Ci�ncia no Freezer Veja 07/10/1998 Bi�logos brasileiros mergulham nas �guas geladas para pesquisar esp�cies da Ant�rtica
Na foto abaixo, mergulhador em a��o: carapa�a de borracha e meia hora para sair da �gua
Quando decidiu estudar biologia, o brasileiro Rodrigo Skowronski, hoje com 28 anos, n�o imaginava a dureza que enfrentaria na profiss�o. Todo ano, ele deixa por dois meses os laborat�rios do Instituto Oceanogr�fico da Universidade de S�o Paulo rumo � Ant�rtica, mais precisamente � Esta��o Comandante Ferraz, a base brasileira no continente, localizada na Ba�a do Almirantado. Envolto em uma roupa especial que o transforma numa esp�cie de monstro de borracha, ele � um dos quatro pesquisadores brasileiros que v�m mergulhando nas �guas g�lidas para observar de perto a vida submarina da regi�o. Est� longe de ser um mergulho normal. Para come�ar, a roupa n�o deixa 1 mil�metro do corpo descoberto. Sem ela, os bi�logos-aventureiros n�o sobreviveriam mais do que quatro minutos. Para n�o ter contato com a �gua quase congelada, os mergulhadores usam um macac�o de l� e, sobre ele, roupa de borracha, m�scaras e luvas. Antes de mergulhar � preciso injetar ar na roupa para que a borracha molhada n�o grude na pele. "Qualquer erro ou problema pode ser fatal", diz o bi�logo. Cada pesquisador vai ao mar com 30 quilos de equipamentos, e � preciso agir r�pido. Mesmo com sua carapa�a, eles n�o podem permanecer debaixo d'�gua por mais de trinta minutos. Ao contr�rio dos mergulhos no Caribe, habitado por cardumes de peixes coloridos, o que os bi�logos mergulhadores est�o encontrando nas profundezas da Ant�rtica s�o criaturas ex�ticas, como algas gigantes e estrelas-do-mar com cinq�enta bra�os. Moluscos, crust�ceos e an�monas s�o tamb�m vistos em abund�ncia. Ali vive a foca-leopardo, um mam�fero que se alimenta de ping�ins e mergulha a profundidades de at� 25 metros em busca de comida. � t�o temido embaixo d'�gua que ganhou o apelido de tubar�o das �guas frias. � poss�vel tamb�m ouvir a sinfonia das baleias jubarte, famosas por suas apari��es em Abrolhos, na Bahia, que no ver�o migram para a Pen�nsula Ant�rtica.
Gra�as a esses cientistas, as pesquisas est�o evoluindo mais rapidamente. H� dez anos, os cientistas brasileiros estudavam as criaturas marinhas somente por meio da observa��o feita a bordo de navios. Agora, os bi�logos t�m conseguido visitar as esp�cies em seu h�bitat. "O mergulho � a melhor forma para conhecer e estudar os animais", diz Skowronski. Embora seja um trabalho de pesquisa, a opera��o � considerada de alto risco. Al�m do frio e das focas-leopardo, um perigo freq�ente na regi�o s�o os icebergs. Para mergulhar, os bi�logos precisam cruzar o mar em botes infl�veis e, muitas vezes, s�o obrigados a penetrar em labirintos de gelo. Voltar por eles depois do mergulho � uma tarefa penosa, da qual precisam ser reanimados por doses maci�as de chocolate quente. � a melhor parte do trabalho. |