O Embaixador Gay Veja 06/04/2005 Com lobby GLS a seu favor, o baiano Jean torna-se campe�o do Big Brother
Um m�s antes de ficar famoso na TV como participante do Big Brother Brasil, o baiano Jean Wyllys chamou sua m�e para uma conversa. "M�e sempre sabe quando o filho � gay. Mas quis contar oficialmente a ela", diz. Nesse caso, n�o haveria mesmo como disfar�ar. No programa, Jean alardeou sua condi��o de homossexual para o pa�s inteiro. E o que parecia improv�vel at� para ele aconteceu: na �ltima ter�a-feira, Jean se sagrou vencedor da edi��o do Big Brother de maior audi�ncia at� hoje, embolsando o pr�mio de 1 milh�o de reais. Ele enfrentou a princ�pio a hostilidade da maioria dentro da casa e concorria com participantes de perfil (em tese) mais palat�vel. Mas virou o jogo com duas m�ozinhas. Primeiro, do m�dico Rog�rio � l�der dos marmanjos que pretendiam tir�-lo do programa e que acabou defenestrado com rejei��o recorde. "As maquina��es de Rog�rio fizeram o p�blico se solidarizar com Jean e mostrar que est� mais tolerante, como tem feito tamb�m em rela��o aos personagens gays de novelas", diz Boninho, diretor da atra��o da Rede Globo. O segundo impulso veio do movimento gay, que adotou Jean como her�i. A cada pared�o, correntes se formavam na internet para votar a seu favor. A Globo n�o tem como medir com exatid�o o impacto do lobby gay, mas sabe-se que foi importante. Antes mesmo de sua vit�ria, j� se disputava em qual carro aleg�rico Jean dever� desfilar na pr�xima Parada do Orgulho Gay paulistana. No evento similar de Salvador, o campe�o do Big Brother ser� promovido: em vez de ficar junto � massa, sair� no carro principal, com o t�tulo de "embaixador gay".
Talvez se pudesse dizer que, al�m de gay, Jean pertence a uma outra minoria: a dos brasileiros que l�em mais de dois livros por ano. Jornalista e professor universit�rio, ele brindava seus companheiros de programa com ser�es sobre hist�ria e literatura, al�m de recitar letras de artistas-cabe�a da MPB. Isso �s vezes produzia situa��es de humor involunt�rio. Ao comentar que o poeta franc�s Arthur Rimbaud (1854-1891) era gay, Jean provocou a rea��o do mineiro Alan � que, ao longo do programa, passou de inimigo a �ntimo do professor, com direito a beijinho no rosto e demonstra��es de afeto. "Ele era do bas-fond?", surpreendeu-se Alan, j� familiarizado com as g�rias gays. "Se era. Fizeram um filme sobre sua rela��o com Paul Verlaine, um outro poeta, mas n�o assisti porque o Leonardo DiCaprio fazia o Rimbaud e ele n�o tem qualidade art�stica", sentenciou Jean. Que, por sinal, tamb�m escreve. Ele � autor de um livro de contos, Aflitos, que ganhou um concurso e foi publicado por uma editora baiana. Os textos, n�o raro expl�citos e carregados de viol�ncia, abordam os desv�os da vida gay: o sexo an�nimo, a prostitui��o e os crimes de �dio. Eis uma amostra: "Escrevo hist�rias. N�o as minhas, mas as de homens e seus sonhos despeda�ados. Escrevo sobre os momentos em que esses homens se tocam, confundem, repelem, sob o assoalho da felicidade, nos por�es das desgra�as". Uma coisa assim, dram�tica.
Como acontece a cada edi��o do Big Brother, os participantes correm contra o rel�gio para aproveitar seus quinze minutos de fama. A miss Grazielli, que ficou em segundo lugar, foi assediada para aparecer nua em revistas, mas ainda n�o se decidiu. "Tenho de driblar meu pai", diz. Ela dever� ser convidada para fazer um quadro no programa do apresentador Luciano Huck. Sammy, o terceiro colocado, por enquanto faturou at� mais que Grazi. Somando-se seus pr�mios extras, como uma franquia de restaurante e um carro, embolsou cerca de 400.000 reais, contra os 120.000 ganhos por ela. Alan, o sortudo que continua namorando Grazi fora do programa, tamb�m poder� refor�ar o cofrinho. Ele tem proposta para sair pelado numa revista voltada aos homossexuais. "N�o sei se vou topar. Mas n�o tenho nada contra os gays, tenho at� caso na fam�lia", diz. Talvez o professor Jean tenha ensinado algo ao rapaz. |