ses isl�micos. O islamismo n�o se contrap�e apenas ao cristianismo. "Com o fim do comunismo, � hoje o �nico foco de resist�ncia ao pensamento de livre mercado ocidental. Ao se fechar dentro da pr�tica religiosa, procura impedir a destrui��o de sua identidade religiosa e nacional", diz o fil�sofo Mario Sergio Cortella, professor da Pontif�cia Universidade Cat�lica, PUC, de S�o Paulo. "Com os d�lares do petr�leo e as armas que herdaram da Guerra Fria, eles se tornaram fortes o bastante para enfrentar o pensamento dominante da civiliza��o crist� ocidental." Os pecados do cristianismo � O papa Jo�o Paulo II tem se empenhado como nenhum outro antecessor para tirar dos ombros da Igreja os pecados acumulados nos tempos duros da afirma��o da f� crist�. "Os crist�os n�o podem dar as boas-vindas ao Terceiro Mil�nio sem se arrepender de seus pecados hist�ricos", disse o papa. O chefe da Igreja tem feito isso com estilo e gra�a. Ele desculpou-se em nome da Igreja pela condena��o de Galileu Galilei, o s�bio punido pela Inquisi��o por sustentar que a Terra n�o era o centro do universo. Jo�o Paulo II delimitou onde come�a a f� e termina a ci�ncia. "A miss�o da Igreja n�o � ensinar como o c�u foi feito, mas mostrar o caminho at� l�", disse o papa. Desculpou-se tamb�m pelo fato de a Igreja ter sido avalista ideol�gica das atrocidades cometidas pelos conquistadores europeus na Am�rica portuguesa e espanhola h� 500 anos. Todas as desnorteantes quest�es acima t�m sido respondidas pela hierarquia das igrejas crist�s. Os protestantes armaram a mais fenomenal defesa em torno da id�ia de que � uma imensa perda de tempo procurar evid�ncias cient�ficas da passagem de Jesus pela Palestina. O mais ardoroso defensor da tese de que a sacralidade da f� se basta � o historiador americano Luke Timothy Johnson, da Universidade Emory. Num livro inflamado, escrito numa linguagem acess�vel, Johnson argumenta que os ca�adores da arca perdida do cristianismo acabam eles pr�prios atacando verdades firmadas no decorrer de s�culos de adora��o crist�. "Eles est�o distorcendo quest�es de fundamental import�ncia para sustentar seus pontos de vista materialistas", diz Johnson. O papa Jo�o Paulo II deu uma contribui��o decisiva � quest�o em 1989. Nessa �poca, testes cient�ficos haviam sido feitos no Santo Sud�rio, o manto que teria servido de mortalha para o corpo de Jesus. Esses testes desqualificaram a rel�quia como uma tela produzida na Idade M�dia. Diante dessas revela��es, depois colocadas em d�vida por testes subseq�entes, o papa n�o vacilou. "Acredito que o Santo Sud�rio � genu�no", disse ele. Johnson tamb�m mant�m o respeito pela rel�quia. "Quando uma quest�o � elevada a um mist�rio da f� n�o basta uma medi��o de carbono 14 para derrub�-la de sua gl�ria", diz o historiador. Testes mais recentes reabilitaram a rel�quia. Ela conteria part�culas de p�len de flores que s� existem na regi�o onde se acredita que Jesus tenha morrido. A maioria dos te�logos v� na hist�ria do cristianismo um permanente movimento de p�ndulo entre o que eles chamam de carisma e de poder. Ou entre a modernidade e o dogma. Teria sido sempre assim na hist�ria do cristianismo, de modo que as atuais contesta��es sobre o celibato ou a ordena��o de mulheres seriam apenas tem�ticas novas de quest�es que se repetem ciclicamente. Quando nascem, as igrejas s�o tomadas pelo fervor religioso, pelo encantamento dos devotos com a revela��o divina, com a liturgia e com a doutrina. Essa for�a espont�nea tem seus espasmos na Hist�ria � ela vai e volta. Ela brota da necessidade humana de desfrutar a possibilidade do sobrenatural. Chega ent�o outro momento pendular