| O Rei Mochileiro Veja 17/03/1999 Di�rio in�dito mostra as aventura de dom Pedro II pelo Oriente M�dio O segundo e �ltimo imperador do Brasil sempre aparece nos livros escolares como um senhor barbudo, de casaca, que veio depois de dom Pedro I e antes da princesa Isabel. Dom Pedro II � t�o opaco como governante, mesmo tendo patrocinado uma guerra violent�ssima contra o Paraguai, que at� parece ter feito o baile na Ilha Fiscal s� para depois entregar o pa�s aos generais republicanos. Esquisit�o e nada afeito ao exerc�cio do poder � pouco, como agora come�a a ser revelado. Tanto que, em 1876, dom Pedro II deu um jeito de abandonar o reino por dezoito meses. Partiu para uma viagem por quatro continentes, em que visitou cerca de 100 cidades. Anotou impress�es em di�rios, que permanecem em grande parte in�ditos. No final deste m�s, chega pela primeira vez �s livrarias D. Pedro II na Terra Santa, organizado e comentado pelo historiador Reuven Faingold, o di�rio do monarca sobre sua visita ao L�bano, S�ria e Palestina. O que aparece no relato � um homem ainda mais despojado do que se supunha. Algu�m que, apesar de rei e das facilidades que tal posi��o costuma oferecer, dormiu em barracas, qual um mochileiro, hospedou-se em hot�is vagabundos, cavalgou por mais de sete horas seguidas, arriscou-se a enfrentar bedu�nos, freq�entou banhos turcos e colecionou suvenires. A aparente tranq�ilidade de dom Pedro II durante sua empreitada n�o refletia a situa��o do Brasil. O pa�s era uma exce��o monarquista em um continente sem reis. Para piorar, o regime escravocrata, base econ�mica do imp�rio, come�ava a se esfacelar. O movimento abolicionista era ouvido nas ruas e ganhava espa�o em jornais. Deixar o poder por tanto tempo nas m�os da inexperiente princesa Isabel, sob a influ�ncia do conde d'Eu, talvez fosse arriscado demais. Mesmo assim, Pedro II convenceu a C�mara a deix�-lo partir. Usou como desculpa a conveni�ncia de uma visita oficial aos Estados Unidos, que comemoravam o centen�rio da independ�ncia e sediavam a Exposi��o Universal � uma grande feira que exibia as novidades tecnol�gicas produzidas em diversos pa�ses. A exposi��o era especialmente atraente para dom Pedro II, que se interessava tanto por l�nguas mortas quanto pelas �ltimas inven��es, um aut�ntico diletante. Comitiva gigantesca � Foi justamente o interesse pela hist�ria do cristianismo que levou dom Pedro II � Terra Santa. Durante 24 dias, o imperador percorreu cerca de 500 quil�metros a cavalo � numa m�dia de 20 quil�metros por dia (veja mapa). Uma marca impressionante, especialmente quando se leva em conta que o rei se fazia acompanhar de uma comitiva gigantesca, de 200 pessoas. Providenciar hospedagem, comida, �gua e seguran�a para tanta gente no meio do deserto era quase uma opera��o de guerra. Dom Pedro II tamb�m n�o era mais um jovenzinho aventureiro. Tinha 50 anos e j� estava fora de casa havia oito meses. Mesmo assim, nas 143 p�ginas de seu di�rio, em apenas duas ocasi�es se queixou de cansa�o. "Preciso de descanso", registrava em 30 de novembro de 1876. No dia seguinte, no entanto, encontrou disposi��o para levantar �s 7 da manh�, caminhar por toda Jerusal�m e parte dos arredores, com direito a subir o Monte das Oliveiras. Cavalgando uma �gua branca, dom Pedro II dispensava o relativo conforto oferecido pelas seis liteiras da caravana � muito diferente do que faziam alguns de seus companheiros. O visconde do Bom Retiro, por exemplo, queixando-se de gota, exigiu ser carregado pelos criados. O visconde de Souza Fontes foi na mesma toada. Mudou apenas a desculpa: em seu caso, a afli��o eram as dores no abdome. Mas, em terreno pedregoso e irregular, a mordomia nem sempre era das mais seguras. Num dos raros momentos em que abandonou o estilo descritivo do di�rio, dom Pedro II contou de forma bem-humorada o tombo de uma das acompanhantes de sua esposa, a imperatriz Teresa