Hist�ria Exemplar                              Veja 01/04/1998
De como �ndios orgulhosos passaram a integrar uma tribo ainda maior � a dos exclu�dos

Depois de sobreviver � diarr�ia, � prostitui��o e ao alcoolismo � legado da conviv�ncia com os brancos �, os �ndios panar�s conseguiram finalmente duas vit�rias. A primeira � a demarca��o de sua reserva pelo governo, �s margens do Rio Iriri, entre Mato Grosso e Par�. A outra � uma indeniza��o de 4.000 sal�rios m�nimos, mais corre��o monet�ria, a ser paga pela Uni�o pelas mortes, doen�as e viol�ncias sofridas pelos �ndios desde 1973, ano de seu primeiro contato com os brancos, durante uma expedi��o do sertanista Cl�udio Villas-Boas. Nessa �poca, quando ficaram conhecidos como kranhac�rore, ou os "�ndios gigantes", por ter at� 2 metros de altura, eles eram uma tribo de 600 pessoas. Hoje s�o 170 almas, das quais setenta s�o crian�as. Sua saga originou o livro Panar� � A Volta dos �ndios Gigantes, uma parceria de duas Ongs, o Instituto Socioambiental e a Funda��o Rainforest (168 p�ginas, 35 reais).

Recheado de fotos dos �ndios tiradas nos �ltimos 25 anos, o livro � um documento essencial para avaliar as perdas e os ganhos dos panar�s. Entre imagens desoladoras, como a floresta dizimada por garimpos, madeireiras e pastos para o gado, desponta uma fotografia emblem�tica do grau de acultura��o por que passou esse povo ao longo de mais de duas d�cadas. � uma imagem do �ndio S�kriti, em 1996, de bigode e vestido com uma camiseta. Nessa mesma foto, S�kriti segura o seu primeiro retrato, feito em 1973, em que aparece nu e com arco e flecha na m�o. Nessa foto de 1973, S�kriti ainda era um selvagem. Via brancos pela primeira vez na vida naquele exato momento. Ambas as imagens foram colhidas pelo fot�grafo Pedro Martinelli, integrante da hist�rica expedi��o de Villas-Boas, que localizou os �ndios �s margens do Rio Peixoto de Azevedo, na Bacia do Xingu.

O vil�o dos panar�s foi o governo M�dici, que decidiu rasgar a regi�o onde eles viviam para abrir a Estrada Cuiab�Santar�m. Diante da chegada iminente dos tratores, Villas-Boas e a Funai resolveram visit�-los. Em fevereiro daquele ano, depois de uma longa espera de seis meses, os �ndios surgiram no acampamento dos brancos. Trocando brindes como panelas e pentes pelo sorriso algo desconfiado dos panar�s, Villas-Boas conseguiu estabelecer um conv�vio amistoso. Bastaram dois anos, por�m, para a tribo encontrar-se � beira da extin��o. Vitimados pela diarr�ia e a gripe trazidas pelos brancos, os �ndios foram reduzidos a 79 pessoas. De acordo com relato do �ndio Ak�, os panar�s come�aram a morrer repentinamente: "Est�vamos t�o doentes que n�o enterr�vamos os mortos, que apodreciam no ch�o. Os urubus comeram tudo". A solu��o encontrada por Villas-Boas foi transferi-los de avi�o para perto do Rio Xingu.

Depois de muito perambular, os panar�s ocuparam o territ�rio que constitui sua atual reserva, de 4950 quil�metros quadrados de mata virgem, �s margens do Iriri. Mesmo com essa vit�ria, carregar�o para sempre a ferida da acultura��o. Trocaram suas bordunas e o arco e flecha por anz�is e fac�es. Vestem-se com cal��es, camisetas e, loucos por a��car mas sem cultivar h�bitos de higiene bucal, viraram um povo desdentado. Adoram jogar futebol e, � noite, escutam radinhos de pilha, enquanto dan�am forr�. De herdeiros de uma tribo livre e orgulhosa, passaram a ser brasileiros pobres, simplesmente.



O �ndio S�kriti, em 1996, com seu retrato, de 1973
  Acontece
Passagens do Cotidiano
Fatos, contos e cr�nicas da rotina di�ria
.
.
A pousada na reserva florestal de Campos do Jord�o
N�o existe oferta melhor na est�ncia mais alta do Brasil! Conforto e sossego a apenas 4,5 km do centro!
Venha desfrutar de um ver�o refrescante, onde as temperaturas jamais excedem a 23 graus!
Fa�a um tour fotogr�fico pela pousada clicando aqui
P�gina Inicial
Hosted by www.Geocities.ws

1