O Planeta Grisalho                                Veja 10/03/1999
Dentro de alguns meses, o n�mero de av�s e bisav�s nos pa�ses ricos j� ser� maior do que o de netos e bisnetos

Vera Girasol,
de 74 anos,
empacotadora:
renda dobrada e
novos amigos






Uma virada demogr�fica radical est� ocorrendo nos pa�ses desenvolvidos. Nesse grupo, que inclui os Estados Unidos, a Europa e o Jap�o, at� meados do ano que vem o n�mero de pessoas idosas, com mais de 60 anos, ser� maior do que o de crian�as e adolescentes com idade de 14 anos ou menos. Pela primeira vez na hist�ria da humanidade, haver� nesses pa�ses mais av�s e bisav�s do que netos e bisnetos. A mudan�a, que os dem�grafos j� vinham prevendo havia algum tempo, come�a nos pa�ses ricos, mas em breve atingir� o planeta inteiro. No Brasil, ela se dar� por volta de 2050, �poca em que um entre cinco brasileiros ter� 60 anos ou mais (veja quadro). Essa reviravolta populacional � mais do que uma simples curiosidade estat�stica. Ela vai gerar profundas transforma��es na sociedade nas pr�ximas d�cadas. Com mais velhos do que jovens, governos, empresas e outras institui��es ter�o de se adaptar para atender a esse contingente cada vez mais numeroso. "O envelhecimento � uma grande conquista social", diz o m�dico brasileiro Alexandre Kalache, diretor do programa de Envelhecimento e Sa�de da Organiza��o Mundial de Sa�de, OMS. "Temos de celebr�-lo. Ruim era quando a maior parte da popula��o morria antes dos 5 anos de idade."

Menos beb�s � O novo perfil demogr�fico do planeta � resultado de dois fen�menos combinados: o aumento da expectativa de vida e a redu��o da taxa de natalidade. No in�cio deste s�culo, um americano vivia, em m�dia, 47 anos. Hoje, vive 77. No Brasil, a expectativa de vida � de 69 anos, quase 50% mais do que na metade do s�culo. Enquanto isso, em 61 pa�ses o n�mero de beb�s que nascem a cada ano j� � inferior ao necess�rio para repor o atual n�vel populacional. Nas na��es desenvolvidas, essa transforma��o vem acontecendo h� mais tempo. Mas no grupo dos chamados emergentes (que inclui o Brasil) o ritmo � cada vez mais acelerado. Enquanto a Fran�a levou 115 anos para elevar de 7% para 17% a participa��o dos velhos na popula��o, a China far� o mesmo em apenas 27 anos � num processo quatro vezes mais r�pido. O Brasil, que j� foi celebrado como o pa�s das crian�as e dos jovens, tem hoje 13,5 milh�es de pessoas com 60 anos ou mais. Representam 8% da popula��o. Esse porcentual deve dobrar em apenas vinte anos.

O impacto dessas mudan�as � muito grande em v�rios setores. Um deles � a Previd�ncia Social. At� a d�cada de 60, para cada brasileiro aposentado havia outros oito trabalhando. Ou seja, oito contribu�am para que um se beneficiasse. Hoje, essa rela��o � de dois para um, e o rombo nas contas da Previd�ncia j� � enorme. Se esse ritmo se mantiver e as regras n�o forem mudadas, dentro de algumas d�cadas haver� mais aposentados do que contribuintes. Uma solu��o, j� adotada em muitos pa�ses, � que cada trabalhador financie sua pr�pria aposentadoria futura, contribuindo para um fundo de pens�o durante a vida ativa. Outro problema � a perspectiva de um colapso no sistema de sa�de p�blica. Atualmente, o gasto do setor com um idoso � cerca de tr�s vezes maior do que com uma pessoa na meia-idade.

O envelhecimento da popula��o tornou-se uma preocupa��o mundial neste final de s�culo. O mais curioso � que, apenas trinta anos atr�s, o temor estava relacionado ao excesso de crian�as e jovens. Por uma boa raz�o: nessa �poca, cada mulher tinha, em m�dia, 5,6 filhos durante a vida. Como resultado, a popula��o mundial dobrava a cada gera��o. Um estudo da Organiza��o das Na��es Unidas, ONU, previa que, na virada do s�culo, o planeta n�o teria recursos suficientes para alimentar tantas pessoas. Agora, a explos�o populacional deixou de ser um grande problema. A taxa de fecundidade caiu drasticamente. No Brasil, � de apenas 2,1 filhos por mulher � o suficiente apenas para repor a popula��o atual. Ao mesmo tempo, novas tecnologias agr�colas e industriais afastaram o perigo do colapso dos recursos. Hoje, h� alimentos de sobra para todos os seres humanos � com a ressalva de que eles n�o s�o proporcionalmente distribu�dos entre pobres e ricos. Em todo o mundo, com exce��o dos pa�ses muito miser�veis, as pessoas est�o vivendo mais e melhor. E tendo menos filhos.

