Parque dos Mamutes                        Veja 04/08/1999
Cientistas pretendem clonar animal de uma esp�cie j� extinta e morto 23 000 anos atr�s

Desde que a cria��o da ovelha "Dolly" foi anunciada, h� dois anos, cientistas de todo o planeta prometem empreender uma verdadeira reforma gen�tica na natureza. Querem usar a clonagem para salvar pandas da extin��o, criar animais com �rg�os humanos e produzir bichos que funcionem como farm�cias ambulantes. H� duas semanas, um grupo de pesquisadores de museus da Fran�a, da Holanda e de uma universidade do Arizona voltou a estimular as fantasias de seus colegas. Eles anunciaram a localiza��o na Sib�ria de um enorme mamute congelado que pode conter fragmentos intactos de DNA. Acreditam que a descoberta pode levar � produ��o de clones desse antepassado peludo do elefante, extinto h� 4.000 anos, uma experi�ncia semelhante �s realizadas no filme Parque dos Dinossauros, de Steven Spielberg.


O animal encontrado pelos paleontologistas � um macho adulto da esp�cie Primigenius, morto h� 23.000 anos, com idade estimada em 47 anos. Tem 4 metros de altura e pesa cerca de 4 toneladas. Apenas a cabe�a n�o est� intacta, porque tribos n�mades da Sib�ria escavaram parcialmente o bloco de gelo onde ele est� conservado para arrancar as presas. O resto do corpo, afirmam os pesquisadores, est� em �timas condi��es. "A cor e a textura dos p�los est�o perfeitas e at� d� para sentir o odor de sua pele", afirmou um dos membros do grupo, o explorador franc�s Bernard Buigues.

A ambi��o de ressuscitar os mamutes ocupa h� alguns anos cientistas do mundo inteiro, entre eles os da Universidade Kinki, no Jap�o. Os restos congelados desses animais s�o encontrados com relativa freq��ncia nos arredores do C�rculo Polar �rtico. Antes mesmo de o ingl�s Ian Wilmut criar sua t�cnica de clonagem, j� se apostava na fertiliza��o artificial como forma de traz�-los de volta � vida. Os especialistas acreditavam que se achassem esperma congelado entre os restos de mamutes machos mumificados poderiam injet�-lo em �vulos retirados de f�meas de elefantes, que tamb�m serviriam de m�es de aluguel para a gesta��o dos embri�es. As experi�ncias nunca evolu�ram porque ningu�m encontrou o tal esperma de mamute em bom estado de conserva��o. Da mesma forma, nunca foi poss�vel extrair o c�digo gen�tico das amostras de tecidos localizadas.

Com a identifica��o do animal na Sib�ria, os cientistas cr�em que superaram esse obst�culo. Em setembro, o mamute ser� retirado do local onde est� hoje, parcialmente coberto pelo gelo. Ele vai ser transportado inteiro, de helic�ptero, at� o laborat�rio em que ser� analisado. Mesmo que n�o consigam retirar DNA suficiente para clonar o mamute, os pesquisadores prometem revelar ao mundo detalhes interessantes sobre o animal. Analisando as v�sceras, por exemplo, eles pretendem descobrir o que ele comia para conseguir manter-se aquecido e vivo no meio de tanto gelo.
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