Gay vira Bispo Anglicano Veja 12/11/2003 Consagra��o de religioso assumidamente homossexual divide a mais liberal das Igrejas crist�s
Gene Robinson na cerim�nia de consagra��o: nada a esconder
A hist�ria da Igreja Anglicana � marcada por not�veis pol�micas a respeito de como seus fi�is lidam com sexo. No s�culo XVI, rompeu com o Vaticano para que o rei ingl�s Henrique VIII pudesse se casar pela segunda vez. Al�m de aceitar o div�rcio, ela foi a primeira entre as grandes denomina��es crist�s a admitir o casamento de seus sacerdotes e, h� duas d�cadas, rompeu outro tabu ao estender �s mulheres o direito de exercer o minist�rio, celebrar missa e distribuir a comunh�o. Se essas iniciativas j� haviam chocado os tradicionalistas mais zelosos, nada se compara ao impacto causado com a consagra��o, na semana passada, do primeiro bispo anglicano assumidamente homossexual. Gene Robinson, de 56 anos, divorciado e pai de duas filhas, foi nomeado bispo de New Hampshire, Estado no nordeste dos Estados Unidos, pela Igreja Episcopal � como � chamado o bra�o americano da Igreja Anglicana. Entre as 4.000 pessoas presentes ao ato religioso, estava Mark Andrew � companheiro de Robinson h� catorze anos. Como � de praxe, o p�blico foi questionado se havia obje��o � consagra��o. Tr�s pessoas, entre elas um bispo, registraram seu protesto. Em seguida, sa�ram em sil�ncio e se juntaram aos manifestantes do lado de fora, que exibiam cartazes constrangedores contra o bispo gay.
A consagra��o de Robinson ajudou a expor o dilema que cerca a Igreja Anglicana desde os tempos de Henrique VIII. Mesmo abrindo m�o de algumas doutrinas romanas, os anglicanos nunca abandonaram as tradi��es cat�licas, apesar de terem absorvido tra�os da Reforma Protestante. Seus 70 milh�es de seguidores dividem-se entre tradicionalistas e liberais. V�rios l�deres anglicanos condenaram a nomea��o de Robinson � mas os protestos foram in�teis. Diferentemente da Igreja Cat�lica, que tem um papa e uma r�gida estrutura hier�rquica sediada no Vaticano, os anglicanos delegam � Igreja de cada pa�s autonomia para nomear religiosos e resolver assuntos doutrin�rios. Na Inglaterra, por exemplo, divorciados ou mulheres n�o podem ser nomeados bispos. A Igreja Episcopal americana, com apenas 2,3 milh�es de fi�is, � uma das mais liberais. Robinson foi indicado por padres e fi�is de sua diocese e teve a nomea��o confirmada por um conselho de bispos americanos. "Eles s� poderiam vet�-la em caso de impedimento jur�dico, o que n�o houve", disse a VEJA David Steinmetz, professor de religi�o na Universidade Duke, nos Estados Unidos.
Robinson foi casado com uma mulher durante quinze anos. Decidiu pedir o div�rcio e assumir sua homossexualidade aos 39 anos, depois de se submeter � psicoterapia. No ano seguinte, conheceu Andrew e nunca escondeu dos fi�is sua prefer�ncia sexual. Tal comportamento seria inaceit�vel na Igreja Cat�lica � que condena o div�rcio, exige o celibato do clero e recentemente definiu o homossexualismo como "um fen�meno social e moral preocupante". Alguns tradicionalistas anglicanos ainda tentaram barrar a consagra��o do bispo gay. Argumentaram que Robinson violou o sacramento do matrim�nio, pois mora com uma pessoa com quem n�o � oficialmente casado � o mesmo que o acusar de viver com uma amante. Mas a estrat�gia n�o deu certo. |