em que, al�m da espontaneidade e da f�, o movimento precisa criar ou firmar estruturas e burocracias para sobreviver. "A hist�ria do cristianismo reflete de maneira clara este movimento pendular", explica D�cio Passos, professor de ci�ncia da religi�o da PUC de S�o Paulo. Para alguns te�logos, portanto, n�o h� raz�o para preocupa��es. Por esse prisma, o cristianismo estaria recuperando neste fim de mil�nio parte do frescor de seus primeiros dias, numa nova volta do p�ndulo que estaria levando os fi�is de novo �s missas e aos cultos, como de fato acontece. No seu in�cio, o cristianismo era uma seita do meio rural judaico que congregava uma pequena comunidade reunida em torno dos ensinamentos de Jesus. Seus adeptos estavam ali mais para ajudar uns aos outros do que em busca da salva��o eterna. O cristianismo cresceu e se espalhou no mundo empurrado pela for�a poderosa de sua mensagem. O mandamento de amar ao pr�ximo como a si mesmo foi uma novidade completa para a �poca. A capacidade de servir ao outro foi a mola propulsora que transformou a seita de dissidentes judeus em religi�o oficial do Imp�rio Romano no curto espa�o de 300 anos. O americano Rodney Stark apegou-se a esse detalhe para explicar o fen�meno do crescimento vertiginoso do cristianismo, que passou de 1.000 devotos no ano 40 para mais de 30 milh�es tr�s s�culos depois. De acordo com Stark, uma epidemia, provavelmente de var�ola, que matou um ter�o da popula��o do Imp�rio Romano por volta do ano 165, foi a t�bua de salva��o do cristianismo. Entregues � pr�pria sorte diante da calamidade, sem poder contar com o Estado que n�o se ocupava dessas coisas, os romanos pag�os ficaram maravilhados com a atitude dos crist�os que se encarregaram de cuidar das v�timas sem espera de recompensa. "A nova f� deu melhores explica��es � sociedade, os valores de amor e caridade serviram melhor na aten��o aos desvalidos", escreveu Stark num outro livro, The Rise of Christianity (O Crescimento da Cristandade). Foi a revolucion�ria atitude de solidariedade do cristianismo primitivo que lhe arrebanhou seguidores. O p�ndulo da religi�o moderna inclina-se hoje para seu lado carism�tico, para uma Igreja mais preocupada em louvar a Deus e servir ao pr�ximo do que em promover a revolu��o, influenciar governos, mandar nos destinos terrenos das pessoas. Como sempre aconteceu, a Igreja se disp�e a desempenhar sua miss�o recorrendo aos recursos fornecidos pela �poca e ambiente peculiares. Assim como nas origens � adotou em sua liturgia elementos do teatro para fazer sua mensagem mais compreens�vel aos fi�is iletrados �, atualmente ela lan�a m�o dos meios que a tecnologia moderna lhe oferece. "Vivemos na era da informa��o e as religi�es que, como o cristianismo, se estabeleceram por meio do uso da palavra hoje t�m de se integrar � cultura da imagem, da televis�o e dos megaeventos", diz Jos� Oscar Beozzo. A �poca moderna, mesmo criando desafios, parece prop�cia ao cristianismo, que est� numa fase oposta ao marasmo de anos atr�s, quando as igrejas se apoiavam mais nas formalidades do ritual do que no cora��o dos fi�is. "A religi�o institucionalizada, estruturada para conservar sua tradi��o e seu modo de vida, acaba perdendo a for�a", observa o padre Alberto Antoniazzi, coordenador do curso de teologia da arquidiocese de Belo Horizonte. O desafio da religi�o de Jesus no mundo fren�tico no fundo seria da mesma natureza daqueles que ela circunavegou no passado: adaptar-se sem perder a ess�ncia. Para quem j� enfrentou dilemas abissais em outros per�odos hist�ricos, n�o parece uma tarefa muito dif�cil. |
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