Caminho do �den Veja 29/07/1998 Uma estrada para turistas torna mais f�cil e barato conhecer as belezas do Pantanal
A regi�o do Pantanal Mato-Grossense � uma das j�ias ecol�gicas mais espetaculares do planeta. Espalhada por uma �rea cinco vezes maior que o Estado do Rio de Janeiro, tem uma fauna exuberante com 32 milh�es de jacar�s, 2,5 milh�es de capivaras, 35.000 cervos-do-pantanal e uma infinidade de p�ssaros, segundo um censo recente feito pela Embrapa. Mesmo assim, permanece pouco visitada. Fala-se muito no Pantanal, mas pouca gente se disp�e a conhec�-lo pessoalmente. Calcula-se que pouco mais de 100.000 turistas foram at� l� no ano passado � apenas um d�cimo das pessoas que visitaram o Cear�. O reduzido n�mero de visitantes se deve, principalmente, � dificuldade de acesso. Fazer turismo na regi�o � caro e complicado. S� quem tem dinheiro para alugar um barco ou se hospedar num hotel-fazenda consegue ver mais de perto a paisagem e os animais. Uma iniciativa da prefeitura de Corumb� pretende mudar essa situa��o. No �ltimo s�bado foi inaugurada a Estrada Parque, uma via de terra batida que descortina o esplendor da regi�o, ao longo de 120 quil�metros. Andar por ela � a maneira mais simples e barata de conhecer o Pantanal. Os bichos est�o por toda parte, �s margens e tamb�m sobre a estrada.
A Estrada Parque tem seis mirantes com pain�is explicativos sobre a fauna e a flora da regi�o, placas indicativas da localiza��o de pousadas e um centro de orienta��o aos visitantes, ainda em constru��o. Tudo � muito r�stico, constru�do ao custo de 150.000 reais com madeiras ca�das naturalmente. Mas � um avan�o e tanto. Seguindo a trilha aberta pelo marechal Rondon no final do s�culo passado, a estrada foi o �nico acesso rodovi�rio a Corumb� at� a d�cada de 80. Em 1993, o governo estadual publicou decreto determinando que as antigas rodovias MS-184 e MS-228 ganhassem o nome de Estrada Parque Pantanal e fossem consideradas �rea Especial de Interesse Tur�stico. O nome pomposo pouco significou na pr�tica. S� agora a estrada passa a ter como finalidade o turismo. Em alguns pontos existem pousadas e campings e locais para aluguel de barcos para pesca.
O passeio come�a (ou termina) com uma vista da regi�o a partir do Maci�o do Urucum, uma serra logo na sa�da de Corumb�. Em seguida, a ampla vista divide a aten��o com a fauna. Embora os animais estejam espalhados ao longo de toda a estrada, cada esp�cie aparece com mais facilidade em determinados trechos. Mam�feros e jacar�s ficam mais concentrados entre o Rio Paraguai e a Curva do Leque, uma �rea que costuma ficar submersa na �poca das cheias, de fevereiro a junho. Os p�ssaros est�o nas partes mais secas da Curva do Leque at� o entroncamento com a BR-262 no fim da estrada. A viagem permite uma avalia��o curiosa do comportamento dos animais. Existem as esp�cies mais e as menos exibicionistas. As capivaras andam sempre em grandes grupos e s�o muito mansas. Por vezes, � necess�rio buzinar insistentemente para tir�-las do caminho. Jacar�s s�o arredios e, a um movimento mais brusco, escondem-se na �gua.
Piracema � As margens das ba�as est�o sempre repletas de tuiui�s, enquanto as cobras se enroscam nas �rvores de um e outro lado da estrada. � necess�rio prestar muita aten��o para v�-las. J� para encontrar um macaco-prego � preciso sorte. Topar com alguma on�a-pintada � quase imposs�vel. Elas nunca se aproximam da estrada. Tamb�m � importante saber escolher �poca e hor�rio para fazer o passeio. A melhor temporada para ver a bicharada vai de agosto a novembro, per�odo em que o Pantanal est� vazando, mas ainda n�o est� seco. Os melhores per�odos s�o o nascer e o p�r-do-sol, quando os bichos buscam a estrada para se aquecer. Os peixes ficam aprisionados nas lagoas tempor�rias atraindo todos os animais que deles se alimentam.
A estrada pretende chamar a aten��o de um novo tipo de visitante: aquele que gosta de contemplar a natureza. Por enquanto, mais da metade dos turistas que visitam Corumb� o fazem seduzidos pela pesca. "O turismo proporcionado pela pesca � muito importante para a cidade, mas est� longe de ser suficiente", afirma Angelo Rabelo, secret�rio de Meio Ambiente de Corumb�. "Nos quatro meses de piracema, quando a pesca � proibida, uma estrutura de 60 milh�es de reais fica ociosa e 3.000 empregos desaparecem", conta. Atributos naturais n�o faltam. O problema � o custo das viagens. "Queremos que a Estrada Parque mude isso." diz a bi�loga Silvia Gerv�sio, diretora executiva para o turismo da prefeitura de Corumb�. |