Um Futuro Cor-de-Rosa Veja 09/09/1998 Apesar da crise, pesquisadores sustentam que a humanidade est� entrando num per�odo de abund�ncia e prosperidade
� dif�cil imaginar que, em meio � crise financeira global e ao p�nico espalhado pelo terremoto nas bolsas, algu�m ainda tenha motivos para ver o futuro com otimismo. Um grupo de cientistas americanos n�o apenas acha que o mundo vai muito bem como aposta que estar� cada vez melhor no pr�ximo s�culo. Ligados a diversas universidades e centros de pesquisas dos Estados Unidos, eles s�o os autores de The True State of the Planet (A Verdadeira Situa��o do Planeta), organizado pelo jornalista Ronald Bailey. A obra � uma colet�nea de ensaios que abrangem as mais diversas atividades. Sua conclus�o: a humanidade est� entrando em uma era de abund�ncia e prosperidade como nunca se viu. A popula��o mundial est� hoje mais rica e saud�vel do que um s�culo atr�s. Tamb�m produz, consome e se alimenta melhor do que em qualquer outro per�odo da Hist�ria. E isso n�o se refere apenas aos pa�ses desenvolvidos. A situa��o melhorou mesmo nas na��es mais pobres da �frica (veja quadro). "A boa not�cia � que muitas das cat�strofes previstas anos atr�s revelaram-se exageradas", observa Bailey, na introdu��o do livro.
Os argumentos dos pesquisadores baseiam-se em estat�sticas sobre crescimento populacional, produ��o de alimentos, expectativa de vida, uso de recursos naturais e uma infinidade de outros n�meros que refletem a evolu��o humana no �ltimo s�culo. Os resultados s�o impressionantes. Eles mostram que, vista de perto, em escala microsc�pica, a situa��o pode parecer preocupante em alguns aspectos. Quando analisada mais a dist�ncia, pela perspectiva oferecida por n�meros distribu�dos em s�ries hist�ricas, ela se torna bem mais animadora. Dessa forma observa-se, por exemplo, que nunca tantas pessoas, de diferentes classes sociais, tiveram acesso a informa��o, educa��o, lazer e cultura. S�o oportunidades que, em outras �pocas, estavam restritas � nobreza ou � camada muita rica da popula��o. A expectativa m�dia de vida mais que dobrou nos �ltimos 100 anos. A cura para males que dizimaram milh�es de pessoas no passado j� foi encontrada ou est� a caminho. Na lista de not�cias promissoras est�o a Aids, o c�ncer e as doen�as card�acas. As novas tecnologias est�o criando m�quinas e meios de transporte cada vez mais eficientes, que economizam energia, poupam mat�rias-primas e recursos naturais e poluem infinitamente menos do que algumas d�cadas atr�s.
O objetivo do livro � desarmar alguns argumentos catastrofistas sobre o estado do planeta e o futuro da humanidade que, nos �ltimos anos, se tornaram senso comum especialmente entre grupos de ambientalistas mais radicais. Uma dessas previs�es estava relacionada � chamada bomba populacional. No final dos anos 60 dizia-se que, em raz�o do crescimento descontrolado da popula��o, at� o final do s�culo n�o haveria alimento suficiente para todos. Milh�es de pessoas morreriam de inani��o. Hoje multid�es passam fome em pa�ses africanos, como o Sud�o e a Eti�pia. Mas isso n�o se deve ao colapso mundial na produ��o de alimentos. A fome nesses pa�ses � resultado de problemas clim�ticos agravados por intermin�veis guerras civis, que impedem a atividade agr�cola. Nas demais regi�es do planeta, a produ��o de alimentos tem aumentado sem parar, enquanto o crescimento populacional se estabilizou e at� mesmo tende a recuar. A fartura j� se reflete no custo da comida. Desde 1980, o pre�o m�dio da alimenta��o caiu 57%. Entre 1963 e 1992, o n�mero de calorias ingeridas por pessoa aumentou 27% nos pa�ses em desenvolvimento. "Nunca antes na Hist�ria houve uma �poca de comida t�o abundante e barata", escreve Dennis Avery, membro do Hudson Institute e um dos autores da obra.
Outra tese alarmante usada por alguns ecologistas associa crescimento econ�mico e desenvolvimento tecnol�gico � degrada��o do meio ambiente. Segundo essa vis�o, as ind�strias, os autom�veis e o lixo dos pa�ses mais ricos seriam os principais respons�veis pela polui��o da �gua, do solo e do ar. O livro dos cientistas americanos mostra exatamente o contr�rio. Os pa�ses industrializados s�o hoje os que mais protegem o meio ambiente. A qualidade do ar em cidades como Londres, Nova York e T�quio melhorou muito nas �ltimas d�cadas. Os rios tamb�m est�o mais limpos e a �rea coberta por florestas vem aumentando. Uma das estat�sticas do livro mostra que a concentra��o de coliformes fecais nos rios das grandes cidades come�a a diminuir quando a renda per capita de um determinado pa�s atinge 1.375 d�lares. A quantidade de di�xido de enxofre no ar tamb�m cai quando a renda per capita ultrapassa 3.670 d�lares. Conclus�o �bvia: desenvolvimento produz limpeza e qualidade de vida. Pobreza, sim, � sin�nimo de degrada��o da natureza. "Progresso econ�mico e tecnol�gico n�o � a causa, mas a solu��o para os problemas ambientais", afirma o cientista Indur Goklany, no �ltimo cap�tulo do livro. |