A Boa Vida no Interior                 Veja 11/03/1998
Em busca de tranq�ilidade, 41% dos brasileiros querem dist�ncia das metr�poles

J� se disse que a principal caracter�stica da demografia nacional est� no fato de os brasileiros se concentrarem na costa � de costas para o vasto interiorz�o, o sert�o, o cora��o da p�tria. At� pouco tempo atr�s, havia bons motivos para isso acontecer. Universidades reputadas, empregos bem remunerados, hospitais equipados, redes de supermercados e shopping centers eram privil�gios restritos �s grandes capitais brasileiras. Quem n�o abrisse m�o de tais servi�os era automaticamente obrigado a conviver com congestionamentos, alto custo de vida, polui��o e viol�ncia crescentes. N�o � mais assim. Rec�m-conclu�do, um estudo do IBGE com base no levantamento populacional de 1996 atesta: hoje, o segmento da popula��o que mais cresce no pa�s est� em 181 cidades m�dias pulverizadas pelo interior, com popula��o entre 100.000 e 500.000 habitantes. O n�mero de moradores desses munic�pios multiplica-se � m�dia de 2,2% ao ano, 60% maior que o �ndice nacional, que � de 1,38%. � o �nico grupo de cidades com crescimento demogr�fico acima da m�dia brasileira, e isso n�o acontece porque os habitantes dessas cidades sejam entusiasmados adeptos de proles numerosas. Caracteriza, isso sim, uma verdadeira corrida em dire��o ao interior, que inverte o fluxo migrat�rio firmado ao longo de s�culos, sempre apontado para as metr�poles litor�neas do Sul maravilha. As novas mecas s�o munic�pios como Po�os de Caldas, em Minas Gerais, S�o Jos� do Rio Preto, em S�o Paulo, Ilh�us, na Bahia, Maring�, no Paran�, ou Sobral, no Cear�.

"A maioria das pessoas busca no interior as vantagens da vida urbana que acabaram se tornando inacess�veis nas grandes cidades", diz o professor Jos� Guilherme Magnani, coordenador do N�cleo de Antropologia Urbana da USP. Uma pesquisa do Ibope, realizada com exclusividade para VEJA, revelou que 41% dos moradores das capitais e regi�es metropolitanas querem trocar a cidade grande pelo interior, motivados pelo id�lio de ter uma vida mais tranq�ila (73% dos entrevistados) ou se expor menos � viol�ncia urbana (43%) (veja quadro abaixo). Ao todo, s�o 23,5 milh�es de pessoas � o mesmo que as popula��es somadas dos Estados de Minas Gerais, Santa Catarina e Esp�rito Santo � querendo mudar de endere�o. Os entrevistados querem tudo aquilo que o crescimento desordenado usurpou das metr�poles, mas com o emprego e a infra-estrutura urbana bem ao alcance das m�os. N�o se trata, por isso, de um frugal sonho campestre. N�o � de retorno � vida rural que se est� falando. �, antes, o retorno a uma vida que as grandes cidades brasileiras ofereciam antes de ser atopetadas de indigentes, mendigos, criminalidade, tr�fico de drogas, congestionamentos, loucura.

