Inf�ncia Selvagem

Instinto

No ciclo da vida, a natureza nos surpreende com suas curiosidades. Por exemplo, uma mam�e elefante pode ficar gr�vida durante quase dois anos. Os embri�es do tubar�o tigre brigam entre si enquanto est�o no �tero da m�e. O sobrevivente � o que consegue nascer. No momento do nascimento, uma girafa beb� cai de quase dois metros de altura, sem sofrer nada; um canguru mede apenas 2,5 cent�metros de largura e um tigre chega a pesar entre 780 a 1.600 gramas.

Em se tratando de crias, os animais selvagens e o homem t�m suas semelhan�as. As m�es sempre tentam aquecer seus filhotes, protegendo-os e mimando-os. Os crocodilos e lagartos cobrem seus ovos com um tipo de vegeta��o especial que irradia calor; j� os ping�ins erguem os filhos sobre suas patas, longe do ch�o frio. Os cangurus colocam os beb�s numa sacola de pele grudada no corpo. Ursos, zorros e lobos constroem tocas para o ref�gio dos seus pequenos, enquanto os le�es escondem seus filhotes em forma��es rochosas, protegendo-os dos depredadores. O chimpanz�, o lobo e as m�es felinas passam horas limpando seus filhos. Mais do que um ritual de higiene, este ato pode ser visto como uma demonstra��o de v�nculo afetivo.

Entretanto, o amor incondicional dos pais n�o � sempre algo natural. Aos seis meses de idade, os filhotes de leopardo come�am a praticar as t�cnicas de ca�a caracter�sticas da sua esp�cie: erguer a presa pela garganta at� estrangul�-la. Para facilitar a li��o, a m�e traz a presa viva. No caso dos tigres, a m�e n�o � t�o paciente. Depois de limpos, ap�s o nascimento, os filhotes devem encontrar a teta sem a ajuda da m�e. Este processo pode levar at� quatro horas e a tigresa deixa morrer de fome aquele que n�o conseguir encontr�-la.

Um grande n�mero de filhotes de le�es e tigres morre durante o nascimento ou por ataques de outros da sua mesma esp�cie. Os machos matam as crias de outros machos para tomar o controle da manada ou das f�meas. Muitos destes beb�s n�o s�o apenas v�timas de uma cruel sele��o natural, mas seu futuro � tamb�m incerto pela conseq��ncia da interven��o humana.


A discuss�o sobre as mascotes

A cada ano, centenas de pessoas n�o resistem � tenta��o de adquirir mascotes ex�ticas, como lagartos, gamb�s, porcos-espinhos, porcos, macacos e at� ursos e tigres. Ou simplesmente quando querem resgatar um animal ferido ou abandonado, o tiram do seu meio ambiente para adot�-lo como membro da fam�lia, esquecendo que estes beb�s possuem necessidades especiais para subsistirem. Em muitos casos, viver em cativeiro � uma senten�a de morte para estes animais. Ao serem retirados do seu ambiente, n�o afeta somente o animal em si, mas pode alterar o balan�o de todo um ecossistema.

Estima-se que o neg�cio de contrabando de animais ex�ticos gera uns 10 bilh�es de d�lares por ano. Na Am�rica do Sul, por exemplo, a popula��o de araras diminuiu em 75% em dez anos e milhares de �rvores t�m sido derrubadas para que possam alcan�ar os ninhos. Para pegar os beb�s orangotangos, os ca�adores matam as f�meas. Isto acontece porque os filhotes n�o fogem, eles se agarram no corpo das m�es.

Existem animais que possuem caracter�sticas inatas inadequadas para uma mascote familiar, com os grandes felinos. Outros precisam de um certo tipo de cuidado para poder crescerem. Fontes de diferentes organismos de prote��o de animais calculam que 60% dos animais ex�ticos, mantidos como mascotes, morrem no primeiro m�s; 20% morrem durante o primeiro ano e apenas 10% continua com vida no segundo ano.

Em outros casos, ao ver um animal beb� sozinho, as pessoas assumem que ele foi abandonado. O mais prov�vel � que o adulto esteja pr�ximo buscando comida ou n�o aparece pela presen�a do intruso. � importante levar em conta que mesmo que o filhote pare�a estar abandonado, provavelmente ele n�o esteja e termina sendo muito perigoso para o homem e o animal tentar peg�-lo.

