�ltimo a Saber                                  Veja 29/11/2000
Um ter�o da popula��o adoece porque dorme mal e n�o se trata porque n�o sabe disso

O sono � ume;o vital que, na mitologia grega, tem status de divindade. Hipno, filho de Nix, a noite, � o deus do sono e, junto com seu filho Morfeu, deus dos sonhos, o respons�vel pelo descanso di�rio dos seres humanos. Quando o poder de Hipno falha, o resultado � uma s�rie de dist�rbios que atormentam um ter�o da humanidade, com conseq��ncias graves. Pessoas que dormem mal est�o mais sujeitas a acidentes de tr�nsito e de trabalho, t�m menos resist�ncia a doen�as, s�o mais propensas a hipertens�o e problemas de cora��o e, como se n�o bastasse, envelhecem mais cedo. Mas o que mais preocupa os especialistas � que boa parte dos m�dicos simplesmente passa ao largo desses problemas. "� uma das epidemias mais graves da virada do s�culo e, no entanto, os dist�rbios ainda s�o mal diagnosticados", diz David Rapoport, diretor m�dico do Centro de Estudos do Sono da Universidade de Nova York, que participou na semana passada de um congresso de especialistas sobre sono no Rio de Janeiro.

O comerciante carioca Abra�o Abramovitz, de 69 anos, foi tomado h� seis meses por um cansa�o avassalador, que come�ou a prejudicar todas as suas atividades cotidianas. Procurou seu m�dico, que lhe receitou vitaminas. N�o adiantou. Foi a pelo menos mais tr�s profissionais e acabou recorrendo a um especialista por indica��o de um amigo. O diagn�stico foi apn�ia do sono, mal que ataca entre 4% e 10% da popula��o, �ndice muito mais alto que o do diabetes, por exemplo. Apn�ia significa interrup��o da respira��o. Abramovitz descobriu que parava de respirar � e acordava, embora n�o percebesse � de doze a quinze vezes a cada hora. � claro que no dia seguinte era um morto-vivo. Hoje essa hist�ria � passado, gra�as a uma m�scara acoplada a um compressor computadorizado, que lhe custou 2.400 reais. Ela bombeia o ar pelo nariz durante toda a noite, regularizando a respira��o. Para quem n�o sofre do problema, parece a coisa mais inc�moda do mundo, mas o comerciante nem liga. "O tubo tem mais de 1 metro, eu me mexo � vontade", diz.

Quem cuida de Abramovitz � o neurologista Michele Dominici. Diretor do Sleep Laborat�rio dos Dist�rbios do Sono, do Rio de Janeiro, ele atribui boa parte das falhas de diagn�stico � complexidade do sono e dos dist�rbios relacionados a ele. Para se ter uma id�ia, a equipe de um laborat�rio de sono tem um n�cleo formado por neurologistas, psic�logos, psiquiatras e pneumologistas, mas trabalha em conjunto com muitos outros especialistas, como otorrinos, dentistas, cardiologistas e endocrinologistas. A mesma queixa � sonol�ncia diurna em decorr�ncia de noites maldormidas � pode ter v�rias causas, entre elas depress�o, apn�ia do sono e at� um aparentemente simples, mas n�o incomum, ranger de dentes.

Contar carneirinhos � A dificuldade n�o se esgota a�. "A vida moderna tem muito mais elementos que conspiram contra o sono reparador do que motivos para descansar em paz", diz Marco T�lio de Mello, professor da Escola Paulista de Medicina. Uma pesquisa apresentada h� quinze dias no Congresso Latino-Americano de Sono, realizado em S�o Paulo, mostrou que 36% dos entrevistados atribu�ram sua dificuldade de dormir � falta de dinheiro. A competi��o no mercado de trabalho, o medo de perder o emprego, a viol�ncia nas grandes cidades e o stress do corre-corre cotidiano completam o quadro. Segundo pesquisa realizada pela Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de S�o Paulo, nada menos que 82% dos paulistanos t�m queixas sobre a qualidade de seu sono.

Antes, quem n�o conseguia dormir tinha como �nica op��o de tratamento, al�m de truques bobos como contar carneirinhos, o uso de rem�dios com efeitos colaterais terr�veis no dia seguinte. Al�m de tudo, esses medicamentos causavam depend�ncia. S� no fim da d�cada de 60 foram descobertas a exist�ncia das etapas do sono e a import�ncia da fase mais profunda, na qual acontecem os sonhos. Hoje existem exames que registram minuciosamente tudo o que ocorre no organismo do primeiro ao �ltimo minuto do sono e � poss�vel fazer um diagn�stico preciso do mal a ser atacado.

Para quem tem problemas respirat�rios e ronca, h� desde a m�scara usada por Abramovitz at� aparelhos que corrigem a mand�bula, passando por cirurgias nos casos mais graves. Os que est�o sofrendo de ins�nia por causa de um stress de origem conhecida, como prova de vestibular, perda de parente ou div�rcio, contam com um leque de medicamentos de nov�ssima gera��o, com poucos efeitos colaterais e menor risco de depend�ncia. Para quem padece de ansiedade e depress�o, existem rem�dios e terapias espec�ficas. Felizmente para a maioria, uma boa noite ainda depende mais de coisas simples, como hor�rios regulares de dormir e de se alimentar, exerc�cios f�sicos e uma cama confort�vel.
  Acontece
Passagens do Cotidiano
Fatos, contos e cr�nicas da rotina di�ria
.
.
A pousada na reserva florestal de Campos do Jord�o
N�o existe oferta melhor na est�ncia mais alta do Brasil! Conforto e sossego a apenas 4,5 km do centro!
Venha desfrutar de um ver�o refrescante, onde as temperaturas jamais excedem a 23 graus!
Fa�a um tour fotogr�fico pela pousada clicando aqui
P�gina Inicial
Hosted by www.Geocities.ws

1