| A Condessa Desbocada Veja 28/04/1999 A ex-mulher de Chiquinho Scarpa difama o playboy e vira atra��o dos le�es e ratinhos "Resolvi falar a verdade, mantendo a minha classe: ele � gay. Eu o encontrei na cama com dois homens." Carola Scarpa S�o comprid�ssimos os lindos cabelos tingidos de loiro, as unhas artificiais e, sobretudo, a l�ngua da agora ex-condessa Ana Carolina de Oliveira Scarpa. A princesa Carola, como passou a se intitular, est� transformando o fim litigioso de seu casamento com o playboy paulista Francisco Scarpa Filho, o Chiquinho, que durou nove meses exatos, em um intermin�vel espet�culo p�blico. Poderia at� ser engra�ado, por misturar a inf�mia e o faz-de-conta com tiradas de humor e revela��es picantes sobre bastidores do caf�-society. Mas � deprimente. Durante toda a semana passada, a condessa desbocada, com seus vestidos ora insinuantes, ora recatados, e um ar quase angelical que torna ainda mais chocantes as barbaridades que diz, transformou-se na atra��o m�xima dos campe�es de sensacionalismo na TV. Na ter�a-feira, levou o Le�o Livre a uma m�dia de audi�ncia de 16 pontos, o dobro da normal, o que colocou a Rede Record, entre 23h45 e 0h45, � frente da Globo e do SBT. Na quinta e na sexta, entrevistada por Ratinho, repetiu em dois cap�tulos a hist�ria escabrosa que j� havia contado em v�rios programas apelativos de r�dio e antecipado em pequenos flashes, por meio de fax enviados a reda��es de revistas e jornais. O ibope do SBT, enquanto ela dava corda para as impudic�cias do apresentador, subia dos habituais 22 pontos para 29 (na sexta, teve picos de 36), em meio a di�logos como este: � Por que o casamento n�o deu certo? � perguntou Ratinho. � Voc� gastava muito? � N�o, foi porque Chiquinho Scarpa � gay � ela respondeu na lata. � Mas antes do casamento n�o teve nada? � Teve, teve sim... Depois de cinco meses que est�vamos juntos. � Cinco meses para c... voc�? E o ibope a mil por hora. No Le�o Livre, a coisa fora pior ainda. Para explicar o rompimento, Carola disse o seguinte: "Eu o encontrei na cama com dois homens". Ratinho guardou esse trecho para coroar o programa de sexta. "Mentiras n�o precisam de respostas. Sabia quem ela era, mas estava apaixonado. Fui uma besta e me estrepei." Chiquinho Scarpa No apartamento de andar inteiro na regi�o dos Jardins, em S�o Paulo, onde desde a separa��o mora com a m�e e o filho de 5 anos, seu telefone, antes mudo, passou a tocar noite e dia. Uma secret�ria atende e anuncia: "Resid�ncia da princesa Carola, boa-tarde". A cada um que liga, ela faz o mesmo coment�rio. "N�o estou medindo as conseq��ncias", explica com a voz suave. "Resolvi falar a verdade nua e crua para desmascarar uma mentira, mas sem entrar em detalhes s�rdidos e mantendo minha classe." Aconselhado por seu advogado, Chiquinho decidiu n�o dar entrevistas. Mas nega todas as acusa��es. A hist�ria de Carola, paulistana de 28 anos, 1,65 metro e 50 quilos, apesar de algumas lacunas ainda misteriosas, tem elementos de folhetim. Ela � filha do diretor de televis�o Carlos Augusto Oliveira, o Guga, que saiu recentemente da Record, e sobrinha de Jos� Bonif�cio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-todo-poderoso da Globo. A deputada Yeda Crusius (PSDB-RS), ex-ministra do governo Itamar, � sua tia materna. Em 1990, depois de participar como atriz coadjuvante da novela Cortina de Vidro, produzida por seu pai para o SBT, Carola saiu do pa�s. Viveu em Nova York, Miami, Los Angeles e Las Vegas. Foi depois para Israel, com um agente de seguran�a, pai de seu filho. Nos Estados Unidos, segundo acredita a fam�lia Scarpa, ela teria vivido com um mafioso americano que trabalhava para o not�rio chef�o John Gotti Junior. "� verdade, conheci Gotti bastante bem", confirma Carola, que se recusa a dar maiores esclarecimentos sobre esse per�odo nebuloso de sua biografia. Em 1997, ela voltou para S�o Paulo disposta a tentar carreira na televis�o. Revelou para v�rias pessoas que queria tornar-se uma celebridade nacional. "Eu seria uma excelente apresentadora de programa infantil", acredita. Nesse per�odo, encontrou Chiquinho Scarpa e come�aram a namorar. Os dois haviam se conhecido dez anos antes numa boate. Ele era ent�o o mais popular e exibicionista playboy brasileiro. Como seu antecessor carioca Jorginho Guinle, que passou a vida em festas, ao lado de belas mulheres, Chiquinho Scarpa nunca trabalhou de verdade. Nem teve necessidade. Suas despesas s�o custeadas por uma mesada do pai, que chegou a ser dono de 23 fazendas, usinas de a��car, in�meros neg�cios imobili�rios e uma cervejaria, al�m de um pr�dio de dezessete andares na Avenida Paulista, o ponto comercial mais valorizado da cidade. Embora o patrim�nio tenha diminu�do, os Scarpa n�o deixaram de ser ricos. H� trinta anos Chiquinho vem cumprindo uma rotina estafante. No antigo casar�o da