Novo Patrim�nio Hist�rico                 Veja 26/11/1997
S�o Lu�s � o mais novo patrim�nio hist�rico da humanidade no Brasil

No dia 5 de dezembro, S�o Lu�s, capital do Maranh�o, entrar� oficialmente para o seleto clube das cidades, monumentos e parques considerados patrim�nio hist�rico da humanidade. Concedido pela Organiza��o das Na��es Unidas para a Educa��o, Ci�ncia e Cultura, Unesco, o t�tulo j� foi conferido a outros oito cart�es-postais brasileiros: Ouro Preto, Salvador, Olinda, Bras�lia, Santu�rio de Bom Jesus de Congonhas, em Minas Gerais, S�o Miguel das Miss�es, no Rio Grande do Sul, e os parques nacionais do Igua�u, no Paran�, e da Serra da Capivara, no Piau�. Fundada em 1612 por invasores franceses, S�o Lu�s mereceu a honraria gra�as a seu respeit�vel acervo arquitet�nico, com igrejas, becos e casario que remontam � �poca colonial. "Esse reconhecimento ajudar� a cidade a virar um referencial de cultura para o mundo, trazendo com isso turistas selecionados, emprego e dinheiro", entusiasma-se o representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein.

Trata-se de um acontecimento importante, sem d�vida, mas � improv�vel que a curto e a m�dio prazos o t�tulo reverta em benef�cio concreto para uma das capitais mais pobres do pa�s. Desde o final da d�cada de 70 gastaram-se dezenas de milh�es de d�lares na recupera��o de edifica��es e vias de interesse hist�rico, mas isso n�o foi suficiente para transformar o centro de S�o Lu�s, onde a cidade se originou, em um modelo de restaura��o. H� muitos aspectos discut�veis no projeto de revitaliza��o da capital maranhense.

Para melhorar a apar�ncia de constru��es coloniais, por exemplo, empregou-se o mesmo m�todo de rejuvenescimento usado pelo senador Jos� Sarney em seus cabelos e bigode: deram uma dem�o de tinta e pronto. O resultado, colorid�ssimo, est� mais para um balne�rio caribenho do que para uma ex-col�nia de Portugal, em que predominava o casario de cor branca e tons pastel. A falta de m�o-de-obra especializada tamb�m est� comprometendo a restaura��o de boa parte dos maravilhosos azulejos portugueses, uma das marcas registradas da cidade.

Mais cuidadosas foram as reformas do Convento das Merc�s, em que at� as pedras foram reconstitu�das, e do Teatro Arthur de Azevedo, erguido em 1815. A partir de fotos antigas digitalizadas, os restauradores puderam reproduzir nos m�nimos detalhes o interior do edif�cio. A boca de cena, por exemplo, teve restauradas as talhas de madeira de lei recobertas com folhas de ouro. Al�m disso, o teatro ganhou modernos equipamentos de som e um sistema de recolhimento eletr�nico para o lustre de cristal que domina a plat�ia.
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