Est� Sobrando Baleia
Veja 21/10/1998
Estudo no Nordeste brasileiro revela que h� superpopula��o de algumas esp�cies









                  Jubarte: projeto prev� a proibi��o definitiva da ca�a a baleias no Atl�ntico

Os pesquisadores sempre souberam que as �guas claras e mornas do litoral nordestino s�o o cen�rio ideal para as baleias acasalarem e terem filhotes nos meses de inverno. S� n�o imaginavam que eram tantas as baleias que usufruem esse endere�o. A novidade surgiu h� duas semanas, quando seis bi�logos e ocean�grafos aportaram no Recife depois de passar treze dias esquadrinhando o alto-mar. A bordo de um navio da Marinha que percorreu 1.570 quil�metros, eles realizaram o primeiro levantamento de mam�feros marinhos da costa nordestina. Constataram a presen�a de quatro esp�cies de baleias e definiram as �reas preferidas de cada uma delas � um trabalho in�dito. Acrescentando a esse estudo registros anteriores de apari��es de outras cinco esp�cies, os cientistas conclu�ram que nove tipos de baleias habitam ou freq�entam o litoral nordestino (veja quadro). A principal, e boa, surpresa do cruzeiro cient�fico foi verificar a quantidade de minkes que nadam por l�. No total, foram avistados 38 grupos dessa esp�cie.

Ningu�m esperava encontrar tantas baleias, especialmente em uma �rea onde, at� doze anos atr�s, as minkes eram ca�adas em escala comercial. O resultado das pesquisas confirmou a tese mais otimista � antes desacreditada �, segundo a qual a esp�cie n�o s� se recuperou da matan�a como gerou at� uma superpopula��o. Por ironia, quase tudo que os pesquisadores conheciam sobre as esp�cies que freq�entavam o Nordeste era inferido a partir dos registros dos pr�prios baleeiros. Das 22.000 baleias mortas pelos ca�adores entre 1963 e 1986, 15000 eram minkes. Isso indicava que a esp�cie era a mais comum. Mas as informa��es dos baleeiros eram limitadas.

Enrolado na rede � Como muitos dos animais mortos na �poca estavam sexualmente maduros, supunha-se que as baleias usassem a �rea para se reproduzir. A hip�tese s� n�o era confirmada porque os baleeiros nunca haviam declarado ter capturado f�meas gr�vidas. "Eles escondiam dados que poderiam ser usados para proibir a ca�a", afirma um dos coordenadores do cruzeiro, o ocean�grafo Alexandre Zerbini, da Universidade de S�o Paulo. Com o cruzeiro de pesquisa encerrado, os bi�logos confirmaram que a costa nordestina � um verdadeiro ber��rio para as minkes. Embora a esp�cie seja das mais arredias, quatro f�meas foram vistas nadando com filhotes rec�m-nascidos.

"A descoberta de �reas de reprodu��o � importante porque justifica cientificamente a cria��o de um santu�rio no Atl�ntico Sul", explica Jesuina Maria da Rocha, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov�veis, Ibama. Uma proposta nesse sentido ser� apresentada pela delega��o brasileira na pr�xima reuni�o da Comiss�o Baleeira Internacional, em maio de 1999. Se for aprovada, a ca�a �s baleias na regi�o estar� definitivamente proibida. O que existe hoje � uma morat�ria, que pode ser revogada a qualquer momento, cedendo �s press�es de pa�ses ca�adores dos cet�ceos como a Noruega e o Jap�o. Enquanto a ca�a comercial est� suspensa, a maior amea�a �s baleias s�o as capturas acidentais em redes de pesca. Durante o cruzeiro, os pesquisadores flagraram v�rias redes de deriva que, apesar de proibidas em �guas territoriais, constituem a maior causa de morte de golfinhos e baleias. Estima-se que, em todo o mundo, 1 milh�o de cet�ceos morram anualmente enrolados nessas redes.

O cruzeiro cient�fico, organizado pelo Ibama e pela Comiss�o Interministerial para os Recursos do Mar, CIRM, � uma iniciativa fundamental para o estudo dos grandes mam�feros marinhos em seu ambiente. A �nica esp�cie sobre a qual os cientistas j� t�m conhecimento maior � a jubarte, estudada h� dez anos na regi�o do Arquip�lago de Abrolhos. Sem uma observa��o sistem�tica dos animais no mar, n�o h� como saber a �poca de reprodu��o, as rotas de migra��o, os h�bitos alimentares e outros aspectos de seu comportamento. "Antes, depend�amos dos encalhes para estudar as baleias, o que limitava as informa��es a quest�es morfol�gicas e fisiol�gicas", afirma o bi�logo Salvatore Siciliano, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A observa��o de baleias exige olho treinado e equipamento. O barco da Marinha usado pelos pesquisadores tem um ponto de observa��o a 10 metros de altura, onde os seis pesquisadores se revezavam das 5 �s 17 horas em busca de qualquer sinal dos animais. O esfor�o valeu para a defini��o das �reas mais freq�entadas pelas esp�cies estudadas e para uma primeira amostragem da quantidade delas. Com a boa not�cia de que s�o muitas, os estudos devem continuar.
  Acontece
Passagens do Cotidiano
Fatos, contos e cr�nicas da rotina di�ria
.
.
A pousada na reserva florestal de Campos do Jord�o
N�o existe oferta melhor na est�ncia mais alta do Brasil! Conforto e sossego a apenas 4,5 km do centro!
Venha desfrutar de um ver�o refrescante, onde as temperaturas jamais excedem a 23 graus!
Fa�a um tour fotogr�fico pela pousada clicando aqui
P�gina Inicial
Hosted by www.Geocities.ws

1