fam�lia, ele acorda ao meio-dia, faz as m�os e os p�s duas vezes por semana, cuida das sobrancelhas e deixa separados os trajes que usar� nos sete dias seguintes. Tem um guarda-roupa assombroso, arrumado em tr�s closets. S� de sapatos, s�o 58 pares. Usa cuecas brancas numeradas, de 1 a 21, para n�o repeti-las, todas iguais e bordadas com o bras�o dos Scarpa e suas iniciais. Devidamente aprumado, sai para ir a eventos, comemora��es, casas noturnas e restaurantes da moda. Vai em seu Rolls-Royce 76, acompanhado de seguran�as que contrata por dia. Pr�digo, deixa gorjetas de 100 reais para gar�ons, mas em muitos casos cobra cach�s entre 2 000 e 5 000 reais por sua presen�a em festas. Segundo ele, o dinheiro � doado para entidades beneficentes. Suas apari��es, de acordo com os registros do pr�prio Chiquinho, que � uma pessoa minuciosa e organizada, est�o registradas em 494 fitas de v�deo e 15 800 recortes de not�cias. Ele tamb�m colecionava 3.675 p�steres em que aparece ao lado de amigos, namoradas, colun�veis e personalidades. As fotos est�o praticamente perdidas. Durante a crise conjugal, num acesso de f�ria, Carola destruiu quase todas. "Fui uma besta" � Chiquinho j� fez muita besteira na vida. Em 1977, por exemplo, foi interpelado judicialmente pelo pr�ncipe Rainier, de M�naco, depois que insinuou na televis�o ter vivido uma suposta cena de alcova com a princesa Caroline. Como ele se retratou, Rainier retirou o processo. Oito anos atr�s, gerou discursos de protesto na C�mara dos Deputados por causa de uma entrevista delirante em que declarou ser dono de uma "cria��o de an�es", que alugaria para trabalhar como gar�ons, e de um escravo pessoal em Marrocos. Apesar dessas asneiras e das constantes palha�adas, ele � considerado pelos amigos um homem leal, divertido e generoso. Cinco de suas ex-namoradas o descrevem como uma pessoa bem-humorada, vaidosa e galante, al�m de um tanto megaloman�aca. Pelo menos uma delas garante que ir� depor em ju�zo defendendo sua reputa��o. Nenhuma admite que seja gay. "Era um bom amante", afirma a banqueteira Renata Fontoura, que o namorou durante cinco anos. O grande erro do playboy, que permanecia solteir�o aos 47 anos, foi o casamento. Montado como um megaevento de m�dia, com transmiss�o por dois tel�es, rendeu aos noivos uma cobertura na imprensa e na televis�o superada apenas pelo esc�ndalo da separa��o. A festa n�o custou nada para eles. Das 5 000 flores que decoraram a igreja � recep��o para 350 pessoas, tudo foi arrumado em troca de algum tipo de publicidade. Eles ganharam dos convidados 1 200 presentes, pelos c�lculos sempre exagerados de Chiquinho. "Eu pensava que estava vivendo um conto de fadas real com meu pr�ncipe", jura Carola. "Achei que era a mulher de minha vida", jura Chiquinho, que durante o breve namoro mandou pintar um enorme quadro do rosto de sua amada e o colocou no banheiro. De t�o grande, o retrato ocupa uma parede inteira. Ele casou contra a vontade dos pais e desprezando a opini�o dos amigos. A um deles, desabafou na semana passada: "Fui uma besta e me estrepei. Eu sabia quem era ela, mas estava apaixonado". O que Chiquinho mais ouviu em seu c�rculo � que Carola seria uma alpinista social e que, em diversas ocasi�es, uma mo�a muito parecida com ela, apelidada de "Anjinho", fora vista circulando em um caf� da noite paulista freq�entado por homens desacompanhados. O ent�o propriet�rio afirma ter encontrado v�rias vezes essa pessoa em seu estabelecimento. "Ela � muito oferecida", acha a promoter Alice Cavalcanti, amiga de Chiquinho. O casamento, celebrado com separa��o de bens, terminou na Quarta-Feira de Cinzas, tendo como gota d'�gua as �ltimas brigas e cenas de ci�me do casal nos samb�dromos do Rio de Janeiro e de S�o Paulo. Logo que Chiquinho saiu de casa, levando a geladeira que colocara no quarto, TV e videocassete, Carola mandou um fax manuscrito para os ex-sogros. Prop�s uma separa��o consensual em troca de um carro Subaru, o apartamento em que moravam e uma pens�o mensal de 10 000 reais. Pessoas a quem Chiquinho mostrou o papel afirmam que Carola amea�ou por escrito, caso sua sugest�o n�o fosse aceita, provocar graves danos � imagem da fam�lia. O advogado de Scarpa n�o aceitou e obteve na Justi�a uma tutela antecipada que a pro�be de utilizar o t�tulo e o sobrenome de casada, pelo menos at� a primeira audi�ncia do processo de separa��o litigiosa, marcada para o pr�ximo dia 6. Na sexta-feira passada, Boni, o tio mais famoso de Carola, ria de toda a hist�ria. "� o melhor programa para ser visto na TV, melhor at� que Zorra Total", disse. "Tudo foi muito engra�ado, do casamento � separa��o. No dia do casamento, quando me perguntaram se n�o tinha d� de ver a pobre da minha sobrinha casando com o Chiquinho, comentei que tinha mais d� do pobre do Chiquinho." |
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