Lixeira Asi�tica Veja 01/04/1998 O pa�s mais polu�do do mundo come�a a se preocupar com o custo econ�mico da sujeira
Pa�s mais populoso do mundo, a China se presta a compara��es em grande escala. Nem todas fazem inchar o peito de orgulho. O crescimento econ�mico m�dio de 9% nas �ltimas duas d�cadas transformou o pa�s no mais polu�do do planeta. O ar respirado nas grandes cidades chinesas, diz um estudo do Banco Mundial, � provavelmente o pior da �sia. A ind�stria estatal nunca se preocupou com equipamento antipolui��o, e o esgoto � despejado nos rios sem tratamento. Estima-se que 60% dos chineses recebam em casa �gua contaminada por esgotos ou produtos qu�micos. At� pouco tempo atr�s, o governo sustentava que controle ambiental � luxo de pa�s rico. A prioridade chinesa era tirar o povo da pobreza. Essa postura est� mudando porque Pequim descobriu que a polui��o tamb�m custa caro.
Como o pa�s tem no carv�o sua principal fonte de energia, a concentra��o de part�culas em suspens�o no ar � cinco vezes maior do que a recomendada pela Organiza��o Mundial de Sa�de. O Banco Mundial diz que a m� qualidade do ar nas grandes cidades causa a morte prematura de 178.000 chineses por ano e 1,7 milh�o de casos de bronquite cr�nica. O custo em despesas m�dicas e horas de trabalho perdidas: 32 bilh�es de d�lares, quase 5% do PIB. O incontrol�vel aumento da popula��o disseminou a polui��o urbana para grande parte da zona rural. A irriga��o indiscriminada esgotou o solo e reduziu a produtividade de 10% a 25%. S� a chuva �cida, provocada pela polui��o industrial, causa perda anual de 2,8 bilh�es de d�lares � agricultura. "A falta de prote��o ambiental � uma das poucas coisas que podem impedir a China de continuar crescendo por muito tempo", preocupa-se Li Yining, da equipe econ�mica do novo primeiro-ministro, Zhu Rongqi, que tomou posse h� duas semanas.
Polui��o do consumo � A abertura da China ao capitalismo melhorou a qualidade de vida e enriqueceu uma parcela da popula��o, que se aproxima dos padr�es internacionais de consumo. Eletrodom�sticos e autom�veis j� fazem parte da lista de compras de muitos chineses. O lado perverso da mudan�a � o aumento do lixo (abandonado na periferia ou jogado nos rios) e do consumo de energia el�trica. Num c�rculo vicioso, Pequim planeja represar rios e alagar ecossistemas delicados para construir uma centena de usinas el�tricas nos pr�ximos dez anos. O n�mero de ve�culos registrados cresce entre 12% e 14% ao ano h� duas d�cadas, aumentando a polui��o do ar.
O presidente Jiang Zemin chegou a copiar de pa�ses ocidentais uma legisla��o ambiental, em 1996, que nunca foi implementada. A tentativa de intervir numa ind�stria poluidora, no ano passado, gerou tantos protestos que o governo preferiu mant�-la em funcionamento. N�o h�, por enquanto, nenhuma chance de o governo chin�s resolver o problema a curto prazo, visto que seria preciso reformar toda a estrutura produtiva erguida ao longo de d�cadas. Prote��o ambiental efetiva significaria fechar milhares de f�bricas e aumentar o desemprego, um custo social que a China n�o v� raz�o para bancar. Governos comunistas nunca deram muita aten��o �s preocupa��es com polui��o ambiental. Em parte, isso se deve � falta de opini�o p�blica pressionando por qualidade de vida. Depois da reunifica��o, a Alemanha precisou desativar dezenas de f�bricas herdadas da antiga Alemanha Oriental simplesmente porque ficaria caro demais convert�-las para seus padr�es de controle da polui��o. |