| A For�a das Cidades M�dias Veja 07/03/2001 Uma pesquisa in�dita mostra como a riqueza no pa�s est�, aos poucos, indo para centros menores Itajub�, em Minas: cidade m�dia cuja efervesc�ncia atrai riqueza Florian�polis � um fen�meno nacional. Nos �ltimos anos, a capital de Santa Catarina come�ou a chamar a aten��o pela exuber�ncia de suas praias e encostas e pela qualidade de vida que oferece a seus habitantes. Agora, surgiu outra raz�o para coloc�-la numa categoria especial: Florian�polis � a cidade brasileira que mais enriqueceu nas �ltimas tr�s d�cadas. Um estudo in�dito, feito pelo Instituto de Pesquisa Econ�mica Aplicada (Ipea), examinou o comportamento da economia dos cerca de 5.000 munic�pios brasileiros de 1970 a 1996 � um per�odo que inclui o chamado "milagre econ�mico" do regime militar, a "d�cada perdida" dos anos 80 e a fogueira inflacion�ria extinta com o Plano Real em 1994. A pesquisa, que consumiu tr�s anos de trabalho, revela que Florian�polis � a j�ia da coroa brasileira. Seu PIB per capita cresceu, em m�dia, 6% ao ano. � um colosso. Se o Brasil tivesse tido o mesmo desempenho nesse per�odo, seria hoje t�o rico quanto a Alemanha, mais rico que a Fran�a e a Inglaterra. Al�m de revelar o fen�meno da capital catarinense, a pesquisa do Ipea tra�a uma radiografia apurada das transforma��es do Brasil nas �ltimas d�cadas. Algumas conclus�es interessantes do estudo: A riqueza est� tomando o rumo das cidades m�dias. Elas cresceram num ritmo mais acelerado que as metr�poles � 5,2% ao ano, contra 4,7%. Consideradas em conjunto, t�m hoje uma participa��o no PIB nacional pr�xima � do conjunto das grandes cidades. Na ponta do l�pis, 36% do PIB est� nas cidades m�dias e 42% nas metr�poles. "O levantamento confirma que a riqueza no Brasil est� se desconcentrando, movida pela efervesc�ncia das cidades m�dias", diz o economista Aristides Monteiro Neto, do Ipea, autor do estudo. Os munic�pios m�dios que explodiram n�o est�o na �rbita das grandes metr�poles. Das vinte cidades que registraram as maiores taxas de crescimento do PIB per capita de 1970 a 1996, apenas duas (Igarassu, no Grande Recife, e Itagua�, no Grande Rio) est�o situadas nas franjas de suas metr�poles. "Isso mostra que as cidades que mais crescem est�o em pontos que at� pouco tempo atr�s eram quase um deserto", avalia o autor do estudo. O PIB industrial ainda � fortemente concentrado na Regi�o Sudeste, particularmente em S�o Paulo, mas est� lentamente se deslocando para outras regi�es. Em 1970, as regi�es Norte, Nordeste e Centro-Oeste respondiam por menos de 5% do PIB industrial do pa�s. Em 1996, essa participa��o j� havia pulado para 14%. � not�rio o esvaziamento do ABC paulista, que teve seu grande boom industrial nos anos 70. As tr�s cidades que formam o conjunto (Santo Andr�, S�o Bernardo do Campo e S�o Caetano do Sul) apareciam, todas elas, entre as onze mais ricas do pa�s. Em 1996, S�o Bernardo caiu seis posi��es e Santo Andr� despencou nove. S�o Caetano n�o aparece sequer entre as quarenta mais ricas. Apesar da predomin�ncia das cidades m�dias, isso n�o significa que as capitais de Estado estejam perdendo espa�o. Antes, na lista dos dez maiores PIBs municipais apareciam sete delas. Hoje, s�o s� capitais que comp�em a lista. As que ascenderam de posi��o s�o Manaus, Bel�m e Fortaleza. Em 1970, Florian�polis nem constava da lista dos cinq�enta maiores PIBs do Brasil. Agora, est� na 27� posi��o. Os PIBs mais robustos do pa�s seguem sendo os de S�o Paulo e Rio de Janeiro. Entre as vinte cidades de porte m�dio que mais se desenvolveram, a esmagadora maioria teve um desempenho not�vel na ind�stria. S� duas cresceram mais no setor de servi�os (Florian�polis e Porto Velho, capital de Rond�nia) e nenhuma teve seu melhor desempenho na �rea agr�cola. No livro Cidades M�dias Brasileiras, produzido por dois pesquisadores e com lan�amento previsto para este m�s, explica-se que esse fen�meno se deve � alta urbaniza��o das cidades m�dias de 1970 para c�. Outra raz�o � que, em geral, elas funcionam como centros distribuidores de servi�os para munic�pios vizinhos, os quais, por sua vez, se dedicam � agropecu�ria. Em outras palavras, � como dizer que as cidades m�dias est�o virando "pequenas capitais" de sua regi�o. "Elas se tornaram atraentes porque n�o s�o t�o pequenas, a ponto de n�o ter gente para consumir produ��es em escala industrial, nem t�o grandes, a ponto de ter custo de vida elevad�ssimo", diz Thompson Andrade, um dos organizadores do livro, vinculado ao N�cleo de Modelos Espaciais Sist�micos (Nemesis). O Brasil est� urbanizando seu interior num ritmo bastante acelerado. Hoje, as regi�es metropolitanas de S�o Paulo e Rio re�nem menos de 20% de toda a popula��o brasileira. Na Argentina e no M�xico, a concentra��o � maior. Nesses dois pa�ses, respectivamente, vivem nas capitais cerca de 30% e 20% das popula��es nacionais. No caso brasileiro, j� existem 111 p�los altamente populosos, embora esse espraiamento n�o seja compar�vel � realidade dos Estados Unidos, um pa�s de tamanho igualmente continental, mas com popula��o e economia geograficamente mais bem distribu�das. Mesmo assim, o Brasil vive um processo semelhante ao da Fran�a logo depois da II Guerra. Na �poca, a Fran�a era conhecida como "Paris e o deserto franc�s", mas uma pol�tica de desenvolvimento regional mudou isso. Por aqui, n�o h� pol�tica. A chamada "metropoliza��o" acontece como decorr�ncia natural do crescimento da economia brasileira. "� um fen�meno comum em pa�ses em desenvolvimento", diz Rodrigo Valente, o outro organizador do livro Cidades M�dias Brasileiras. |
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