Tipo Exporta��o Veja 18/03/1998 Pa�ses da antiga URSS se transformam em celeiro do tr�fico de prostitutas
A hist�ria � quase sempre a mesma: jovens russas de fam�lias empobrecidas, em geral do interior, s�o atra�das por an�ncios de jornais que prometem trabalho no exterior como dan�arina ou gar�onete em troca de altos sal�rios. Ao desembarcar no pa�s estrangeiro, elas t�m o passaporte confiscado por seus "protetores" e s�o "vendidas" aos donos de prost�bulos. O sistema � muito similar ao que leva mulheres brasileiras para uma vida de servid�o em alguns pa�ses da Europa, mas num volume incomparavelmente maior. O tr�fico de mulheres da R�ssia, da Ucr�nia e de outros pa�ses da antiga Uni�o Sovi�tica atingiu dimens�es de problema mundial. O bazar internacional de mulheres � antigo como a civiliza��o � o que muda � a nacionalidade e o tipo f�sico que mais interessa aos homens. Isso varia ao sabor dos tempos. Recentemente, durante os anos 80, predominavam nos cabar�s as prostitutas asi�ticas, notadamente filipinas e tailandesas. Com a crise econ�mica no mundo eslavo, as asi�ticas foram substitu�das por uma gera��o de mulheres brancas, educadas e quase sempre muito atraentes.
� dif�cil precisar quantas prostitutas da ex-Uni�o Sovi�tica est�o trabalhando na Europa Ocidental, mas h� indica��es de que o n�mero � alto. Registros oficiais da Ucr�nia mostram que 400.000 mulheres com idade at� 30 anos deixaram o pa�s na �ltima d�cada. S� Israel deportou 1.500 russas e ucranianas nos �ltimos tr�s anos. Na Turquia, qualquer prostituta aloirada � chamada de "Natasha". A pol�cia italiana interrompeu em Mil�o, em dezembro, uma verdadeira liquida��o de mulheres provenientes da ex-Uni�o Sovi�tica. Exibidas seminuas, eram vendidas por at� 1.000 d�lares. Recentemente, a Global Survival Network, uma ONG empenhada em investigar o tr�fico ilegal de animais selvagens, descobriu que um mesmo grupo especializado em vender ossos e peles de tigres para chineses e japoneses tinha estabelecido uma linha paralela de neg�cios para fornecer mulheres russas a boates orientais.
Mafiosos e modelos � N�o � dif�cil entender por que o neg�cio da prostitui��o russa cresceu a ponto de se tornar multinacional. Daqueles que perderam o emprego desde a queda do comunismo, 80% s�o mulheres. Com o exterm�nio do emprego nas pequenas cidades e vilas do interior, muitas dessas mulheres est�o saindo de casa para os grandes centros, largamente dominados pela m�fia. Sem dinheiro, premidas pela necessidade e com conceitos morais bastante flexibilizados, v�rias delas recebem propostas tentadoras para comercializar o que lhes restou: o corpo. A pol�cia russa d� escassa aten��o ao aumento da prostitui��o, mesmo quando envolve menores de idade. Essa situa��o levou a R�ssia a debater a possibilidade de legalizar a prostitui��o, nos moldes dos tempos dos czares. Pelo menos um governador da regi�o industrial no Volga j� enviou projeto para o Legislativo votar nos pr�ximos meses.
Na nova R�ssia, o crime organizado migrou do antigo mercado negro dos tempos do comunismo para setores da economia que n�o foram devidamente regulamentados. Sob a b�n��o de pol�ticos e burocratas corruptos � mais de 2.500 funcion�rios est�o sob investiga��o judicial �, cerca de 200 organiza��es criminosas controlam desde o com�rcio de pedras preciosas at� a pescaria comercial. Nas maiores cidades, a m�fia russa controla todos os tent�culos do mercado de entretenimento, incluindo as grandes ag�ncias de modelos. Numa outra vers�o da prostitui��o na R�ssia, as manequins s� conseguem bons contratos se dormirem com o mafioso certo. Em dezembro de 1996, a top model Svetlana Kotova, 20 anos � da famosa ag�ncia Red Stars, ligada � americana Elite �, viajou para a Gr�cia para se encontrar com o homem mais procurado do pa�s, o assassino de aluguel Alexander Salonik. S� se soube dela novamente meses depois, quando a pol�cia encontrou os corpos do casal, esquartejados numa rixa de quadrilhas mafiosas russas. |