Inferno no Para�so                                Veja 12/07/2000
Em Fernando de Noronha a vida � cara, faltam �gua e telefone e at� casar � uma complica��o

Para os 50 000 turistas que viajam para l� a cada ano, o Arquip�lago de Fernando de Noronha � um peda�o do para�so na Terra. As praias de areia branca e �guas cristalinas s�o povoadas por uma fauna riqu�ssima. Num mergulho, � poss�vel observar tartarugas, arraias gigantes, milhares de peixes coloridos e nadar acompanhado por golfinhos rotadores. A paisagem exuberante faz muita gente considerar o arquip�lago o lugar mais bonito do Brasil. Assim � Fernando de Noronha que todo mundo conhece, ao menos de fotografia. O que poucos imaginam � que ali o cotidiano dos moradores est� mais para inferno do que para para�so. A falta de infra-estrutura, a dist�ncia do continente e a preocupa��o com a preserva��o da natureza fizeram de Fernando de Noronha um dos lugares mais inabit�veis do pa�s. O custo de vida � alt�ssimo, faltam servi�os b�sicos como �gua e telefone, n�o h� transporte p�blico e a vida dos habitantes � pautada por um ros�rio de regras que tornam a simples compra de um milheiro de tijolos um tormento burocr�tico.

Todas as regras existentes em Fernando de Noronha foram criadas para preservar um dos santu�rios ecol�gicos mais preciosos do mundo. E elas funcionam bem. Hoje, apesar do n�mero de turistas que recebe todo ano, Noronha � um lugar bem-cuidado. A paisagem permanece praticamente intocada, os animais est�o protegidos e n�o h� nenhuma amea�a grave � natureza. Nesse aspecto, � um exemplo a ser seguido em outras regi�es do pa�s. Para os 3 000 brasileiros que l� vivem, no entanto, a situa��o � complicada. Eles est�o proibidos de construir novas casas porque isso agravaria o problema da falta de �gua e implicaria destrui��o ambiental. Carro novo tamb�m est� temporariamente proibido de modo a evitar o crescimento da frota, que atualmente � de 400 ve�culos.

Para reformar a casa, comprar um ar-condicionado ou trazer uma televis�o do continente, � preciso ter uma autoriza��o assinada pelo administrador do arquip�lago, S�rgio Salles. Todos os visitantes s�o obrigados a pagar um imposto de 21,28 reais por dia a t�tulo de preserva��o ambiental. Como o valor da taxa aumenta com o tempo, quem fica um m�s tem de pagar mais de 1 700 reais. Na pr�tica, at� para casar � necess�rio pedir a b�n��o de Salles. Um noronhense casado com algu�m de fora da ilha tem de provar que pode abrigar o c�njuge para que ele vire residente e fique isento da taxa. "Se ele ou ela n�o tiver condi��es de acolher outra pessoa em casa, eu n�o permito", diz Salles. "N�o posso contribuir para o processo de faveliza��o."

Salles est� no cargo h� um ano e meio. Indicado pelo governador de Pernambuco, � uma esp�cie de prefeito sem c�mara dos vereadores com poderes quase plenipotenci�rios. � ele quem decide quantos carros podem circular pela ilha ou quem pode construir o qu�. Sua miss�o � zelar pela natureza do lugar sem tornar dif�cil demais a vida dos moradores. N�o � uma tarefa simples. O arquip�lago de Fernando de Noronha � composto de 21 ilhas, mas s� a maior, que tem o mesmo nome do arquip�lago, pode ser habitada. A ilha tem 17 quil�metros quadrados e 60% de sua �rea est� ocupada pelo Parque Nacional. Sobram 7 quil�metros quadrados para os 3 000 moradores. Atualmente, existem 500 im�veis no local. Um estudo est� sendo feito para reavaliar o tamanho da popula��o e a quantidade de resid�ncias e carros que a ilha � capaz de comportar. O estudo deve ficar pronto em agosto. At� l�, ningu�m pode construir.

As regras de preserva��o ambiental criam situa��es curiosas. Em Fernando de Noronha � comum encontrar casais divorciados vivendo sob o mesmo teto. O casamento acaba, mas ex-marido e ex-mulher permanecem morando juntos at� conseguir autoriza��o para levantar uma nova casa. Desde que se separou, h� seis anos, Jos� Ivaldo da Silva, 36 anos, encarregado de almoxarifado, vive na mesma casa que a ex-mulher, Luzineide Moraes. Tudo que o ex-casal conseguiu foi autoriza��o para construir uma parede dividindo a casa e um muro separando os quintais. A metade da casa que pertence a Luzineide e a seu novo marido foi reformada e ganhou pintura nova. A outra ficou como era antes. "� a �nica solu��o, j� que aqui n�o tem para onde ir", explica Silva.

�gua da chuva � Perto de 95% da popula��o de Fernando de Noronha vive do turismo. As pousadas funcionam nas pr�prias resid�ncias locais. Para evitar que o n�mero de pousadas cres�a, a administra��o controla a entrada de eletrodom�sticos como ar-condicionado e frigobar. A falta de servi�os b�sicos � cr�nica. A �gua, captada da chuva, s� chega de dois em dois dias. Embora existam 450 linhas de telefone instaladas na ilha, s� 29 pessoas podem falar ao mesmo tempo em virtude do espa�o dispon�vel no sat�lite. N�o h� �nibus, e o quil�metro rodado nos t�xis chega a custar 6 reais � mais de sete vezes o pre�o cobrado no Recife. Por falta de professores locais, as aulas da �nica escola do arquip�lago chegam em forma de telecursos, pela televis�o.

O isolamento e a dist�ncia do continente criam outros transtornos. Uma pesquisa mostrou que um quarto da popula��o da ilha j� enfrentou problemas com alcoolismo. O que � apenas uma cervejinha gelada na praia para os turistas � o programa de todo dia dos moradores de Fernando de Noronha. O que � apenas uma viagem de f�rias para o turista � a casa do ilh�u. � a� que o para�so perde a gra�a.
  Acontece
Passagens do Cotidiano
Fatos, contos e cr�nicas da rotina di�ria
.
.
A pousada na reserva florestal de Campos do Jord�o
N�o existe oferta melhor na est�ncia mais alta do Brasil! Conforto e sossego a apenas 4,5 km do centro!
Venha desfrutar de um ver�o refrescante, onde as temperaturas jamais excedem a 23 graus!
Fa�a um tour fotogr�fico pela pousada clicando aqui
P�gina Inicial
Hosted by www.Geocities.ws

1