| Su�te para Dois Veja 04/10/2000 De olho em um mercado que tem boa renda e vontade de gastar, motel oferece quartos s� para gays Dois sal�rios, sem filhos, alto consumo: os pares homossexuais na mira dos neg�cios O casal de namorados troca chamegos numa boate e resolve curtir o fim dos embalos na intimidade de um quarto de motel. Se os protagonistas dessa hist�ria formarem um casal heterossexual, o programa acaba em divers�o. Se o par for homossexual, pode ser o in�cio de uma peregrina��o. Isso mesmo: mot�is, quem diria, salvo raras exce��es, n�o aceitam casais do mesmo sexo em suas depend�ncias, e quando aceitam muitas vezes exigem pagamento de dois pernoites � como se duas pessoas que aparecem juntas na entrada do motel fossem instalar-se em quartos separados. De olho nos sem-motel, o Le Baron, um dos mais tradicionais de Niter�i, cidade vizinha ao Rio, inaugura no fim de outubro duas grandes su�tes destinadas ao p�blico homossexual. Vai ter cama redonda, claro, chuva artificial e at� decora��o espec�fica. A su�te greco-romana, por exemplo, ter� esculturas com bustos masculinos desnudos e aparelhos de muscula��o. Motel Le Baron: aparelhos de muscula��o na decora��o especial A iniciativa do Le Baron � mais uma porta que se entreabre num mercado de caracter�sticas peculiares: existe um p�blico gay cada vez mais ostensivo e uma parcela dele tem poder aquisitivo cobi�ado, mas as iniciativas empresariais dirigidas a ele ainda s�o comparativamente t�midas. Potencialmente, o chamado pink market (mercado cor-de-rosa) � tentador. Pesquisas feitas nos Estados Unidos sobre o perfil desses consumidores indicam que casais gays t�m, em geral, dois sal�rios para gastar e nenhum filho para sustentar. E ainda: n�o economizam num guarda-roupa vistoso, investem bastante na decora��o da casa, gostam de bons restaurantes e viajam muito pelo mundo. O turismo dirigido � um dos nichos mais vistosos e j� come�a a dar os primeiros passos por aqui. Em S�o Paulo, a �libi, operadora exclusiva para homossexuais que negocia pacotes com cerca de 200 ag�ncias em todo o pa�s, calcula faturar neste ano cerca de 3,5 milh�es de reais. "� um mercado que n�o p�ra de crescer. O p�blico gay tem muito para gastar, mas tamb�m � muito exigente com o que consome", avalia Franco Reinaudo, o dono do neg�cio. Seus clientes, em sua maioria, viajam para o exterior e sempre recebem, como parte do pacote, dicas sobre a vida gay local. Menos segmenta��o � Calcula-se que em 1999 o mercado gay americano tenha movimentado 340 bilh�es de d�lares (mais da metade do PIB brasileiro) e prev�-se que alcance 450 bilh�es em 2004. Os n�meros s�o do site americano Gay Financial Network, especializado em neg�cios voltados para o p�blico homossexual. Sites para esse mercado, ali�s � do tipo que cont�m algum conte�do informativo, e n�o exclusivamente ofertas de encontros e fotos de nus �, s�o diversos e variados, aqui e l� fora. O GLS Planet acaba de associar-se ao portal AOL e registra 1 milh�o de acessos por m�s. A revista gay Sui Generis, que fechou no in�cio do ano, faz agora sua volta triunfal na internet, tendo como modelo principal o ex-No Limite Marcus Werner, depois de receber um investimento de 200.000 reais. No portal UOL, o sucesso � o site Mix Brasil, que recebe 6 milh�es de acessos mensais. Mix Brasil � tamb�m nome de um festival de cinema que neste ano acontece em cinco capitais brasileiras, com a proje��o de trinta longas-metragens e 130 curtas, a maioria com tem�tica homossexual. O Festival do Rio BR, que come�a nesta semana, traz a quinta edi��o da mostra paralela Mundo Gay, que vai exibir trinta filmes. Miguez, na Futuro Infinito: 2 000 t�tulos para gays e l�sbicas, clientes que "v�m durante o dia, sem medo de mostrar a cara" N�o existem estudos abrangentes sobre esse mercado no Brasil, mas os ind�cios s�o significativos. Uma pesquisa entre leitores realizada pela revista G Magazine, que exibe nus masculinos numa tiragem mensal de 120.000 exemplares, mostrou que 48% dos entrevistados tinham n�vel superior, 39% pertenciam �s classes A e B e a renda m�dia individual registrada foi de 1.750 reais mensais. Ao contr�rio dos Estados Unidos, principalmente, onde tudo, de campeonatos esportivos a condom�nios fechados, tem sua vers�o preferencialmente gay, no Brasil esse p�blico s� costuma buscar um nicho pr�prio quando o assunto � divers�o, cultura e sexo. De resto, integra-se: faz compras em qualquer supermercado, dirige carros de qualquer marca, usa roupas de qualquer grife. O escritor Jo�o Silv�rio Trevisan, autor de Devassos no Para�so, comp�ndio sobre a homossexualidade no Brasil, que vendeu 3.200 exemplares e est� indo para a segunda edi��o, aplaude essa caracter�stica. "Nos Estados Unidos, tudo � muito segmentado. N�o gosto disso. Gueto n�o � conquista em nenhum lugar do mundo", compara. Programa de TV � O mercado editorial � um dos que mais se aproveitam dos novos tempos. A pequena Edi��es GLS, que existe h� dois anos, j� colocou no mercado 22 livros sobre a sexualidade gay e l�sbica � balan�o suficiente para chamar a aten��o das editoras de grande porte, como a carioca Record, que lan�ou um selo, Contraluz, espec�fico para livros gays. Em S�o Paulo, o endere�o para encontrar essas publica��es � a livraria Futuro Infinito, especializada em literatura gay, l�sbica, bissexual e at� sadomasoquista. "S� para gays e l�sbicas, s�o 2.000 t�tulos", orgulha-se S�rgio Miguez, dono da loja. "E, o melhor, num lugar onde as pessoas v�m durante o dia, sem medo de mostrar a cara." Bares e boates gays, antes redutos fechados e s� freq�entados por quem era do ramo, tamb�m est�o saindo do arm�rio. Em S�o Paulo, a principal cena gay, hoje, acontece no bairro dos Jardins, lugar de gente bem de vida, onde ficam restaurantes transados como o Allegro e boates lotadas como a Disco Fever � estabelecimentos t�o bem-sucedidos que, at� o fim do ano, deve ser registrada na prefeitura uma associa��o comercial s� de empres�rios do meio gay. No Rio, a noite homossexual ferve no Galeria Caf�, em Ipanema, instalado numa rua onde tr�s outras casas de freq��ncia gay tamb�m marcam presen�a. Em Copacabana, a boate Le Boy, tradicional�rrima no ramo, recebe 1.500 pessoas nos fins de semana. At� no quesito encontro os homossexuais se preparam para dar um passo � frente dos velhos classificados. O Fica Comigo, programa de promo��o de namoros que a apresentadora Fernanda Lima comanda na MTV a partir desta semana, anunciou que est� plenamente aberto aos interessados gays. Gays e l�sbicas como tema: cartazes de filmes presentes em mostras de cinema do Rio de Janeiro e de S�o Paulo |
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