Cidade gentil � No depoimento de Thiago Belfort, de 43 anos, est� a s�ntese dessa nova onda migrat�ria: "Eu queria voltar a viver numa cidade gentil como a S�o Paulo que conheci na inf�ncia, quando podia brincar na rua com os amigos e passear � tarde na pracinha com meus pais, sem medo de ser assaltado. Aquela minha S�o Paulo gentil tamb�m era uma metr�pole buli�osa, que oferecia a nossa fam�lia todas as coisas bacanas de uma cidade grande". Hoje morando em Po�os de Caldas, na divisa de Minas Gerais com S�o Paulo, Belfort encontrou o que procurava. Em S�o Paulo, sua vida era um pesadelo. Ganhava 6.000 reais como operador do mercado financeiro e a fam�lia tinha um bom padr�o. Mas o pre�o era alto demais. Belfort perdia duas horas por dia em congestionamentos e foi assaltado quatro vezes com a mulher, a publicit�ria Magali. A tens�o era tanta que ele, diab�tico, passou a ter crises freq�entes, motivadas pelo stress. "Estava ficando doente, ent�o resolvi dar um basta antes que fosse tarde demais", diz. No ano passado ele abandonou o emprego e decidiu abrir seu pr�prio neg�cio em Po�os de Caldas. Com a ajuda da esposa e das filhas adolescentes, comanda uma lanchonete incrementada que vende at� 150 sandu�ches por dia. A renda da fam�lia caiu pela metade, mas o rombo na conta banc�ria n�o foi t�o grande assim. Seus gastos com educa��o foram cortados, porque a escola particular das meninas, com n�vel e equipamentos an�logos aos da capital, tem mensalidades 50% menores. Por fim, a fam�lia p�de at� abrir m�o do autom�vel, roubado em uma recente viagem para � sempre ela � S�o Paulo, � claro. "Aqui tudo � pertinho e podemos andar na rua a qualquer hora sem ser molestados por ningu�m", diz. Belfort trabalha em m�dia dez horas por dia, mas n�o reclama da falta de tempo para curtir a vida com a fam�lia. "Em um ano fomos mais juntos ao cinema do que em toda a �ltima d�cada vivida em S�o Paulo", comemora.

Hoje: Depois que se mudou para S�o Jos� do Rio Preto h� um ano, o diretor comercial Jo�o Settani gasta apenas dois minutos para chegar ao trabalho. Antes de sair de casa toma banho de piscina.  Antes: Settani morava em um bairro afastado de S�o Paulo e gastava pelo menos uma hora e meia para chegar ao trabalho. Tinha crises de stress. Para fugir dos congestionamentos, dirigia pelo acostamento, o que � proibido por lei.

Hoje: Ele chega ao escrit�rio, onde comanda, pela Internet, uma rede de revendas Mercedes-Benz. Com menos gente de olho no seu cargo, o trabalho � menos estressante. Os colegas tornaram-se seus amigos. 
Antes: Settani trabalhava freneticamente e costumava ficar no escrit�rio depois do expediente para colocar a agenda em dia. 
Hoje: Como tem tempo de sobra, Settani almo�a em casa. 
Antes: Ele mal tinha tempo de engolir um sandu�che porque o telefone celular n�o parava de tocar. Passava dias sem ver os filhos. 

Hoje: Settani volta para casa antes das seis da tarde. Seu programa predileto � caminhar com a esposa, Irene, em uma pra�a arborizada do bairro onde mora. 
Antes: O expediente s� terminava por volta das oito da noite porque Settani perdia muito tempo no tr�nsito quando precisava visitar um cliente. Meio-diaSeis horas da tardeOito horas da noite

Hoje: O executivo tem sempre cervejas e picanhas no freezer para preparar churrascos para os amigos que gostam de visit�-lo em sua casa de 980 metros quadrados. 
Antes: Settani chegava em casa �s 9 horas da noite. Cansado, n�o tinha disposi��o para ir ao cinema ou encontrar os amigos. Dormia cedo. 

Menor e melhor � Essa nova onda migrat�ria s� se tornou poss�vel porque o coreto e as pombas da pra�a central, o c�u aberto, o horizonte largo e o ar despolu�do ficaram mais perto do mund�o. Est�o cabeados por TVs pagas, antenados a sat�lites, plugados na Internet, e o aeroporto � logo ali. Um dos sinais mais marcantes dessa mudan�a est� nos avi�es que cruzam os c�us do interior. Nos �ltimos dez anos, o n�mero de v�os regionais saltou de 118.000 para 273.000 por ano. Representam hoje 55% da movimenta��o a�rea do pa�s. Somados, os pousos e decolagens no aeroporto de Ribeir�o Preto, um desses novos edens em S�o Paulo, saltaram de 7.800 para 30.000 opera��es por ano, 10.000 a mais do que o movimento do aeroporto internacional de Belo Horizonte. Tamb�m n�o � mais necess�rio usar camisa xadrez e botas de bico fino, andar em camionete e ser fan�tico por rodeios ou por Xit�ozinho e Choror� para encontrar seu nicho cultural pelas boas cidades do interior brasileiro. O consumo de marcas se sofisticou. A Forum, griffe de roupas jovens moderninhas, tem 40% de suas vendas no interior, embora apenas um ter�o de suas lojas esteja fora das capitais. Os cinemas exibem as estr�ias de filmes simultaneamente ao cronograma das metr�poles.

