Mais uma Amea�a                           Veja 15/07/1998
Disfun��es na tire�ide s�o um problema comum entre mulheres com mais de 40 anos

Na foto abaixo, Maria Aparecida: excesso de peso, mesmo depois da cirurgia em que extraiu a tire�ide

Uma pequena gl�ndula em formato de borboleta, a tire�ide, anda tirando o sono das mulheres de mais de 40 anos � aquele mesm�ssimo contingente que, para driblar a inexor�vel marcha do tempo, combina gin�stica e tratamentos est�ticos com consultas m�dicas, exames e cuidado redobrado com a sa�de. Mais sujeitas do que nunca ao c�ncer de mama, � depress�o e outros males, as mulheres nessa fase da vida, sabe-se agora, tamb�m s�o mais propensas a ter problemas de tire�ide. N�o se trata de uma doen�a especificamente feminina, mas � quase como se fosse: para cada grupo de cinco mulheres com disfun��o da tire�ide, apenas um homem tem o mesmo problema. A incid�ncia aumenta com a idade e, na faixa dos 40 anos, atinge 30% da popula��o feminina.

Instalada na base do pesco�o, a tire�ide � respons�vel pelo controle do metabolismo. At� pouco tempo atr�s, sua import�ncia no quadro geral da sa�de era freq�entemente subestimada. Assim, pessoas obesas muitas vezes apresentavam tire�ide pregui�osa (o hipotireoidismo), sem que os m�dicos fizessem a devida conex�o entre os dois problemas. Hoje, sabe-se que o aumento de peso pode ser um dos principais sintomas do hipotireoidismo. "Cada vez mais as pessoas v�o ao endocrinologista para controlar peso e saem da consulta com esse diagn�stico. Nos �ltimos cinco anos, triplicou o n�mero de mulheres cuja raz�o dos quilos a mais � creditada a dist�rbios da tire�ide", contabiliza o endocrinologista Alfredo Halpern. Isso n�o significa que a doen�a se tenha tornado mais comum nos tempos atuais. "O que avan�ou foi a capacidade de fazer diagn�stico preciso, gra�as ao aprimoramento dos exames", explica Marcos Roberto Tavares, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabe�a e Pesco�o. Para mostrar como as disfun��es da tire�ide n�o s�o um mal moderno, os m�dicos costumam citar o exemplo das madonas renascentistas. Em seus pesco�os avantajados, os especialistas enxergam o papo caracter�stico do hipotireoidismo.

Ar condicionado � A tire�ide funciona mais ou menos como um aparelho de ar condicionado previamente programado para manter determinada temperatura ambiente. Quando o sangue apresenta quantidade suficiente do horm�nio que ela fabrica, a gl�ndula interrompe sua produ��o. Nos momentos em que o corpo necessita de mais horm�nio, a tire�ide volta a trabalhar. Os problemas acontecem quando ela se atrapalha e produz horm�nio demais (hipertireoidismo) ou de menos (hipotireoidismo). "No primeiro caso, o corpo funciona em ritmo acelerado. No segundo, ele usa sua energia mais lentamente", explica o cirurgi�o Marcelo Durazzo. Os sintomas costumam ser opostos (veja quadro), e o tratamento � � base de comprimidos di�rios � ou do horm�nio que falta, ou de bloqueadores para conter o excesso. A dimens�o exata do problema � mostrada em exames especializados, mas a primeira avalia��o passa por um simples toque externo, pr�tica cada vez mais comum nos consult�rios m�dicos. Pelo toque se detecta principalmente a presen�a de n�dulos. Uma vez existentes, os m�dicos utilizam dois procedimentos: a extra��o total ou parcial da gl�ndula.

Viver sem tire�ide n�o chega a ser um grande problema. Ela pode ser substitu�da por comprimidos de horm�nio que garantem o equil�brio do metabolismo. Quem segue a receita direitinho se livra, teoricamente, de todos os sintomas inc�modos. N�o � raro, por�m, que uma pessoa obesa, v�tima de tire�ide defeituosa, continue engordando depois de operada. "Eu engordei 18 quilos", queixa-se a funcion�ria p�blica Maria Aparecida Moutinho, de 44 anos, que extraiu a tire�ide h� tr�s. Os m�dicos garantem que, em casos como esse, o vil�o dos quilos em excesso tem de ser identificado em outra parte do corpo.

Tratada, a tire�ide n�o interfere no peso, �nimo ou humor. N�o tratada, ela embaralha tudo isso e mais um pouco. Carente de horm�nio, a mulher, al�m de engordar, sente-se cansada e desanimada. Com horm�nio em excesso, vive agitada. Nos Estados Unidos, onde se sup�e que 13 milh�es de pessoas sofram de problemas de tire�ide e mais da metade nem desconfie disso, associa��es m�dicas promoveram no ano passado uma campanha nacional de alerta. Tamb�m l�, os m�dicos pressionam para que uma ultra-sonografia do pesco�o seja inclu�da na rotineira bateria de controles das mulheres em fase de pr�-menopausa, como mamografia e exames de press�o, cora��o e colesterol. � pr�pria mulher recomenda-se que, como no caso da mama, apalpe a �rea da tire�ide, em busca de altera��es. Aos 40 anos, com as defesas em baixa, todo cuidado � pouco.
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