Paix�o Explosiva                             Veja 10/06/1998
Cartas revelam caso de amor entre Einstein e uma agente sovi�tica em plena II Guerra Mundial

Um caso de amor at� hoje ignorado de Albert Einstein, o maior cientista deste s�culo, j� seria suficiente para ati�ar a curiosidade do p�blico. Um romance do pai da teoria da relatividade com uma agente sovi�tica, em plena II Guerra Mundial, quando os Estados Unidos, a Alemanha nazista e a URSS stalinista disputavam uma corrida secreta pela arma mais devastadora de todos os tempos, parece coisa inventada. � isso, no entanto, que indicam nove cartas desconhecidas do resto do mundo durante mais de cinq�enta anos, cuja exist�ncia s� foi revelada na semana passada. As fotos que acompanham as cartas mostram um Einstein de express�o satisfeita ao lado da russa Margarita Konenkova. Cinq�entona, dentes malcuidados e olhinhos eslavos, ela em nada evoca o prot�tipo da espi� sedutora, destacada para descobrir os segredos da bomba at�mica. Mas o g�nio da f�sica certamente estava seduzido. Nas cartas, colocadas � venda na casa de leil�es Sotheby's, ele derrama sua paix�o em declara��es de amor e lembran�as carinhosas. "Lavei o cabelo sozinho recentemente, mas n�o com grande sucesso; n�o sou cuidadoso como voc�", escreveu Einstein, conhecido pelo desleixo com a apar�ncia, � amada j� de volta � URSS.

As cartas estavam de posse de um parente de Margarita, que quer ficar inc�gnito. Quando as entregou para leil�o, o diretor do departamento de livros e documentos da Sotheby's, Paul Needham, foi procurar mais informa��es sobre Margarita, uma russa que morou nos Estados Unidos desde a d�cada de 20 at� o fim da guerra e era casada com Sergei Konenkov, escultor relativamente conhecido � e autor de um busto de Einstein para a Universidade de Princeton. N�o foi dif�cil: Margarita � mencionada no livro de mem�rias de um ex-agente da KGB, Pavel Sudoplatov, como a mulher encarregada de "influenciar Oppenheimer e outros importantes cientistas americanos com quem se encontrava freq�entemente em Princeton". Robert Oppenheimer era o c�rebro do Projeto Manhattan, o programa secreto de produ��o da primeira bomba at�mica, em Los Alamos. De concreto, sabe-se, pelas cartas, que Margarita aproximou Einstein do ent�o vice-c�nsul sovi�tico em Nova York, Pavel Mikhailov.

Einstein n�o participou do Projeto Manhattan, embora como judeu alem�o exilado nos Estados Unidos tivesse alertado o presidente Franklin Roosevelt, no come�o da guerra, de que Adolf Hitler tinha condi��es de acesso � tecnologia da bomba, ent�o apenas teoricamente poss�vel. Suas simpatias pol�ticas eram d�bias. Condenava o stalinismo, mas em algumas ocasi�es manifestou admira��o pelas conquistas sovi�ticas. Vivia num ambiente de exilados europeus, como ele, muitos dos quais comunistas � inclusive cientistas envolvidos no projeto da bomba, que por convic��o ideol�gica entregaram segredos nucleares a Moscou (veja quadro). Chegou a escrever ao not�rio ministro do Exterior da URSS, Viacheslav Molotov, o homem que assinou o pacto de alian�a com a Alemanha nazista, intercedendo por um amigo cientista. Depois da guerra, em plena corrida nuclear, tornou-se um porta-voz do movimento pacifista, que em muitos casos servia de fachada para os interesses do regime sovi�tico. O paran�ico chefe do FBI americano, J. Edgar Hoover, estava convencido de que Einstein era comunista e o mantinha sob vigil�ncia constante (muitos anos depois, ele achou a mesma coisa do beatle John Lennon).

Na correspond�ncia com Margarita, Einstein n�o trata de pol�tica. Os dois se conheceram por volta de 1935. As cartas foram escritas entre novembro de 1945 e julho do ano seguinte. N�o h� como saber qual foi a dura��o do romance, mas Einstein demonstra sinais de uma rela��o duradoura ao lamentar que, com Margarita longe, de volta a Moscou, "tudo aqui me lembra voc�". Bem diferente da face revelada na �ltima vez em que a privacidade do cientista genial foi a leil�o, tamb�m em Nova York. H� um ano e meio, cartas do jovem Einstein causaram choque por evidenciar as humilha��es que infligia � primeira mulher, a matem�tica s�rvia Mileva Maric, com quem rivalizava intelectualmente, e aos filhos desse casamento.

Quatro meses antes de Einstein enviar a primeira carta, os cientistas do Projeto Manhattan haviam explodido a primeira bomba at�mica da Hist�ria, no deserto do Novo M�xico. A Alemanha, que o cientista tanto temia ver de posse da terr�vel arma, j� estava rendida, mas o poder destruidor da fiss�o do �tomo foi despejado sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. A bomba sovi�tica seria detonada em 1949. Numa das cartas a Margarita, Einstein se refere apenas indiretamente ao sombrio mundo p�s-bomba. "Os homens est�o vivendo agora como sempre viveram, como se n�o tivessem um perigo novo e poderoso com o qual lidar, e est� claro que nada aprenderam com os horrores experimentados."

Membros da conex�o at�mica
A quantidade de segredos nucleares contrabandeados pelo ingl�s Donald MacLean para a Uni�o Sovi�tica foi suficiente para lhe valer o t�tulo de maior espi�o do s�culo. Simpatizante do comunismo, fez carreira diplom�tica e integrou a Comiss�o de Energia At�mica em Nova York. Descoberto em 1951, fugiu para a R�ssia. Morreu l�, cercado de honras, em 1983, aos 69 anos.

O f�sico alem�o Klaus Fuch era comunista. Ficou nove anos preso nos EUA por passar segredos da bomba aos russos e terminou seus dias na Alemanha Oriental.

Os americanos Julius e Ethel Rosenberg morreram na cadeira el�trica, em 1953, jurando inoc�ncia. Na realidade, enviaram � URSS uma contribui��o irrelevante: um desenho prec�rio da bomba.
  Acontece
Passagens do Cotidiano
Fatos, contos e cr�nicas da rotina di�ria
.
.
A pousada na reserva florestal de Campos do Jord�o
N�o existe oferta melhor na est�ncia mais alta do Brasil! Conforto e sossego a apenas 4,5 km do centro!
Venha desfrutar de um ver�o refrescante, onde as temperaturas jamais excedem a 23 graus!
Fa�a um tour fotogr�fico pela pousada clicando aqui
P�gina Inicial
Hosted by www.Geocities.ws

1