Pa�s do Passado Veja 10/01/2001 O Brasil de 100 anos atr�s. Para franc�s ler
H� cerca de dois meses, terminou na Alemanha a Expo 2000 de Hannover. Desde a origem, um s�culo e meio atr�s, quando ainda eram chamadas de "Exposi��es Universais", mostras como essa s�o, principalmente, uma vitrine para a exibi��o dos feitos econ�micos das na��es e uma esp�cie de hino ao progresso. Uma das exposi��es mais famosas foi a de 1889, em Paris, que motivou a constru��o da Torre Eiffel. Nessa ocasi�o, al�m do estande com tabaco, caf� e uma vit�ria-r�gia, o governo brasileiro apresentou o livro Le Br�sil, editado em franc�s por E. Levasseur e com textos de luminares como o bar�o do Rio Branco e Eduardo Prado. Mais de um s�culo depois de publicado, ele volta � luz, pela primeira vez em l�ngua portuguesa, com o t�tulo de O Brasil (Bom Texto e Letras & Express�es; 193 p�ginas; 78 reais).
O livro � recheado de dados reveladores, ordenados em forma enciclop�dica. Apesar do tom laudat�rio em rela��o ao pa�s, seus autores reconhecem que apenas 18% da popula��o livre sabia ler. Entre a popula��o servil, eufemismo para se referir aos escravos, a porcentagem ca�a para 0,1%. A economia tamb�m n�o ia l� essas coisas: o d�ficit p�blico era uma enormidade e as d�vidas, externa e interna, j� batiam na casa de 1,1 milh�o de contos de r�is � sete vezes a receita anual do governo, que era de 147.200 contos de r�is. Realmente, nunca foi f�cil vender o peixe nacional aos estrangeiros. No cap�tulo sobre literatura, O Brasil comete uma tremenda gafe: Machado de Assis � referido apenas como "um cr�tico liter�rio esclarecido". Para os autores do livro, o escritor mais fecundo do pa�s era, veja voc�, o visconde de Cairu. Sobre o que ele escrevia? Economia pol�tica. Seu pensamento era um pl�gio das teorias do escoc�s Adam Smith, autor de A Riqueza das Na��es. Uma pobreza. |