O Vale da Fortuna Veja 08/07/1998 Uma nova e pr�spera metr�pole surge da fus�o das cidades na regi�o entre S�o Paulo e Rio
O Vale do Para�ba, uma fieira de cidades m�dias e pr�speras entre S�o Paulo e Rio de Janeiro, fervilha desde as primeiras horas da manh�. Centenas de novas f�bricas, shopping centers, edif�cios e obras da mais variada natureza est�o produzindo na regi�o um fen�meno urbano de caracter�sticas �nicas no Brasil. A conurba��o, como � definido pelos t�cnicos o entrela�amento do tra�ado urbano de duas ou mais cidades, est� come�ando a delinear nessa �rea a mais nova e extensa metr�pole brasileira. Com cerca de 1,5 milh�o de habitantes, ela come�a na periferia da Grande S�o Paulo e, com intervalos maiores ou menores entre as cidades que a integram, se esparrama pelas margens da Via Dutra, a rodovia de maior movimento no pa�s, por onde passam 80.000 ve�culos por dia. O trecho paulista do Vale � hoje a regi�o que mais gera empregos e mais atrai investimentos no Brasil. � como um pa�s encravado em S�o Paulo. Sua produ��o anual de riqueza, da ordem de 10 bilh�es de d�lares, a coloca no mesmo patamar de pa�ses como L�bano, Paraguai e Costa Rica. S�o Jos� dos Campos, o principal p�lo da regi�o, com meio milh�o de habitantes, contabiliza uma renda per capita de 12.000 d�lares, mais que o dobro da m�dia brasileira.
Espremidos entre o Rio Para�ba e a Serra da Mantiqueira, os moradores fazem da Via Dutra uma avenida interurbana, trafegando por ela cotidianamente. Uns moram em Taubat� e trabalham em S�o Jos� dos Campos. Outros vivem em Lorena e ganham dinheiro em Pindamonhangaba. As cidades cresceram tanto e seus mapas se confundiram de tal maneira que j� n�o � mais poss�vel precisar quando se sai de S�o Jos� e se entra em Jacare�. Suas ruas entrela�am-se. "A fus�o total das cinco cidades � coisa para apenas mais uma d�cada", garante Geraldo Alckmin Filho, vice-governador de S�o Paulo.
Menos polui��o � O que est� ocorrendo no Vale � o novo renascimento de uma regi�o que, em outras �pocas, marcou a hist�ria econ�mica brasileira. O primeiro surto de desenvolvimento ocorreu no s�culo passado, com a cafeicultura. Os bar�es do caf�, como eram chamados os donos das bel�ssimas fazendas existentes no Vale, dominaram durante d�cadas as decis�es pol�ticas no pa�s. Com a transfer�ncia da cafeicultura para outras regi�es, o Vale entrou em decl�nio. Renasceu com a industrializa��o nos anos 50. Hoje, � uma �rea t�o industrializada quanto o ABC paulista. Com a diferen�a de que, l�, as ind�strias s�o de tecnologia mais avan�ada, poluem menos e est�o mais bem distribu�das. O novo boom de crescimento do Vale se deve muito � migra��o das ind�strias da Grande S�o Paulo, que buscam �reas menos congestionadas, de atividade sindical menos intensa e com melhor qualidade de vida. Contribui para a expans�o a melhoria da infra-estrutura, em especial a amplia��o e a reforma da Via Dutra, rec�m-privatizada. Isso facilitou muito o escoamento de produtos da regi�o.
Hoje, h� uma guerra declarada por novos investimentos entre as cidades do Vale. Com doa��o de terras e investimento na infra-estrutura urbana, al�m de isen��es tribut�rias, as cidades do Vale fazem qualquer neg�cio para atrair novas empresas. Taubat�, cidade de 220.000 habitantes, v� uma nova f�brica nascer a cada noventa dias. "N�o jogamos a toalha no ringue em nenhuma hip�tese", afirma o engenheiro aeron�utico Emanuel Fernandes, prefeito de S�o Jos� dos Campos. "Nem n�s", contra-ataca o administrador de empresas Antonio Ortiz, prefeito de Taubat�. As novas ind�strias chegam para desfilar em conjunto com gigantes j� instalados, todos realizando investimentos e se modernizando. A GM de S�o Jos� dos Campos, uma das maiores f�bricas do grupo no mundo, prepara em sigilo a instala��o de uma nova linha de montagem ao lado das que j� fazem o Corsa e a Blazer. Uma coisa chama outra. A f�brica de baterias Delphi e a Johnson Control, fabricante de bancos, airbags e revestimentos, chegaram atra�das pela GM. A cada segundo, em 57 pa�ses nos cinco continentes � acionado um motor que move um carro, um caminh�o ou avi�o fabricado no munic�pio. Sozinha, a Embraer, privatizada em 1994, vai investir meio bilh�o de d�lares e aumentar em 50% suas vagas de trabalho. Atr�s das ind�strias chegam os servi�os. S�o Jos� dos Campos tem cinco shoppings.
Ind�stria da paz � O Vale, que conheceu o esplendor industrial nos anos 70, com as ind�strias da guerra, v� agora brotar as ind�strias da paz. A Embraer chegou a ter 13000 funcion�rios e fabricava, predominantemente, avi�es militares. Hoje, joga no espa�o jatos civis regionais que dominam o mercado internacional. "A Embraer ser� uma das maiores receitas de exporta��o do pa�s j� no pr�ximo ano, com 1,2 bilh�o de d�lares de vendas no exterior", garante o prefeito Emanuel Fernandes. A Avibr�s, que despejava modernos lan�a-m�sseis nos campos de batalha do Oriente M�dio, fabrica agora tratores e perif�ricos para a ind�stria de inform�tica. A Engesa, outrora fabricante de blindados, faliu.
Uma grande vantagem do Vale s�o suas escolas. S�o Jos� � sede do Instituto Tecnol�gico da Aeron�utica, ITA, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Inpe, al�m de tr�s escolas de engenharia e outras tantas de ensino t�cnico. Taubat� tem a Unital, universidade com 12.000 alunos e 33 cursos, de medicina a engenharia, de administra��o de empresas a filosofia. Os empres�rios estrangeiros, e mesmo alguns nacionais, sentem-se atra�dos pelas cidades do Vale n�o s� pela proximidade de S�o Paulo e do Rio de Janeiro, como pelo conforto e seguran�a que oferecem a seus executivos. Tudo isso tem feito do Vale do Para�ba um exemplo no qual o pa�s deveria se inspirar. |