| O Fim do Pared�n Veja 03/03/1999 Globo desiste da "solu��o cubana" e poupa os homossexuais em Suave Veneno Diogo Vilela (� direita) e Luiz Carlos Tourinho: a volta dos gays caricatos No in�cio da novela Torre de Babel, quando a audi�ncia patinava em 36 pontos � a m�dia do hor�rio das 8 � 45 �, a Globo resolveu adotar a "solu��o cubana": mandar para o pared�n personagens homossexuais, drogados e minorias em geral. De acordo com as pesquisas da emissora, eles seriam os respons�veis pela baixa audi�ncia, por causa da rejei��o do p�blico. Resultado: voaram todos pelos ares numa mirabolante explos�o de shopping center. H� duas semanas, quando Suave Veneno, a sucessora de Torre de Babel, chafurdava em �ndices ainda mais vergonhosos, 31 pontos, a Globo pediu ao autor, Aguinaldo Silva, uma reviravolta na trama. A surpresa � que, desta vez, os gays foram poupados. H� dois homossexuais not�rios na nova novela das 8. Um deles � o paranormal U�lber, representado por Diogo Vilela, que usa turbante, mi�angas e echarpes coloridas. O outro � seu assistente Edilberto, vivido por Luiz Carlos Tourinho, cujo figurino � composto de miniblusas, sapatos de salto alto e cal�as saint-tropez. Ambos ser�o poupados n�o porque a emissora seja politicamente correta, e sim por raz�es de audi�ncia. Segundo pesquisas com telespectadores, os personagens U�lber e Edilberto est�o entre os campe�es de popularidade na novela. O que faz o mesmo p�blico que rejeitou as l�sbicas Rafaela e Leila, interpretadas por Christiane Torloni e Silvia Pfeifer em Torre de Babel, gostar dos gays U�lber e Edilberto? Para responder a essa pergunta, � instrutivo examinar os demais casos de homossexuais que apareceram anteriormente em telenovelas (veja quadro). No passado, os personagens gays costumavam ser discretos ou caricatos. Entre os discretos estava o milion�rio Conrad Mahler, vivido por Ziembinski em O Rebu, de 1974, primeiro homossexual a aparecer numa telenovela no Brasil. Na trama, ele sustenta o garot�o de praia Cau�, interpretado por Buza Ferraz. Ziembinski, no entanto, fazia um gay sem trejeitos afetados. No segundo caso est� outro precursor: Everaldo, vivido por Renato Pedrosa na novela Dancin' Days (1978). O exuberante mordomo da vil� Yolanda Pratini, cria��o antol�gica de Joana Fomm, deliciava-se ajudando nas maldades da patroa. Ambos foram bem aceitos pelos telespectadores. Os homossexuais surgiram como personagens s�rios, com uma vida afetiva relativamente aberta e dispostos a lutar por sua causa, a partir de Vale Tudo (1988), em que Cec�lia e La�s, vividas por Lala Deheinzelin e Cristina Prochaska, faziam um casal de l�sbicas assumidas que n�o recorriam � caricatura. Provocaram pol�mica, assim como Sandrinho e Jefferson em A Pr�xima V�tima e, mais tarde, a Leila e a Rafaela de Torre de Babel. Ou seja, por esse retrospecto, o p�blico s� admite nos folhetins homossexuais velados ou estereotipados. Justifica-se, assim, o sucesso de U�lber � ele representa a volta do homossexual c�mico, que n�o p�e em xeque os valores da fam�lia tradicional. Retrocesso � Para os militantes gays, isso significa um retrocesso. "� uma caricatura que apenas refor�a o preconceito", critica o professor Luiz Mott, presidente do Grupo Gay da Bahia. "Admira-me que um homossexual assumido como Aguinaldo Silva, um dos pioneiros do movimento, tenha feito uma coisa dessas." O autor de Suave Veneno devolve: "Os gays brasileiros, ao contr�rio dos anglo-sax�es, s�o mesmo exuberantes e efeminados. E essa coisa de ativista nem existe mais. Eu mesmo n�o sei se ainda sou homossexual". Alfinetadas � parte, n�o s�o apenas os gays que s�o caricatos nas novelas de Aguinaldo. Ele se notabilizou justamente por fazer com�dia com tipos brasileiros bem caracter�sticos, como o coronel, a fogosa, a solteirona. Faz parte de seu estilo. Para requentar Suave Veneno, al�m de picotar as cenas, tornando a trama mais �gil, Aguinaldo apimentar� as seq��ncias de sexo que envolvem beldades como Let�cia Spiller, N�vea Stelmann e D�bora Secco, al�m de incluir um crime misterioso daqui a alguns cap�tulos. Os primeiros efeitos da reviravolta j� se fizeram sentir. Na semana passada, a novela chegou a atingir picos de 38 pontos na quarta-feira. Coincid�ncia ou n�o, num dia em que o vidente U�lber foi o centro das aten��es, fazendo um n�mero de levita��o. Homossexualidade na tela Ziembinski, em O Rebu (1974): primeiro personagem homossexual da telenovela brasileira, o milion�rio Conrad Mahler era discreto e n�o tinha trejeitos Em Roda de Fogo (1986), Cecil Thir� fazia um gay estereotipado, que flertava com seu mordomo, Jacinto (Cl�udio Curi) Cec�lia (Lala Deheinzelin) e La�s (Cristina Prochaska) chocaram o pa�s como as l�sbicas assumidas de Vale Tudo (1988). Elas chegavam a passear de m�os dadas Sandrinho (Andr� Gon�alves) e Jefferson (Lui Mendes), de A Pr�xima V�tima (1995), conversavam sobre sua homossexualidade Leila (Silvia Pfeifer) e Rafaela (Christiane Torloni), de Torre de Babel (1998), tiveram um fim tr�gico: morreram na explos�o de um shopping center |
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