A loira de 80 quilates
Hebe Camargo certa vez fez um balan�o de todas as suas j�ias. Depois de cobrir o ch�o de um c�modo inteiro com um tapete de brilhantes, p�rolas, esmeraldas e outras pedras, chegou � conclus�o de que n�o deveria comprar mais nenhuma pe�a. Durou pouco a decis�o. Para o bem de seu humor, a alegria da fila de joalheiros que a abastecem e o entretenimento dos espectadores que semanalmente se embevecem com a sua alucinante cole��o de preciosida-des, Hebe continuou comprando. E como. Seus quilates s�o medidos �s dezenas, as p�rolas parecem bolas de pingue-pongue, as cascatas de brilhantes ofuscam a vista, literalmente. A pe�a mais impressionante de seu porta-j�ias � um diamante de 40 quilates, montado num anel. A maior, uma esmeralda, de 60. Os quatro brilhantes de seu brinco mais imponente somam 80 quilates � ela os usou no casamento, no ano passado, da filha do investidor Naji Nahas e conseguiu ofuscar convidadas milion�rias, de mulheres de banqueiros a socialites internacio-nais. "A igreja estava cheia de gente muito rica, mas ningu�m nunca tinha visto uma mulher com tantos quilates espalhados pelo corpo", relembra um convidado. Para Hebe, em se tratando de j�ias, tamanho � documento. "Quando as pessoas v�m me mostrar uma joinha, um anelzinho, digo logo que n�o combina comigo. Para mim, tem de ser tudo grande. Sou perua assumida e com muito orgulho", diz.
Al�m de preconceituoso, "perua" � um qualificativo p�lido demais para ilustrar o estilo da apresentadora. Hebe Camargo n�o tem pares � portanto n�o pode ser comparada a ningu�m. No mundo do espet�culo, talvez s� outro veterano, Cauby Peixoto, concorra numa categoria similar. No exterior, Elton John, antes de uma felizmente frustrada tentativa de domestica��o. Gays masculinos n�o por acaso freq�entemente funcionam na mesma faixa de celebra��o do exagero � e n�o por acaso t�m em Hebe uma de suas musas. Ao mesmo tempo, ela funciona como uma provedora de fantasia para um comportado p�blico de classe m�dia. "As pessoas podem n�o ver o programa todo, mas todo mundo liga a televis�o �s segundas para ver o cabelo, a roupa, a j�ia e o sapato que a Hebe est� usando", garante a amiga Helena Mottin. Dona de uma butique em S�o Paulo que leva seu nome, com roupas para mulheres que, como Hebe e a f�sica, abominam qualquer v�cuo n�o completamente coberto por ornamentos, ela entrega: "No dia seguinte, as clientes aparecem em busca de um vestido igual ao dela".
A roupa pode ser igual, mas � dif�cil competir com o resto. Aos 76 anos, ela j� apareceu de shortinho, barriga de fora e piercing falso no umbigo. Suti�, n�o usa � j� fez duas pl�sticas nos seios, a primeira em 1974, para reduzir "o tamanho exagerado". Contabiliza ainda duas lipos e dois liftings de rosto e pesco�o, o �ltimo em fevereiro passado. "Se vou sair de rosa, � bolsinha, sapatinho e tudo o mais combinando. Se � turquesa, � tudo turquesinha", descreve Hebe. "Eu gosto de ser Barbie." Os vestidos seguem algumas regras b�sicas: "Tem de ter brilhinho, decote e o comprimento n�o pode passar dos joelhos, para n�o ficar muito senhora". Ela tamb�m sempre usa mangas longas � "Nessa idade, o bra�o j� est� meio fl�cido, e n�o acredito em pl�stica para acabar com isso". Sapatos, n�o tem mais onde guardar � assim como os Mercedes, que chegam a cinco na garagem. Detesta gin�stica e tem uma impressionante resist�ncia ao �lcool. "Bebe tr�s ou quatro doses de vodca de aperitivo, um bom vinho durante o jantar, depois toma grapa e vai embora inteira", espanta-se uma de suas companhias habituais � mesa de bons restaurantes de S�o Paulo.
Com rendimento mensal estimado em 1,2 milh�o de reais, entre sal�rio e merchandisings, Hebe tamb�m pode se entregar de corpo, alma e tal�o de cheques � paix�o por j�ias. "Quando eu tinha 16 anos e n�o podia comprar j�ias verdadeiras, comprava de mentirinha e achava lindo", relembra. Da morena de pretinho e p�rolas (falsas) � loira de dezenas de quilates, a paix�o s� se exacerbou. "� dif�cil ter em S�o Paulo uma mulher que ven�a a Hebe Camargo em quantidade de j�ias. Ela chega a comprar tr�s pe�as por m�s", avalia um especialista do ramo. Hebe compra j�ias prontas e tamb�m encomenda pe�as. Uma de suas prediletas � o colar em forma de cometa cravejado de brilhantes, c�pia de uma j�ia desenhada originalmente por mademoiselle Chanel. Foi feita pela joalheira Laja Zylberman. � dela tamb�m o colar tipo babador com pelo menos 30 quilates de diamantes que Hebe adora e chega a usar com roupas esportivas. De Claudio Okubo veio o anel mais comentado. Composto de cinco partes articuladas, que ocupam o dedo inteiro, ele chama aten��o em qualquer lugar aonde Hebe v�, no Brasil ou no exterior. Numa de suas constantes viagens a Paris, ela n�o respeitou o pr�prio lema quando se trata de enfrentar pre�os em supervalorizados euros � "Quem converte n�o se diverte", prega � ao se apaixonar por um colar exposto na vitrine de uma joalheria importante. Em lugar dos 120 000 euros pedidos, encomendou a Okubo uma vers�o do conjunto de colar e brincos de p�rolas south sea de tr�s cores: brancas, negras e amarelas. De quebra, ele ainda fez um anel para combinar. Tudo enorme, claro. "As j�ias muito grandes eu fa�o pensando nela", diz Okubo. Ultimamente, os impulsos de abstin�ncia t�m se repetido. "N�o vou viver o suficiente para usar tudo o que tenho. E n�o h� nem para quem deixar, s� tenho um filho", pensa quando cogita na hip�tese de parar. A crise passa logo e Hebe continua aumentando a maior, a mais espetacular e mais conhecida cole��o de j�ias do pa�s. � poss�vel que existam outras, at� mais imponentes. Como nenhuma mulher aparece na televis�o com seus tesouros � ou talvez nem saia de casa com eles �, Hebe permanece como a rainha dos quilates. |