Raramente, os animais beb�s s�o abandonados. Mas se a pessoa tiver certeza de que o animal � �rf�o ou est� ferido, deve mant�-lo fora do contato com crian�as e outros animais de estima��o. A pessoa deve usar luvas para carreg�-lo, coloc�-lo numa caixa de papel�o com ventila��o e entrar em contato com grupos de resgate autorizados, especialistas em reabilita��o de animais selvagens.

Hist�rias para contar

Os animais beb�s s�o os protagonistas de algumas das hist�rias mais famosos do mundo. Isto acontece gra�as ao cinema e a v�rios dos seus astros, �s mensagens de conscientiza��o, educa��o e campanhas de resgate que alcan�aram multid�es.

Nos filmes sobre porquinhos que falam, baleias em cativeiro que buscam a liberdade, elefantes voadores, veados, le�es, peixes �rf�os e at� detetives exc�ntricos ao servi�o do reino animal, a mensagem sempre foi a mesma: cuidado, respeito e preserva��o.

Alguns artistas e intelectuais usaram sua popularidade em prol da luta pelos animais. Brigitte Bardot � uma das ativistas mais famosas, que por mais de dez anos, atrav�s da sua funda��o, liderou diversos programas de ajuda aos animais da Am�rica Latina, Europa e �frica. A atriz Charlize Theron � porta-voz da Sociedade Mundial de Prote��o dos Animais (WSPA) e se dedica, entre outras coisas, a fazer campanhas para que as lojas de mascotes que comercializam animais beb�s se transformem em centros de ado��o. A atriz Kim Basinger leiloou suas j�ias de luxo para recolher fundos em benef�cio aos ref�gios da Calif�rnia. Os atores Pierce Brosnan e Morgan Freeman s�o porta-vozes do Fundo Internacional de Prote��o aos Animais (IFAW) e t�m a miss�o de divulgar mensagens sobre a import�ncia de uma boa e s�bia rela��o entre homens e animais selvagens.

Segundo a hist�ria, o famoso psic�logo Carl Jung abandonou os estudos de medicina por considerar a pr�tica em animais um ato b�rbaro. O cirurgi�o Christian Barnard, ap�s experimentar um transplante de cora��o com chimpanz�s e ver o sofrimento destes s�mios, jurou nunca mais usar estar criaturas t�o sens�veis. E dizem que, como ato de respeito ao reino animal, Leonardo Da Vinci, Pit�goras e S�crates se transformaram em vegetarianos.

Esfor�os de resgate

Existem mais de 15 mil organiza��es ao redor do mundo dedicadas � prote��o dos animais. Entre elas, destaca-se a Sociedade Mundial de Prote��o aos Animais, WSPA (suas siglas em ingl�s), cuja vis�o � um mundo que entenda e respeite a necessidade de cuid�-los e colocar em vig�ncia leis efetivas que ap�iem os esfor�os de prote��o e aliviem o sofrimento de tantas criaturas. Atrav�s de diversos projetos, a WSPA denuncia o abuso e a crueldade, resgata animais abandonados, descuidados ou v�timas de desastres naturais e educa as pessoas que trabalham ou vivem com animais, assegurando-os um futuro melhor. Entre seus esfor�os mais recentes, destaca-se um santu�rio para s�mios na Espanha, um centro de reabilita��o de ursos pardos �rf�os nos Estados Unidos, a forma��o de uma equipe de ajuda para animais feridos ou que se encontrem no meio de conflitos no Afeganist�o e a abertura de mais cl�nicas para o tratamento de mascotes e gado na �frica, �sia e Caribe. Esta organiza��o tamb�m ajuda em iniciativas das Na��es Unidas e a Organiza��o Mundial de Sa�de.

O Fundo Internacional para a Prote��o de Animais, IFAW (suas siglas em ingl�s), � outra organiza��o mundial que conta com uma equipe de cientistas e defensores qualificados para tratar de assuntos globais. Entre suas tarefas, est� prestar aux�lio em casos de emerg�ncias ou desastres, apoiar santu�rios de animais beb�s �rf�os, lutar contra a comercializa��o de animais selvagens que colocou em perigo mais de 5 mil esp�cies e acabar com a ca�a inescrupulosa de baleias, elefantes e focas beb�s. Eles tamb�m contam com cl�nicas ambulantes que oferecem ajuda gratuita aos animais das comunidades rurais de diversos pa�ses.

O IFAW recebe apoio de milh�es de contribuintes ao redor do mundo que buscam a��es das comunidades, l�deres governamentais e organiza��es irm�s em prol de solu��es duradouras.
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