Terror em Casa                                 Veja 18/03/1998
Pesquisa mostra o perfil dos estupradores

Dos 14 aos 17 anos, a paraense M.S.B.O. foi estuprada dezenas de vezes pelo pr�prio pai, normalmente � noite, com um fac�o encostado na garganta. Amea�ada, sem coragem de pedir ajuda, ela s� contou seu drama � m�e quando percebeu que estava gr�vida. Denunciado � pol�cia, o pai fugiu e nunca mais voltou. M.S.B.O. teve o filho, entregou a crian�a para ado��o e foi morar com os tios numa cidade distante. Um estudo conclu�do no in�cio do m�s por tr�s pesquisadoras paulistanas mostra que trag�dias assim, envolvendo pessoas pr�ximas, s�o mais freq�entes do que estupros praticados por desconhecidos. J� se suspeitava que o n�mero de casos de estupro ocorridos em casa era elevado, mas o estudo apresenta um dado objetivo. Depois de estudar 150 processos sobre crimes de viol�ncia sexual, em cinco capitais do pa�s, as pesquisadoras conclu�ram que em 70% dos casos o estuprador era uma pessoa pr�xima da v�tima � pai, primo, vizinho ou ex-namorado. Dos crimes estudados na pesquisa, 16% foram cometidos pelo pr�prio pai da v�tima e 2% pelo padrasto.

Estupro � um crime mais comum do que as pessoas imaginam, mas � dif�cil fazer um estudo confi�vel sobre o perfil do agressor e da v�tima. A principal raz�o � que a grande maioria dos casos n�o chega �s delegacias. Com medo de que sua humilha��o se torne p�blica, de que as autoridades n�o acreditem em sua hist�ria, ou simplesmente por achar que a solu��o � esquecer, � mais comum que a v�tima prefira ficar em sil�ncio. "Entre as mulheres de classe m�dia ou alta, o estupro s� � revelado no consult�rio do analista", explica o psiquiatra Isaac Charam, da Universidade Federal Fluminense, autor de um livro sobre o assunto. "A pesquisa confirma o que percebemos no cotidiano", diz a delegada Maria In�s Valente, coordenadora-geral das 124 Delegacias de Defesa da Mulher do Estado de S�o Paulo, que registram 4.000 estupros por ano.

A pesquisa paulista tem o m�rito de oferecer uma boa an�lise do crime e do criminoso, com um volume consider�vel de detalhes. Uma conclus�o: "O estuprador � um homem que encara a prole e o corpo feminino como posses", explica o soci�logo S�rgio Adorno, 45 anos, do N�cleo de Estudos da Viol�ncia da Universidade de S�o Paulo. "Por isso, � t�o comum perceber que nos depoimentos ele n�o demonstra remorso." Al�m de desmentir a id�ia de que o estupro � cometido por bandidos desconhecidos, a pesquisa derruba a impress�o de que o criminoso parte para a agress�o porque � um marginal, ou porque est� drogado ou alcoolizado. S� 38% dos estupradores tinham antecedentes criminais e apenas 28% dos acusados estavam embriagados ou tinham feito uso de drogas. Pouqu�ssimos usam armas para amea�ar a v�tima. "Para consumo externo o estuprador passa a imagem de uma pessoa perfeitamente equilibrada", explica a advogada S�lvia Pimentel, coordenadora do estudo. De acordo com a pesquisa, embora possa acontecer no ambiente familiar, o estupro tamb�m n�o � fruto de um surto moment�neo de loucura. "Esse tipo de criminoso n�o tem rompantes. Ele � maquiav�lico, planeja tudo com anteced�ncia e tem certeza da impunidade", diz o psiquiatra Charam.
  Acontece
Passagens do Cotidiano
Fatos, contos e cr�nicas da rotina di�ria
.
.
A pousada na reserva florestal de Campos do Jord�o
N�o existe oferta melhor na est�ncia mais alta do Brasil! Conforto e sossego a apenas 4,5 km do centro!
Venha desfrutar de um ver�o refrescante, onde as temperaturas jamais excedem a 23 graus!
Fa�a um tour fotogr�fico pela pousada clicando aqui
P�gina Inicial
Hosted by www.Geocities.ws

1