2001, a Inf�mia Veja 11/02/1998 Acusado de pedofilia, o escritor Arthur Clarke fica sem t�tulo do imp�rio brit�nico
Cultuado pelas vision�rias obras de fic��o cient�fica, o escritor ingl�s Arthur C. Clarke criou um estilo de vida que parecia sintetizar o sonho do homem contempor�neo: sucesso material, acesso ao melhor da tecnologia atrav�s dos computadores para cuja populariza��o tanto contribuiu e o privil�gio de morar num peda�o paradis�aco do Sri Lanka, o pa�s do sul da �sia onde se instalou h� tr�s d�cadas. O motivo dessa �ltima escolha, t�o ex�tica, ganhou explica��es bem menos nobres na semana passada. Em uma reportagem publicada pelo jornal ingl�s Sunday Mirror, o homem que se tornou mundialmente conhecido por 2001 Uma Odiss�ia no Espa�o foi descrito como ped�filo e acusado de ter mantido rela��es sexuais com adolescentes. A explora��o sexual de menores � pr�tica comum no Sri Lanka, como em outros pa�ses asi�ticos pobres, mas a den�ncia causou esc�ndalo. Por causa da reportagem, publicada um dia antes da chegada do pr�ncipe Charles ao pa�s, uma ex-col�nia brit�nica, o escritor teve de desmarcar um encontro com o herdeiro do trono e n�o p�de receber o t�tulo de cavaleiro do imp�rio.
"Estou escandalizado com a reportagem e vou procurar um advogado", reagiu Clarke. Sofrendo de s�ndrome p�s-p�lio, doen�a que compromete os movimentos e o obriga a usar uma cadeira de rodas, o escritor est� com 80 anos e disse que n�o mant�m rela��es sexuais h� vinte. Seu pr�prio irm�o, Frederick, no entanto, declarou que Clarke pode ter se interessado por meninos h� alguns anos. O jornalista cingal�s Dayanade de Silva, homossexual e amigo do escritor, reproduziu uma suposta confid�ncia: "Ele me disse que se sente atra�do pelos meninos do Sri Lanka por causa de sua pele escura e do f�sico esguio".
Autor de cerca de oitenta livros, Clarke come�ou a ser respeitado em 1945, quando escreveu um artigo que � considerado a base te�rica para os modernos sat�lites de comunica��o. Oito anos depois, casou-se com a americana Marilyn Mayfield, mas a rela��o durou apenas seis meses. "Nosso casamento, desde o in�cio, foi marcado por incompatibilidades", comentou. "N�o sou um tipo casamenteiro, embora ache que todo mundo deva casar-se ao menos uma vez." Discreto em rela��o � sua vida particular, Clarke costuma dizer que nunca usou drogas nem ficou b�bado. Sobre sexo, certa vez, fez um coment�rio espirituoso. "Contanto que n�o fa�am na rua e assustem os cavalos...", disse, parafraseando a atriz inglesa Patrick Campbell. Ou as crian�as, pode-se acrescentar, caso a den�ncia se confirme.
Prisioneira da paix�o Libertada em janeiro, depois de cumprir seis meses de pris�o por haver cometido abuso sexual contra um de seus alunos, a professora prim�ria americana Mary Kay LeTourneau, 36 anos, voltou para a cadeia na semana passada. O motivo: reincid�ncia. A pol�cia de Seattle flagrou-a dentro de um carro em companhia do mesmo adolescente com quem manteve o t�rrido romance que a levou � pris�o. Casada e m�e de quatro filhos, Mary era uma professora querida na escola onde lecionava quando se entregou � louca paix�o pelo menino, de apenas 13 anos. Do namoro proibido nasceu uma filhinha, hoje sob os cuidados dos av�s paternos.
Mary foi reconduzida � cadeia por ter violado os termos de sua senten�a, proferida em novembro. Cumprindo programa alternativo de tratamento para agressores sexuais, a professora estava proibida de encontrar o adolescente e agora poder� ter de cumprir, na pris�o, o restante da pena, de sete anos. Os dois estavam "completamente vestidos", defende o advogado dela, David Gehrke. Os outros filhos de Mary mudaram-se para o Alasca com o ex-marido da professora. |