A descentraliza��o brasileira tem precedentes internacionais. Um movimento semelhante come�ou na d�cada de 40 e intensificou-se nos anos 70 partindo de grandes metr�poles mundiais, como Londres, Paris ou Nova York, no fen�meno que os especialistas apelidaram de "revers�o de polariza��o". Na �poca, um trabalhador dessas cidades ganhava mais do que o dobro de um profissional similar do interior do pa�s. Entupidas de gente (e olhe l�!, porque S�o Paulo tem hoje 2,4 vezes mais gente do que Londres e quase duas vezes mais do que Paris), os alugu�is tinham subido muito e o tr�nsito vivia saturado. As grandes ind�strias perceberam que era hora de buscar as boas condi��es de produ��o do interior, em cidades menores. Nos Estados Unidos, partiram para a Calif�rnia, Tennessee, Fl�rida e Alabama. "Um conjunto de pr�speras cidades m�dias emergiu no interior dos Estados Unidos alavancadas pela atividade industrial", diz o professor Cl�lio Campolina Diniz, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais. O movimento ainda n�o terminou e hoje h� forte migra��o para o Texas e o Novo M�xico, onde cidades de 100.000 habitantes surgem do nada em menos de dez anos.

At� a d�cada de 70, S�o Paulo e Rio de Janeiro preenchiam os requisitos das ind�strias como nenhuma outra cidade do pa�s. Atra�ram bilh�es de investimentos, milh�es de imigrantes e problemas a perder de vista. O pre�o dos terrenos disparou, os sindicatos for�aram a eleva��o dos sal�rios e a viol�ncia crescente expulsou as fam�lias dos executivos. No final da d�cada de 80, um estudo apontou que os custos com assist�ncia m�dica na regi�o metropolitana de S�o Paulo eram 52% mais altos do que no interior do Estado. Outra pesquisa mostrou que os sal�rios da capital eram at� 30% mais altos do que a m�dia nacional. Tudo isso tirou a competitividade de muitas empresas, que puseram o p� na estrada, espraiando-se para uma �rea compreendida entre Belo Horizonte, Uberl�ndia, Maring� e Londrina, Porto Alegre, Florian�polis e S�o Jos� dos Campos. "Essa regi�o ampliou sua participa��o na produ��o industrial do pa�s de 33% para 51% entre 1970 e 1990", diz o especialista da UFMG.

D� para fazer isso sem traumas gra�as �s facilidades tecnol�gicas j� dispon�veis no interior. H� um ano, Jo�o Settani, diretor comercial de uma rede de revendas Mercedes-Benz, mudou-se de S�o Paulo para S�o Jos� do Rio Preto, na regi�o noroeste do Estado. S� volta � sua cidade natal para tratar de grandes neg�cios. A tecnologia � a melhor aliada. Mant�m contato com a rede de filiais da empresa espalhada pelo pa�s atrav�s da Internet e faz reuni�es pelo sistema de videoconfer�ncia. O telefone celular � o companheiro de todas as horas. Tudo isso era impens�vel dez anos atr�s. O trabalho fica mais f�cil e a qualidade de vida n�o deixa d�vidas quanto �s vantagens da mudan�a de endere�o. Ele e a fam�lia moram em uma casa de 980 metros quadrados. A mulher, Irene, joga t�nis com as amigas e os filhos freq�entam as colunas sociais locais. Settani tenta esquecer a experi�ncia frustrada que passou h� onze anos, quando se mudou da Zona Norte da capital paulista para um condom�nio luxuoso na regi�o metropolitana. N�o deu certo porque, como ele, milhares de endinheirados tiveram a mesma id�ia. A conseq��ncia foi que a outrora calma Rodovia Castello Branco tornou-se um funil congestionado. Durante algum tempo, Settani pegou carona no helic�ptero de um amigo para chegar ao trabalho, mas n�o deu certo porque � noite ficava sem carro para voltar para casa. Um inferno. Ele teve uma doen�a de pele de fundo emocional e o relacionamento com a mulher enfrentou dificuldades. A mudan�a para S�o Jos� veio a calhar. "At� a minha vida sexual melhorou", diz. "Antes vivia t�o estressado que n�o tinha muita disposi��o para essas coisas."