Evidentemente, uma sociedade com mais idosos n�o � sin�nimo apenas de problemas. H� tamb�m in�meras vantagens. Uma delas, j� medida nos Estados Unidos, est� relacionada � seguran�a p�blica. Pelas estat�sticas, o �ndice de crimes cometidos por adolescentes � dez vezes maior do que o da faixa et�ria acima dos 50 anos. Uma na��o mais grisalha pode ser, portanto, mais segura e tranq�ila. Mesmo os problemas de sa�de podem ser mais facilmente resolvidos com uma maior integra��o dos idosos na sociedade. "Cerca de metade das doen�as da velhice � ligada � desordem afetiva e aos desequil�brios emocionais", afirma o geriatra Clineu Almada, diretor cient�fico do Centro de Envelhecimento da Universidade Federal de S�o Paulo. "Ter atividades ajuda a evitar muitos problemas." O dentista aposentado Leon Birnbaum, de 72 anos, � um exemplo de como enfrentar a idade sem perder o pique. Tr�s vezes por semana ele vai para a academia e nada 1.200 metros. "A nata��o tem um efeito terap�utico para mim", diz ele. Depois do exerc�cio aqu�tico, Birnbaum pedala na bicicleta ergom�trica e faz alongamento. "Nos dias em que n�o me exercito, fico lento, com menos energia", afirma.

Atendimento melhor � A tend�ncia �bvia � que, aos poucos, os idosos v�o ocupar pap�is e tarefas cada vez mais importantes na sociedade. Isso inclui tamb�m o mercado de trabalho. Acabou o tempo em que envelhecer era sin�nimo de inatividade. Hoje, muitas pessoas se aposentam e continuam trabalhando. Isso pode ser observado em muitas empresas. H� pouco mais de um ano, a rede de supermercados P�o de A��car contratou 400 idosos para trabalhar como fiscais, caixas e pacoteiros em todo o pa�s, como parte de um programa de recrutamento de funcion�rios com idade acima de 55 anos. Pesquisas mostram que o atendimento nas lojas melhorou. "Os idosos s�o mais atenciosos e a empatia com os clientes � muito grande", diz a diretora de desenvolvimento de recursos humanos da empresa, Maria Aparecida Fonseca. "Aqui, fa�o novos amigos e consigo dobrar minha renda", diz Vera Girasol, de 74 anos, que trabalha como empacotadora em S�o Paulo.

H� outras mudan�as importantes relacionadas ao envelhecimento da popula��o. Veja a seguinte compara��o. At� meados deste s�culo, ao chegar aos 40 anos, um brasileiro tinha a probabilidade de viver, no m�ximo, mais oito anos. Estava quase no fim da vida, portanto sem tempo para estudar, comprar bens dur�veis ou fazer novos planos. Hoje, aos 40 anos, um brasileiro est� apenas na metade da vida. Estatisticamente, vai viver, pelo menos, mais trinta anos. Isso significa que, ao chegar aos 50, ainda ter� tempo de fazer um curso universit�rio, mudar de profiss�o e exerc�-la por mais quinze ou dezesseis anos. Se quiser, d� tempo at� de comprar uma casa financiada pelo sistema imobili�rio e terminar de p�ga-la, em dez ou quinze anos. Imagine o impacto dessa nova perspectiva na economia e na forma de funcionamento da sociedade. "Se a gente n�o usa a mente, ela enferruja", diz a comerciante Zeli Camargo, que, aos 64 anos, estuda e trabalha. Ela cursa letras na Universidade Federal do Paran�, em Curitiba. Aproveitando as tr�s l�nguas que domina, Zeli tamb�m faz trabalhos espor�dicos como guia de turismo.
  Acontece
Passagens do Cotidiano
Fatos, contos e cr�nicas da rotina di�ria
.
.
A pousada na reserva florestal de Campos do Jord�o
N�o existe oferta melhor na est�ncia mais alta do Brasil! Conforto e sossego a apenas 4,5 km do centro!
Venha desfrutar de um ver�o refrescante, onde as temperaturas jamais excedem a 23 graus!
Fa�a um tour fotogr�fico pela pousada clicando aqui
P�gina Inicial
Hosted by www.Geocities.ws

1