Tigre Ensolarado                              Veja 25/11/1998
H� duas d�cadas e meia, o Rio Grande do Norte � o Estado que mais cresce no Nordeste

Que o Nordeste � a regi�o que mais cresce no Brasil, todo mundo j� sabe. H� quatro anos, o ritmo de crescimento do produto interno bruto nordestino, PIB, � bem superior ao da m�dia brasileira. O que pouca gente imagina � que � frente dessa explos�o de desenvolvimento n�o est�o Bahia, Pernambuco ou Cear�, os Estados mais badalados da regi�o. A estrela do momento na geografia nordestina � o ensolarado e discreto Rio Grande do Norte. O desempenho de sua economia � impressionante quando comparado ao do restante do pa�s. Em 25 anos, o PIB do Estado cresceu em m�dia 7,9% por ano, o melhor �ndice entre todos os Estados do Nordeste e quase o dobro da m�dia nacional. A renda per capita mais que quadruplicou, passando de 700 d�lares em 1970 para 3.000 d�lares no ano passado. "O mais importante no desenvolvimento do Rio Grande do Norte � que os �ndices econ�micos trouxeram a reboque uma melhoria na vida de sua popula��o", afirma o economista Herodoto Moreira, consultor econ�mico da Sudene, Superintend�ncia do Desenvolvimento do Nordeste. Um exemplo: nos �ltimos tr�s anos, a mortalidade infantil no Estado foi reduzida em 39% e a desnutri��o entre rec�m-nascidos baixou 52%.

Outras surpresas aparecem quando se observam de perto as raz�es desses n�meros. Embora esteja situado no semi-�rido nordestino, onde raramente chove, o Rio Grande do Norte produz e exporta grandes quantidades de mel�o, banana, manga e uva. Isso � poss�vel gra�as � irriga��o, uma t�cnica que nos �ltimos quinze anos transformou enormes por��es de terra aparentemente in�teis em o�sis no sert�o nordestino. O Rio Grande do Norte tamb�m investiu pesado em turismo � uma voca��o �bvia numa regi�o em que h� 300 dias em m�dia de sol por ano. Como segundo maior produtor de g�s na regi�o e primeiro de petr�leo em terra no pa�s, fez um acordo com a Petrobras e passou a atrair empresas oferecendo energia a pre�os mais em conta do que em outras regi�es. Al�m disso, tirou vantagem da guerra fiscal entre os Estados oferecendo benef�cios tribut�rios e diversas vantagens para empres�rios que topassem transferir suas f�bricas para l�. "N�s garantimos as condi��es ideais para que os investidores possam vir aqui, gerar empregos e renda", vangloria-se o governador reeleito, Garibaldi Alves, do PMDB.

Mais doce � O Rio Grande do Norte passou a ser um grande exportador de frutas por uma combina��o de fatores. Sol o ano inteiro, baixa umidade relativa do ar e solo f�rtil s�o condi��es fundamentais para a obten��o de frutas mais doces. Para tornar isso realidade, s� precisava da irriga��o. "A lavoura irrigada permite produ��o o ano inteiro", explica Manoel Dantas, dono da Frunorte, segundo maior exportador de frutas do Nordeste, com faturamento anual de 15 milh�es de d�lares. "Assim, vendemos tamb�m na entressafra do mercado exterior." A localiza��o do Estado no mapa do Brasil tamb�m contribuiu muito. "Estamos mais pr�ximos, simultaneamente, dos mercados europeu e americano do que qualquer outro Estado brasileiro", observa Jaime Mariz, secret�rio de Planejamento do Estado. De Natal, os Estados Unidos e a Europa est�o sete dias de navio e seis horas de v�o mais pr�ximos do que em rela��o aos portos e aeroportos da Regi�o Sudeste. � uma vantagem e tanto quando se quer exportar produtos perec�veis, como frutas.

As vendas ao exterior cresceram depois que o governo concretizou um projeto adiado durante anos, a dinamita��o da Pedra da Bicuda, uma forma��o de recifes que limitava a profundidade do Porto de Natal. Antes, ali s� entravam navios com at� 7.000 toneladas de carga. Agora, o Porto de Natal pode receber embarca��es carregadas com at� o triplo disso. Em dois anos, a circula��o de mercadorias duplicou. Hoje, 7 em cada 10 toneladas de frutas frescas produzidas no Rio Grande do Norte v�o parar na mesa de consumidores americanos e europeus.

Outra frente de crescimento pode ser observada nos novos distritos industriais do Rio Grande do Norte. Ali, o governo oferece �s empresas g�s natural pelo mais baixo pre�o do Brasil, distribu�do diretamente �s f�bricas por 84 quil�metros de gasodutos. � um forte chamariz para os investidores, porque diminui consideravelmente os custos de produ��o. O Grupo Coteminas, por exemplo, fabrica camisetas de malha a 0,75 centavos de real a unidade. O pre�o, que concorre com o dos pa�ses asi�ticos, deve-se � redu��o de at� 40% nos custos de energia. Nos �ltimos tr�s anos, 94 empresas foram atra�das para o Estado. Vinte j� foram implantadas. Cinq�enta est�o em constru��o. Quando estiverem em pleno funcionamento, gerar�o 32.000 novos empregos diretos.

Duna sem chamin� � Para os 300.000 turistas que todo ver�o visitam o Rio Grande do Norte, uma surpresa � observar que, apesar do crescimento econ�mico, Natal permanece uma cidade pacata, sem congestionamento de tr�nsito nem problemas de polui��o. A maior parte dos 410 quil�metros de praias da regi�o, repletas de dunas, mant�m o ar selvagem. O Estado � hoje o terceiro destino tur�stico do Nordeste, atr�s apenas da Bahia e do Cear�. O setor de servi�os, que inclui o de turismo, � respons�vel por 50% da produ��o local de riquezas. Com obras or�adas em 11 milh�es de d�lares, o Aeroporto de Natal est� triplicando sua capacidade. A Escola de Turismo e Hotelaria Barreira Roxa, inaugurada em setembro, com capacidade para formar 10.000 profissionais por ano, recebeu 6 milh�es de reais em investimentos. Nela funciona um hotel, onde quem atende os h�spedes s�o os alunos, supervisionados por professores. A escola pretende servir de modelo no pa�s. Assim como o pr�prio Rio Grande do Norte � hoje um bom exemplo para outros Estados.
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