Avi�o de mangas � Considerado a vanguarda do atraso at� bem pouco, o Nordeste brasileiro passa por um fen�meno semelhante, mas mais intenso. Numa sobreposi��o de v�rias frentes de desenvolvimento, uma eficiente agricultura voltada para a exporta��o ganha terreno simultaneamente ao surgimento de p�los industriais espalhados em torno de cidades m�dias. Petrolina, �s margens do Rio S�o Francisco na divisa de Pernambuco com a Bahia, � exemplo dessa explos�o. O crescimento do p�lo de fruticultura irrigada criou fen�menos inusitados, como o movimento de grandes avi�es no aeroporto local para o transporte de toneladas de mangas rumo � Europa e aos Estados Unidos. Os sinais dos bons lucros dos empres�rios locais est�o por toda parte. Na orla do rio s�o constru�dos edif�cios de apartamentos com quatro su�tes e tr�s vagas na garagem. A pujan�a econ�mica fez a popula��o triplicar desde a d�cada de 70 e a prefeitura estima que 65% dos moradores da cidade tenham vindo de fora. As organiza��es Carrefour e Paes Mendon�a, das redes de supermercados, produzem frutas na regi�o. A Parmalat acaba de comprar uma f�brica por l�. Lentamente, a regi�o tem-se transformado em um p�lo produtor de vinho para concorrer com a tradicional hegemonia do Rio Grande do Sul no setor. Gra�as � alta taxa de insola��o e � irriga��o, os agricultores colhem at� tr�s safras anuais de algumas frutas, como a uva, suprindo a falta do produto no mercado internacional em certas �pocas do ano.

Sobral, no interior do Cear�, vive uma explos�o econ�mica semelhante, mas nesse caso impulsionada pelo motor da Grendene, que passou a produzir sapatos na cidade desde 1993 e hoje emprega 6.500 funcion�rios. Al�m das quatro f�bricas em funcionamento, tem outras duas em constru��o que ir�o gerar mais 2.500 empregos. A instala��o da ind�stria atraiu gente de todo o pa�s. De olho nas novas oportunidades de emprego, em 1994 o engenheiro mec�nico Tarc�sio Benedito Filho, de 29 anos, trocou Fortaleza pela tranq�ilidade de Sobral. Seu trabalho de controle de qualidade n�o � muito diferente do que � realizado em S�o Paulo ou Belo Horizonte, mas o ganho que teve em mat�ria de vida com a fam�lia � incompar�vel. Depois que chega do trabalho, Tarc�sio coloca a cadeira na cal�ada e fica conversando com os vizinhos at� anoitecer. "Tenho a certeza de que o para�so real � aqui", diz.

A inje��o de capital na economia da regi�o tem fermentado uma in�dita rede de servi�os, como grandes shopping centers, em terras outrora �ridas. H� dois anos e meio, o empres�rio Jos� Geraldo do Nascimento trocou o Recife por Petrolina para comandar uma loja de produtos e equipamentos para fotografia e cativou a clientela oferecendo uma linha mais completa e diversificada de produtos do que as concorrentes locais. "N�o � porque moram no interior que as pessoas s�o menos exigentes", diz ele. "Elas querem qualidade e �s vezes pagam mais por isso do que muita gente imagina."