Cristina: "O [criado] que carregava por detr�s da liteira da Joaninha caiu. Ela gritou um pouco, achando-se em posi��o t�o inconveniente, por�m nada sofreu a n�o ser em seu pudor". O bom humor o acompanhava at� nos momentos mais desconfort�veis. Nos arredores de Beirute, o imperador pernoitou em um acampamento improvisado. Seria natural que um rei esbravejasse contra as acomoda��es prec�rias. Dom Pedro n�o se alterou. Limitou-se a registrar: "A barraca sempre deixa entrar vento e puseram na cama um cobertor, algum tanto ralo, e por cima uma manta que facilmente ca�a de lado, como os travesseiros me fugiam da cabe�a". Docinhos no mosteiro � Os povos bedu�nos n�o se submetiam ao poder central dos turcos, que governavam a regi�o. N�mades do deserto, dedicavam-se a saquear os viajantes desprotegidos. Ciente do perigo, mas pragm�tico �"Este lugar � famoso pela tend�ncia de seus habitantes a apropriar-se do alheio" �, dom Pedro II se fez acompanhar de uma guarda improvisada. Durante parte da viagem, a seguran�a era garantida pelos pr�prios bedu�nos. "Paga-se-lhes alguma coisa, e j�, ou...", descreve o imperador. O "ou" a que se referia era, provavelmente, o risco de ser morto. "Dom Pedro II viajava como Pedro de Alc�ntara", afirma a antrop�loga Lilia Moritz Schwarcz, autora de As Barbas do Imperador, outra obra sobre Pedro II. Como um turista moderno, o imperador comeu docinhos preparados por monges de um mosteiro, catou pedras nas cal�adas de Damasco para levar como lembran�a, gravou seu nome em uma rocha nos arredores de um templo, tomou banhos turcos, maravilhou-se com as paisagens e se emocionou no Santo Sepulcro � que visitou tr�s vezes, inclusive no dia de seu 51� anivers�rio. Mas o esp�rito aventureiro tinha limites. Mesmo quando teve chance, dom Pedro II preferiu n�o encarar hist�rias das Mil e Uma Noites. Em 16 de novembro, ele declinou o convite para visitar o har�m do emir Abd-el-Kader. Durante as noites, dedicava-se a exercitar seu hebraico traduzindo trechos b�blicos. O di�rio da visita � Terra Santa � uma oportunidade de conhecer melhor o homem que governou o Brasil por mais tempo do que qualquer outra pessoa. Damasco: "Fui visitar Abd-el-Kader, a quem tinha prevenido. Achei na porta da rua com seus dois filhos mais velhos. Tratou-me com muita amabilidade. Deu-me ch� excelente com um gostinho muito bom de hortel� e pimenta, mostrou-me parte de sua casa, oferecendo-me at� levar-me ao har�m, o que n�o aceitei." Nazar�: "A estrada de Nazar� foi uma das mais not�veis desta viagem. A popula��o acudiu em grande parte fora das portas, formando alas e muitos meninos cantando, outros numerosos ocupavam os terra�os das casas. Os sinos repicavam e as palmeiras balan�avam-se por cima da porta da cidade. Tomara j� o dia de amanh� para melhor ver t�o linda povoa��o." Jerusal�m: "Aproximei-me dos muros de Jerusal�m onde est� a torre de Mariana com seu tope de forma de tiara e a porta de Jaffa. Fomos � Igreja do Santo Sepulcro. Ouvi missa e depois corri todos os passos da Via Dolorosa. Subi at� a capela do Calv�rio. Defronte do altar � direita, Cristo foi despido! Mais para o lado do altar pregado na cruz, sob o altar da esquerda, fincou-se a cruz." Mar Morto: "Cheguei � praia �s 8h15. O mar perde-se de vista rodeado de grandes montanhas. Defronte da praia, e a pouca dist�ncia, vi uma ilha de pedra chamada Redjom-Luth. Quando cheguei, passava um bando de quinze marrecas. A �gua � amargosa picante e oleosa ao tato." |
| Acontece |
| Passagens do Cotidiano Fatos, contos e cr�nicas da rotina di�ria |
| . |
| . |
![]() |
![]() |
| A pousada na reserva florestal de Campos do Jord�o |
| N�o existe oferta melhor na est�ncia mais alta do Brasil! Conforto e sossego a apenas 4,5 km do centro! |
| Venha desfrutar de um ver�o refrescante, onde as temperaturas jamais excedem a 23 graus! |
| Fa�a um tour fotogr�fico pela pousada clicando aqui |
![]() |