Mataram o Rei                               Veja 07/06/2000
Exames comprovam que Jo�o VI, rei de Portugal, morreu envenenado com ars�nico

Dom Jo�o VI:
desprezado pela mulher

















Uma equipe composta de dois arque�logos e um m�dico-legista come�ou a rescrever a Hist�ria de Portugal. Exames qu�micos realizados pelo time de pesquisadores comprovaram que o rei dom Jo�o VI morreu envenenado com ars�nico. As an�lises das v�sceras do monarca detectaram uma quantidade de veneno quase quatro vezes maior que a necess�ria para mat�-lo, confirmando as suspeitas de que o rei, morto em 1826, foi assassinado. Na �poca creditou-se sua morte a complica��es digestivas, ocorridas logo ap�s um jantar em fam�lia. Mas logo surgiram boatos de que ele havia sido envenenado. As pesquisas que desvendaram o mist�rio agora criaram outro ainda mais inquietante: quem matou o rei? "Trabalho com fatos. Minha fun��o de arque�logo est� feita. O resto cabe aos historiadores", disse a VEJA Fernando Rodrigues Ferreira, chefe da equipe de pesquisadores.

Dom Jo�o VI foi o rei de Portugal que em 1808, fugindo das tropas de Napole�o que invadiram o pa�s, transferiu a corte para o Brasil. Por aqui ficou at� 1821, quando uma revolta na cidade do Porto o obrigou a retornar. Partiu levando sua esposa, Carlota Joaquina, e sete dos oito filhos vivos. S� dom Pedro, o mais velho, ficara no Brasil na condi��o de regente. Em Portugal, o rei foi obrigado a jurar a Constitui��o liberal, provocando a indigna��o da mulher e do filho dom Miguel, ambos de olho no trono real. Carlota Joaquina, que considerava o marido excessivamente tolerante, uniu-se a dom Miguel e passou a conspirar contra o marido. Em 1824, ap�s uma tentativa fracassada de golpe para derrubar o rei, Carlota foi confinada no Pa�o de Queluz, e dom Miguel, exilado em Viena. Dois anos depois o rei morria, misteriosamente. Ser� que a rainha est� por tr�s do crime? Carlota devotava total desprezo ao marido, e as m�s l�nguas na corte diziam que ele n�o era o pai dos �ltimos filhos dela. Nada que um bom exame de DNA n�o pudesse esclarecer hoje em dia.

O corpo de dom Jo�o VI foi embalsamado e levado para o Pante�o dos Reis de Bragan�a, no mosteiro de S�o Vicente de Fora, em Lisboa. As v�sceras e o cora��o acomodados em um pote de porcelana foram depositados em uma caixa de madeira e enterrados no ch�o da Capela dos Meninos de Palhav�, no mesmo mosteiro. Em 1993, durante a restaura��o do mosteiro, o arque�logo Ferreira encontrou dois potes similares aos que continham os despojos do rei. Ao notar que o material daqueles potes estava em bom estado de conserva��o, teve a id�ia de procurar pelos restos do rei com o prop�sito de desvendar o mist�rio sobre sua morte. As v�sceras do monarca estavam quase reduzidas a p�, mas, segundo os pesquisadores, em condi��es de ser analisadas. "O ars�nico era muito usado para envenenar pessoas, j� que algumas formas da subst�ncia n�o s�o percept�veis ao olfato e ao paladar", explica Ferreira. Para infelicidade do rei, um copo d'�gua com ars�nico � id�ntico a um copo de �gua pura.
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