Com tantos milh�es de reais a mais, � natural esperar que esses o�sis de tranq�ilidade sejam contaminados por v�cios t�picos de megal�poles. Cidades como Londrina, no norte do Paran�, Ribeir�o Preto, no interior de S�o Paulo, ou Petrolina, na divisa de Pernambuco com a Bahia, j� sofrem com o aparecimento de traficantes de drogas e o aumento generalizado da criminalidade. Petrolina, por exemplo, registrou 143 homic�dios em apenas um ano. De outro lado, cidades antes ing�nuas, em que o m�ximo de transgress�o imaginada era uma escapada rumo ao prost�bulo de luzes vermelhas, num bairro ermo e de m� fama, passam a conviver com uma liberaliza��o dos costumes de h� muito vista na TV, mas ainda restrita �s grandes cidades. Em Sorocaba, h� at� fortunas geradas por esses novos prazeres. Quando chegou � cidade, em 1982, T�cito Euclides Targa Fernandes tinha dinheiro apenas para comprar 30% de uma sociedade em um pequeno motel afastado. Quatro anos depois dobrou o n�mero de su�tes e em 1988 comprou a parte dos s�cios. Em sete anos ergueu sua rede de onze mot�is. Hoje tem cinco carros na garagem e mora em um luxuoso condom�nio fechado onde os amigos se encontram no final de semana para saborear churrascos regados a u�sque de primeira. Os oito filhos j� viajaram cinco vezes para a Disney. Al�m do patrim�nio constru�do nas imedia��es de Sorocaba, ele tem uma fazenda avaliada em 3 milh�es de reais no Paran�. S�o 1.200 hectares com 1.300 cabe�as de gado de corte. O novo milion�rio importou toda a fam�lia de S�o Paulo para ajudar a tocar o neg�cio. O �ltimo a chegar foi o irm�o mais novo, o empres�rio Celso Lu�s Targa, de 43 anos, que deixou um emprego de gerente de marketing em uma multinacional e um sal�rio mensal de 5.000 reais para tornar-se s�cio do irm�o nos mot�is. A festa no interior est� apenas come�ando.

A melhor dire��o
De norte a sul do pa�s, dez cidades com at� 500.000 habitantes s�o a express�o do que o interior brasileiro tem de melhor. Elas s�o tranq�ilas, oferecem boa qualidade de vida aos moradores e t�m expressiva rede de servi�os e neg�cios que jogam por terra a imagem de que a vida moderna se restringe �s capitais

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S�o Jos� do Rio Preto � SP
Popula��o - 326.000 habitantes
Pre�o de um apartamento novo* - 130 000 reais
Por que a cidade deu certo - Nas �ltimas d�cadas, a pr�spera atividade agropecu�ria da regi�o, onde predominam pequenas e m�dias propriedades, alavancou a qualidade de vida local
Pontos fortes � H� hospitais de primeira linha, com equipes que realizam transplante de medula �ssea e f�gado. As doze revendas de carro importado e as lojas de conveni�ncia 24 horas revelam o potencial de consumo da regi�o. Bares oferecem acesso gratuito � Internet e h� um bom campo de golfe. Os jovens t�m � disposi��o 42 cursos universit�rios
Pontos fracos � A cidade n�o tem tradi��o industrial, o que limita o mercado de trabalho. Como a demanda � grande, a mensalidade de algumas boas escolas � mais alta do que similares em S�o Paulo. � ponto de recepta��o de drogas vindas do Paraguai e da Bol�via

Petrolina � PE
Popula��o - 191.000 habitantes
Pre�o de um apartamento novo* - 95.000 reais
Por que a cidade deu certo - A irriga��o com as �guas do Rio S�o Francisco, iniciada em 1968, pontilhou de verde a aridez do sert�o pernambucano. Hoje, os agricultores exportam frutas de primeira e movimentam 90 milh�es de reais por ano. Foram investidos 800 milh�es de reais na agricultura
Pontos fortes � H� oportunidades para abertura de novos restaurantes, lavanderias, cl�nicas de est�tica e outros servi�os. Um hectare de terra irrigada custa em m�dia 11.000 reais. H� ilhas com praias para banhos refrescantes no Rio S�o Francisco
Pontos fracos � O n�mero de homic�dios � alto. Foram 143 em 1996. A regi�o � a maior produtora de maconha do pa�s. Quando a pol�cia destr�i as planta��es, os lavradores assaltam nas estradas. No ver�o a temperatura chega a 40�C

