| Ilha dos Extremos Veja 13/05/1998 Beleza, solid�o e perigo convivem no ponto mais remoto do Brasil no Atl�ntico Ao nascer do sol, o comandante Andr� Fernandes M�s ordena a redu��o da velocidade do Ary Rongel, o navio polar da Marinha. Inacredit�veis escarpas afloram do fundo do mar. S�o picos e montanhas quase duas vezes mais altos que o P�o de A��car, em colora��es que se alternam do negro ao grafite e ao cinza-claro, outras do ocre ao vermelho. O mar azul-profundo bate com estrondo no litoral rochoso da Ilha da Trindade, a por��o mais long�nqua do Brasil, perdida no meio do Atl�ntico � a 1.200 quil�metros de Vit�ria. � um para�so ecol�gico guardado por 32 volunt�rios da Marinha, que se revezam a cada quatro meses. Leva-se quatro dias para fundear nos corais da ilha, mas a beleza da fauna marinha, das samambaias gigantes, �nicas no mundo, e dos picos vulc�nicos paga qualquer sacrif�cio. Aqui, a palavra "f�cil" foi banida. Uma caminhada de 2 quil�metros consome quatro horas, �s vezes uma tarde inteira. H� que conquistar montanhas, caminhar sobre imensos seixos cobertos de limo e, sobretudo, manter a calma e o equil�brio quando as ondas rebentam furiosas. Nadar, nem pensar. � coisa para veterano, que conhece na palma da m�o as trai�oeiras correntes submarinas conhecidas como "chupas". Tr�s piscinas naturais aliviam o calor dos que por ali passam. As ondas batem nas pedras e enchem as piscinas. Com cerca de 3 metros de profundidade e peixes em abund�ncia, d�o ao nadador a sensa��o de estar dentro de um aqu�rio. A aproxima��o da ilha � dif�cil. Com 9,2 quil�metros quadrados, Trindade oferece um litoral de corais que impedem a atraca��o. O pico mais elevado, o Desejado, tem 600 metros de altitude. Mesmo portentosas ao olhar, as montanhas parecem fr�geis como um castelo de cartas. Sua origem vulc�nica � o maior atestado dessa fragilidade monumental. A �ltima erup��o deve ter ocorrido h� 50.000 anos. A ilha � o ponto extremo da cadeia submarina que parte do litoral do Esp�rito Santo e mergulha at� uma profundidade de 5.000 metros. Nesse ponto, duas erup��es fizeram surgir as ilhas da Trindade e Martim Vaz, separadas por 30 quil�metros, e descobertas em 1501 pelo navegador portugu�s Jo�o da Nova. A Marinha mant�m na ilha um posto avan�ado de observa��es meteorol�gicas. Todas as manh�s um bal�o carregando um transmissor sobe a 25.000 metros e envia informa��es sobre o vento, temperatura e press�o. De dois em dois meses � a festa. Chega o navio para troca de metade da guarni��o e abastecimento. No primeiro dia, parece filme de Vietn�, com o ru�do incessante do helic�ptero decolando e pousando para trazer desde frangos, tomates e g�neros at� motores e pe�as sobressalentes. O comandante Djalma Cavalcanti, que acaba de cumprir quatro meses comandando Trindade, aponta o "banzo" como grande inimigo. "Marujo com olhar perdido no mar � perigo na certa." S� existe uma terapia: trabalho intensivo. Tesouros e piratas -- Tubar�es? Barracudas? Mor�ias? Est�o todos l�, mas n�o atacam. O icti�logo capixaba Jo�o Gasparini explica a mansid�o dessas feras do mar: "Est�o t�o saciadas em seu apetite com a profus�o de peixes que n�o se sentem impelidas ao ataque." Na ilha n�o h� animais a temer. N�o h� cobras nem mosquitos. Um grande perigo s�o as ondas "camelo". Aparecem sem se fazer anunciar. O contratorpedeiro Beberibe foi jogado sobre as pedras por uma sucess�o de "camelos" nos idos de 60. O veleiro franc�s Le Roi des Harengs foi destro�ado contra as rochas em 1995, assim como o pesqueiro chin�s Hwa Shing, cuja tripula��o uruguaia se amotinou, assassinando o comandante e o cozinheiro. Trindade foi coberta por uma vegeta��o exuberante at� 200 anos atr�s. Um s�culo antes, o astr�nomo ingl�s Edmond Halley soltou algumas cabras na ilha como provis�o de emerg�ncia para algum n�ufrago. Sem um predador � sua altura, as cabras devoraram a vegeta��o. A Marinha j� ca�ou quase todas com tiros de fuzil. Restaram apenas as samambaias gigantes. Podem atingir at� 6 metros de altura, desafiando bot�nicos que ainda nada descobriram sobre sua origem. Desde sua descoberta, Trindade passou de abandonada a cobi�ada por piratas ingleses, que nela escondiam tesouros e navios negreiros. Em 1895 foi ocupada pelos ingleses com grande sem-cerim�nia, sob o pretexto de construir uma base para a liga��o da Inglaterra com a Argentina por cabo submarino. O Brasil apostou na diplomacia e levou. Em 1897, a tripula��o do navio Benjamin Constant colocou o marco que l� permanece: "O direito vence a for�a". Trindade � um dos raros santu�rios para a desova das tartarugas oce�nicas. Esses imensos animais, com cerca de 300 quilos, arrastam-se vagarosamente at� as poucas praias para depositar seus ovos. Cavam um buraco nas areias vulc�nicas e p�em em torno de 120 ovos. Siris e caranguejos formam o ex�rcito de predadores. Estudiosos garantem que a chance de uma tartaruga atingir a idade adulta � de uma ou duas em 1.000. Bi�logos do Projeto Tamar zelam pela desova, de janeiro a abril, e n�o deixam ningu�m se aproximar. Os marinheiros n�o resistem. "Quem vai deixar uma tartaruguinha ser devorada por um caranguejo?", indaga o sargento Freitas. "Dane-se a tal lei das esp�cies. Temos de salv�-las." O navio chin�s atirado sobre as rochas por ondas gigantes, tubar�o, filhote de tartaruga e caranguejo: um lugar de mar bravio e animais inofensivos |
| Acontece |
| Passagens do Cotidiano Fatos, contos e cr�nicas da rotina di�ria |
| . |
| . |
![]() |
![]() |
| A pousada na reserva florestal de Campos do Jord�o |
| N�o existe oferta melhor na est�ncia mais alta do Brasil! Conforto e sossego a apenas 4,5 km do centro! |
| Venha desfrutar de um ver�o refrescante, onde as temperaturas jamais excedem a 23 graus! |
| Fa�a um tour fotogr�fico pela pousada clicando aqui |
![]() |