Sorocaba � SP
Popula��o - 432.000 habitantes
Pre�o de um apartamento novo * - 150.000 reais
Por que a cidade deu certo - � um p�lo econ�mico de autope�as, qu�mico e metal�rgico. Novas empresas est�o chegando � regi�o, com investimentos avaliados em 1,29 bilh�o de reais para os pr�ximos dezoito meses
Pontos fortes � Sorocaba tem v�os di�rios para a capital paulista por 40 reais. O gasoduto Brasil�Bol�via vai passar pela cidade at� agosto de 1999, reduzindo custos e polui��o. O acesso ao porto fluvial permitir� o escoamento da produ��o industrial para o Mercosul. � o maior p�lo de cria��o de cavalos de ra�a do Estado, com 33 haras
Pontos fracos � Apesar do alto n�mero de executivos, h� somente cinco hot�is, sempre lotados. H� 175.000 autom�veis em circula��o, o que provoca congestionamentos

Caxias do Sul � RS
Popula��o - 326.000 habitantes
Pre�o de um apartamento novo * - 75.000 reais
Por que a cidade deu certo - O sucesso das ind�strias locais, que empregam 40.000 trabalhadores, despertou a voca��o empreendedora da popula��o. H� pelo menos 5.000 pequenas e m�dias empresas na cidade, principalmente no setor t�xtil. � a terceira maior fabricante de vinho do Brasil
Pontos fortes � O custo de vida � mais baixo do que nas capitais. Os clubes t�m sedes campestres cercadas de natureza, com cachoeiras caudalosas
Pontos fracos � O lazer � limitado. Servi�os 24 horas s�o raros. O pequeno aeroporto fecha constantemente por causa do mau tempo. A temperatura m�dia anual n�o passa de 13�C

Sobral � CE
Popula��o - 138.000 habitantes
Pre�o de um apartamento novo * - 50.000 reais
Por que a cidade deu certo - A ind�stria de cal�ados Grendene instalou-se por l� em 1993, trazendo progresso e empregos. Atualmente a empresa tem 6.500 funcion�rios e planos de abrir 2.500 novas vagas
Pontos fortes � O custo de vida � baixo, a popula��o � muito receptiva, as escolas p�blicas s�o de qualidade e h� um shopping center em constru��o
Pontos fracos � Seu hospital oferece apenas servi�os b�sicos. Ainda n�o h� cinema

Ilh�us � BA
Popula��o - 242.000 habitantes
Pre�o de um apartamento novo * - 100.00 reais
Por que a cidade deu certo - O turismo j� criou 20.000 empregos, e incentivos fiscais para a montagem do p�lo de inform�tica atra�ram sete empresas do ramo
Pontos fortes � Ilh�us tem 93 quil�metros de praia e o tr�nsito � tranq�ilo, sem engarrafamentos
Pontos fracos � A crise do cacau deixou 250.000 trabalhadores rurais desempregados no sul do Estado. Boa parte deles incha a periferia de Ilh�us, elevando a taxa de subemprego

Juiz de Fora � MG
Popula��o - 424.000 habitantes
Pre�o de um apartamento novo * - 110.000 reais
Por que a cidade deu certo - Juiz de Fora tem taxa de crescimento do PIB superior � do Estado de Minas Gerais, gra�as � ind�stria, respons�vel por 33% da arrecada��o municipal
Pontos fortes � � um p�lo regional e est� bem localizada entre os Estados de S�o Paulo e do Rio de Janeiro. Sua m�o-de-obra � qualificada, com um dos melhores �ndices de pessoas com n�vel superior do pa�s. A f�brica da Mercedes-Benz come�a a produzir em dezembro
Pontos fracos � A expans�o provocou o estrangulamento do sistema vi�rio e a cidade tem apenas 2% de �rea verde. O Rio Paraibuna, que corta Juiz de Fora, est� polu�do

Joinville � SC
Popula��o - 398.000 pessoas
Pre�o de um apartamento novo * - 60.000 reais
Por que a cidade deu certo - As ind�strias est�o se modernizando e elevando a produ��o de riquezas. S�o respons�veis por 56% do PIB municipal, contra apenas 1% proveniente da agricultura
Pontos fortes � Limpeza � uma caracter�stica da cidade � 99% da popula��o � atendida pela coleta domiciliar de lixo. Os m�dicos da prefeitura moram nos bairros em que trabalham e atendem a um n�mero determinado de fam�lias. Belas praias do litoral catarinense est�o a apenas 50 quil�metros da cidade.
Pontos fracos � Os oper�rios, pouco qualificados, est�o perdendo o emprego com a crescente automatiza��o dos meios de produ��o

Maring� � PR
Popula��o - 268.000 habitantes
Pre�o de um apartamento novo * - 85.000 reais
Por que a cidade deu certo - Maring� sobreviveu e cresceu depois das geadas que destru�ram a cultura do caf� nos anos 70. Tornou-se p�lo de uma regi�o com pecu�ria intensa e forte produ��o de soja.
Pontos fortes � A Universidade Estadual de Maring� j� recebeu nota m�xima no prov�o para os cursos de administra��o e engenharia civil. A m�dia de �rea verde por habitante � de 25,65 metros quadrados, uma das mais altas do pa�s, quase o dobro da de Curitiba
Pontos fracos � A economia � c�clica, vinculada � �poca de safra e ao pre�o da soja no mercado internacional

Po�os de Caldas MG
Popula��o - 122.000 habitantes
Pre�o de um apartamento novo * - 90.000 reais
Por que a cidade deu certo - Com a proibi��o do jogo em 1946, a cidade-balne�rio teve seus cassinos fechados e perdeu muito de seu glamour. Turistas mais abastados sumiram. Nas d�cadas de 60 e 70, Po�os entrou em um novo ciclo de desenvolvimento, desta vez com base na industrializa��o, sem perder a voca��o tur�stica
Pontos fortes � Cerca de 90% das ruas da cidade s�o pavimentadas, todas as casas t�m energia el�trica e 98% s�o servidas por �gua e esgoto. A PUC-MG oferece cursos de engenharia civil, direito, odontologia e administra��o. O sistema de telefonia � dotado de fibra �tica
Pontos fracos � As estradas que levam � cidade est�o malconservadas. O consumo de drogas por jovens � alto e j� come�a a preocupar as autoridades

* de tr�s quartos no melhor bairro

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O destino ficou mais pr�ximo

O mapa da popula��o brasileira est� ganhando contornos in�ditos, fruto de um novo padr�o migrat�rio. "Ao contr�rio das �ltimas duas d�cadas, quando predominavam as migra��es de longa dist�ncia, agora os movimentos de curta dist�ncia passam a prevalecer", diz a professora Rosana Baeninger, que prepara uma tese de doutorado sobre o tema na Unicamp. N�o se deve pensar que a hist�rica migra��o de nordestinos para S�o Paulo tenha sido interrompida. A diferen�a � que ela j� n�o � t�o forte como nos anos 70, quando a capital paulista recebeu 3,5 milh�es de migrantes. Na d�cada de 80, a satura��o do mercado de trabalho em S�o Paulo passou a desencorajar as levas de nordestinos rumo ao Sudeste e motivou um n�mero cada vez maior de pessoas a voltar a suas origens (veja mapas abaixo). Entre 1980 e 1990, S�o Paulo recebeu 1 milh�o de migrantes a menos do que nos anos 70, metade vinda do Nordeste. "Na mesma �poca, 1,5 milh�o de pessoas deixou S�o Paulo, grande parte com destino ao interior dos Estados nordestinos", diz Rosana. Em vez de afluir para o Sudeste, a maioria dos migrantes do Nordeste se movimenta dentro dos pr�prios Estados da regi�o.

No Sul, ao contr�rio do que ocorria no passado, Santa Catarina passou a receber ga�chos e paranaenses. E o Esp�rito Santo � alvo dos migrantes de Minas Gerais e Rio de Janeiro. "As regi�es metropolitanas n�o s�o mais o destino final da migra��o, como ocorria na d�cada de 70", explica Rosana. Nos primeiros cinco anos desta d�cada, 5 milh�es de brasileiros trocaram de munic�pio, mas apenas 6% rumaram para as grandes cidades.
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